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sábado, 23 de agosto de 2014

Fonte de lágrimas de arrependimento






E o galo cantou segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E, retirando-se dali, chorou.

Marcos 14.72


O arrependimento é efetuado pelo Espírito de Deus, mas ele o efetua em nós, por levar-nos a meditar no mal do pecado.

1- ESTUDEMOS O CASO DE PEDRO E USEMOS PARA NOSSA PRÓPRIA INSTRUÇÃO

1- Ele considerou que havia negado a seu Senhor. será que nunca fizemos tal coisa?
     Isso pode ser feito de muitas maneiras.

2- Ele refletiu sobre a excelência do Senhor, a quem negara.

3- Ele lembrou-se da posição na qual fora posto pelo Senhor fazendo-o apóstolo, e logo um dos primeiros, não temos sido colocados em posiçaõ de confiança?

4- Ele lembrou-se do tratamento especial que havia desfrutado, ele e Tiago e João tinham sido muitíssimo favorecidos (Mt 17.1-13, 26.36-46 e Mc 5.37-43), não temos nós desfrutado de feliz comunhão com nosso Senhor?

2- ESTUDEMOS NOSSAS PRÓPRIAS VIDAS, E USEMOS O ESTUDO PARA NOSSA POSTERIOR HUMILHAÇÃO

1- Pensemos em nosso pequeno progresso na vida cristã.

2- Pensemos em nossas apostasias e nos descaminhos do coração.

3- Pensemos em nossa negligência com a alma dos outros.

4- Pensemos em nossa pouca comunhão com nosso Senhor.

5- Pensemos na pequena glória que estamos trazendo para seu grande nome.

6- Pensemos em nossas incomparáveis obrigações para com seu infinito amor.

3- ESTUDEMOS OS EFEITOS DESSES PENSAMENTOS SOBRE NOSSAS PRÓPRIAS MENTES

1- Podemos pensar nessas coisas sem emoção? É possível, pois muitos escusam seu pecado, alegando circunstâncias , constituição, companhia, comércio ou destino. Chegam mesmo a lançar a culpa sobre Satanás ou algum outro tentador. Certos corações duros tratam o assunto com suprema indiferença.
Isso é perigoso, é de temer que tal homem não seja Pedro, mas Judas; não é um santo caído, mas um filho da perdição.

2- Somos movidos por pensamentos dessas coisas? Há outras reflexões que podem mover-nos muito mais. Nosso Senhor nos perdoa e nos conta como seus irmãos, Ele nos pergunta se o amamos, e nos pede que apascentemos seu rebanho.

Certamente, quando damos importância a esses temas, deve ocorrer a cada um de nós "E, caindo em si, desatou a chorar".
A recordação de Pedro, do que ouvira anteriormente, foi outra oportunidade de seu arrependimento. Não consideramos bastante o quanto necessitamos mais de recordação do que informação. Conhecemos milhares de coisas, mas é necessário que elas sejam mantidas vivas em nossos corações, por uma constante e vívida recordação. Portanto, é extremamente absurdo e infantil que as pessoas digam: "Voce não me diz nada, exceto o que já conheço". Eu respondo: "Voce se esquece de muitas coisas". Portanto, é necessário que se ensine uma linha de cada vez, e um preceito de cada vez(Is 20.10,13).
O próprio Pedro disse, depois em suas espítolas: "Por esta razão sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados acerca destas cousas, embora estejais certos da verdade já presente convosco".

Somos propensos a esquecer-nos daquilo que sabemos, já que devemos considerar isso, qualquer coisa boa que conhecemos só é boa para nós na medida em que é lembrada com propósito (Richard Cecil).

Pedro caiu horrorosamente, mas, pelo arrependimento ergueu-se com alegria. Um olhar de amor vindo de Cristo, leva-o a desfazer-se em lágrimas.

Ele sabia que o arrependimento era a chave para o reino da graça, imediatamente sua fé tornou-se tão forte que ele saltou, por assim dizer, num mar de águas para vir a Jesus; agora se arrepende tanto por causa daquilo que fizera sem Cristo.
Dizem alguns que, após sua triste queda ele chorava de quando em quando, e que sua face estava inclusive sulcada de contínuas lágrimas. Mal tomara o veneno e já o vomitara, antes que este atingisse os órgãos vitais; nem bem ele havia pegado esta serpente e ele a transforma numa vara, afim de açoitar sua alma com remorso por ter pecado em face de tão clara luz, de tão vigoroso amor e de tão suaves descobertas do coração de Cristo para com ele.

Clemente observa que Pedro se arrependeu de tal sorte que, em toda a sua vida posterior todas as noites quando ouvia o galo cantar caía de joelhos, e, chorando amargamente pedia perdão por seus pecados. Ah! Almas vós podeis pecar facilmente como os santos, mas podeis arrepender-vos como os santos?

Muitos podem pecar como Davi e como Pedro, mas não se arrependem como Davi e Pedro, e por isso devem perecer eternamente (Thomas Brooks).

Nada tornará mais limpa a face dos filhos de Deus do que se lavarem eles todas as manhãs em suas lágrimas (Samuel Clarck).

Os gregos antigos pensavam que a memória deveria ser fonte de tortura no mundo vindouro, pelo que puseram entre os dois mundos as águas do Lete, o rio do esquecimento. Os cristãos, porém, não querem nenhum rio do esquecimento nas fronteiras do Élísio. O Calvário está desse lado, e isso basta (Alexander Maclaren).

CHARLES H. SPURGEON







quinta-feira, 21 de agosto de 2014

As qualificações de um apóstolo




As duas qualificações de um apóstolo eram: (1) ter visto Jesus Cristo após a ressurreição ( ser testemunha ocular da ressurreição) e (2) ter sido especificamente comissionado por Cristo como seu apóstolo. O fato de que um apóstolo tinha de ter visto o Senhor ressurreto é indicado em Atos 1.22, onde Pedro diz que o substituto de Judas deve se tornar testemunha cono...sco de sua ressurreição. Além disso foi aos apóstolos que escolhera que depois de ter padecido se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias ( At 1.2-3; cf. 4.33). Paulo dá muita importância ao fato de que ele cumpriu esse requisito, mesmo que de forma incomum ( Cristo apareceu-lhe em uma visão na estrada de Damasco e o designou apóstolo: At 9.5-6; 26.15-18). Quando defendeu seu apostolado, afirmou: Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afina, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora do tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo ( 1 Co 15.7-9). Esses versículos indicam que só podia ser apóstolo alguém que tivesse visto Jesus após a ressurreição. A segunda qualificação, uma designação específica dada por Cristo, é também evidente em muitas passagens. Primeiro, mesmo que o termo apóstolo não seja comum nos evangelhos, os doze discípulos são chamados apóstolos especificamente em um contexto onde Jesus os comissiona, enviando-os para pregar em seu nome. Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças, e enfermidades. Ora os nomes dos doze apóstolos são estes (...) A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções : ... à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus (Mt 10.1-7). Da mesma forma, Jesus comissiona seus apóstolos em um sentido especial para serem suas testemunhas ( ...) até os confins da terra (At 1.8) . E, escolhendo outro apóstolo para substituir Judas, os onze apóstolos não chamaram a responsabilidade para si mesmos, mas oraram e pediram ao Cristo que subira ao céu que fizesse a indicação: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido,para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou... E os lançaram em sortes, vindo a sorte a recair sobre Matias, sendo-lhe então votado lugar com os onze apóstolos ( At 1.24-26). Paulo mesmo insiste que o próprio Cristo o designou apóstolo. Ele conta como , na estrada de Damasco, Jesus disse que o estava designando como apóstolo dos gentios: ... porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha(...) livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio ( At 26.16-17). Ele, mais tarde, afirma que foi especificamente designado por Cristo como apóstolo ( veja Rm 1.1; Gl 1.1; 1 Tm 1.12; 2.7; 2Tm 1.11).

Wayne Grudem

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A maravilhosa graça de Deus




Romanos 3.24; 5.1-3

Paulo enfrentou uma fase crítica em sua vida, pela qual orou por três vezes a fim de se livrar do grande incômodo (talvez uma enfermidade veja 2 Co 12.9; Gl 4.15), mas como resposta recebeu do Senhor um enfático "A minha graça te basta". Que maravilhosa graça é essa? Que poder ela possui, pois o que é capaz de nos manter em pé mesmo na pior crise?
Situações de sofrimento como morte, doença, dificuldade econômica e decepções, saõ comuns a todos os seres humanos, sejam eles cristãos ou não! Jesus deixa isso claro na história dos "dois fundamentos" (veja Lc 6.46-49). Lucas registra em seu livro que a "tempestade" que desabou foi impiedosa tanto para o "ouvinte praticante" (cristão professo) quanto para o "ouvinte negligente" (cristão nominal). Entretanto, a casa bem alicerçada reagiu positivamente às intempéries, exatamente porque tinha "alicerce", não estava solta, desguarnecida. O fundamento do cristão genuíno é a graça de Deus (1 Co 3.11).

A graça de Deus se manifesta ao homem pelos méritos de Jesus Cristo.

1- CONHECENDO A DIMENSÃO DA GRAÇA DE DEUS.

Davi enfatiza o alcance da graça divina, ou do profundo amor que Deus revela aos seus filhos quando diz: "Porque a tua graça é melhor do que a vida, os meus lábios te louvam" (Sl 63.3).
No AT, a graça de Deus é ilustrada na sua relação com a infiel nação israelita: "Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei, porque a minha ira se apartou deles" (Os 14.4).
Graça, portanto, é a manifestação desse "amor imerecido", que vai ao nosso socorro sem que lho peçamos.
No hebraico, temos o verbo hãnan traduzido por "ser gracioso, compadecer-se". Segundo o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, essa palavra "descreve uma reação sincera de uma pessoa que tem algo a dar para alguém necessitado"; e outra definição do mesmo dicionário, a respeito da palavra hãnam, também descreve a profundidade da graça de Deus; vejamos: "a ação que parte de um superior na direção de um inferior que não tem nenhum direito a tratamento clemente".
No grego do NT, encontramos a palavra charis que tem um significado semelhante àquela que já mencionamos. Charis é o mesmo que disposição ou ato benevolente de Deus concedido a quem (pecador) nada merece.

2- A REDENÇÃO É A PLENITUDE DA GRAÇA DE DEUS.

Zacarias cita a morte do filho de Deus: "(...) olharão para aquele a quem traspassaram; pranteà-lo-ão como quem pranteia por um unigênito (...) como se chora amargamente pelo primogênito" (12.10). O profeta alude ao Messias sofredor de Isaías 53, que graciosamente se daria em resgate de muitos (veja João 19.37).
Paulo em seu "evangelho da salvação" (livro de Romanos) busca detalhar o motivo, a causa da encarnação, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, a graça de Deus. A iniciativa e a bondade de Deus (ou graça) O levaram a pagar o preço da nossa salvação, isto é, a morte vicária de seu único Filho: "sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus" (Rm 3.24).

3- VIVENDO DEBAIXO DA GRAÇA DE DEUS.

Em  2Co 9.8, lemos: "Deus pode fazer-nos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra". Este texto indica a soma das bençãos provenientes da graça divina. Portanto, a graça de Deus é aplicada a tudo que Cristo conquistou por meio da Redenção. Esse tudo inclui, obviamente, as promessas de Deus, ou o conjunto dos benefícios terrenos (dons e oportunidades, paz, saúde, aprovação, livramentos etc.) e celestes (vida eterna) da Nova A liança no sangue de Jesus.
Essa maravilhosa graça nos capacita a enfrentar os incômodos "espinhos" que nos assaltam nas diversas áreas da vida humana (casamento, trabalho, ministério, vida pessoal - emoções, saúde etc). Não importa a "carga" (ou situação) que temos de garregar (ou encarar), desde que a graça de Deus nos fortaleça: "...tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.13).
Como "subproduto" ou resultado da graça, temos: a paz interior (a tranquilidade de espírito veja Gl 1.3); a comunhão (o livre acesso) plena com Deus; a esperança ou a certeza de que Deus nos dará aquilo que nos prometeu, mas que ainda não se concretizou; toda herança em Cristo por conta da nossa filiação; alegria (deleite, prazer espiritual e contentamento) etc.
A graça é a força e o amor sobrenatural de Deus que se manifesta em nós, ou em nosso socorro em um momento de fraqueza ou quando chegamos ao limite de resistência. É o poder de Deus para resistirmos a toda adversidade, demônios, tribulação, oposição ou perseguição e a viver como um verdadeiro filho de Deus, a quem Ele declarou justo por meio de Cristo.
Quando vier sobre nós a pressão do sofrimento e da dor, da tentação e da acusação, da falta de palavras ou forças, devemos nos lembrar das doces palavras do nosso amoroso Salvador: "A minha graça te basta".

CONCLUSÃO

Quem procura respostas, forças ou um lugar de refúgio durante as lutas cotidianas em uma pessoa (líder religioso, conjugê, filhos etc.), sistema ou denominações (igrejas), ainda não entendeu nada da graça de Deus. Ela é a fonte de toda resistência, amor, paz, razão que homem algum pode dar.
Deus decidiu em Seu sábio conselho nos salvar. O preço seria tão varo que jamais poderíamos pagar (veja Mt 18.23-27), então por iniciativa própria, Ele nos representou com a morte de Cristo ( Seu sacrifício), algo que não merecíamos e que nunca poderíamos devolver ou retribuir, apenas aceitar e desfrutar por fé.