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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Tornando- se semelhante a Cristo








Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano;
E vos renoveis no espírito da vossa mente;
E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.
Efésios 4.22-24

O novo nascimento dá ao crente a condição básica para tornar-se semelhante a Jesus Cristo no caráter, pois a Bíblia diz que após essa experiência, a natureza de DEUS é implantada em nosso espírito (veja 1 João 3.9; 2 Pedro 1.4). essa "metamorfose" espiritual acontece lenta e progressivamente por meio da santificação. O Espírito de Deus emprega cada situação da vida, bem como todo novo nascimento das Escrituras que adquirimos para reconstruir essa semelhança divina em cada um de nós ( 2Coríntios 3.18; 2 Pedro 3.18). Além disso, a Bíblia apresenta de maneira geral três deveres, e devemos cumprir para nos tornarmos semelhantes a Jesus Cristo.

A santificação restaura a semelhança que tínhamos ( em Adão) com nosso criador.

1- Precisamos abandonar a maneira antiga de agir.

O texto em estudo é claro:"...no sentido de que, quanto ao tratado passado, vos despojeis do velho homem"(v.22). A Bíblia traz esse texto da seguinte forma: "então desfaçam-se dessa velha natureza má- o velho "eu" que era parceiro nos seus caminhos- completamente apodrecida, cheia de imoralidades e engano".
Antes de conhecemos a Cristo, éramos orientados pelo espírito da desobediência (veja Efésios 2.1-3). Como escravos do engano, fazíamos tudo que agradava a carne e éramos por natureza inimigo de Deus (Tiago 4.4). Mas agora que Cristo nos salvou, devemos manifestar frutos compatíveis com a vida cristã. Não podemos mais ser dirigido por desejos ou impulsos vis, malignos, indecentes que pertenciam à antiga maneira de viver.
Nossas ações devem ser baseadas na Palavra. Não podemos mais reproduzir atitudes que a Bíblia condena (por exemplo: 1 Coríntios 6.9-11). Jesus afirmou que os discípulos são o sal da terra e a luz do mundo (veja Mateus 5.13-14), e isto significa dizer que somos responsáveis por manter os valores do Reino de Deus e também em dar bom testemunho do Evangelho.

2- Precisamos mudar a maneira de pensar

O pensamento molda a ação (veja Provérbios 23.7), por essa razão devemos criar o maravilhoso hábito de estudar, meditar na Bíblia todos os dias, pois é por meio dela que a nossa maneira de pensar vai mudando. Jesus Cristo afirmou que a libertação (de hábitos, idéias ou conceitos errados) acontece quando conhecemos a verdade (João 8.32).
O texto em estudo diz:"...e vos renoveis no espírito do vosso entendimento" (v.23). Há duas palavras-chave neste versículo:1) Renovar, que significa; Tornar novo; mudar ou modificar para melhor; recomeçar etc. 2) Entendimento, cujo significado é: Faculdade de compreender, de pensar ou de conhecer. Em outras palavras, nos tornamos semelhantes a Cristo quando continuamente passamos a pensar segundo as Escrituras. Isto é o mesmo que permitir que Deus governe os nossos pensamentos.
Quando nosso pensamento é dirigido, programado, pela Bíblia, é possível planejar ações moralmente corretas, sobre isto Paulo escreveu aos Filipenses; "Finalmente, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento" (4.8). Muita informação disponível na TV e em outros meios serve apenas para contaminar nossa mente, precisamos nos disciplinar nesse ponto.

3-Precisamos nos conformar à imagem de Cristo

No versículo 24, lemos:"...e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade". A imagem de Cristo é espiritual, e tem a ver com o Seu caráter. Os aspectos do caráter de Jesus são exemplificados no fruto do Espírito. Precisamos daquelas nove qualidades morais e éticas para nos tornarmos semelhantes ao Senhor. O Espírito Santo nos ajuda a viver em novidade de vida, e a desenvolver novos e saudáveis hábitos de conduta(por exemplo: agir certo, perdoar, descansar no Senhor, falar o que edifica etc).
Somos discípulos de Cristo, portanto, Ele é o nosso modelo ou exemplo em todos os aspectos. Muito do que manifestamos no dia-a-dia ainda é resquício da forma antiga e mundana de viver (veja Tiago 1.21; 1João 2.15-17; Romanos 12.2). Somente seremos felizes no exato momento em que sentirmos que as mudanças (progressivamente) estiverem ocorrendo em nós.
O alvo de todo crente nascido de novo deve ser o crescimento espiritual, ou seja, a maturidade (veja Efésios 4.12-16). A essência da maturidade é a semelhança espiritual com Cristo, e ficamos parecidos com Ele quando pensamos, falamos e agimos como Ele. Quaisquer que sejam as nossas ações ou palavras, tudo deve ser completamente "embalado pelo amor", pois é amando que comprovamos a nossa filiação celestial (1 João 4.7). A Bíblia diz:" Todos os vossos atos sejam feitos com amor" ( 1 Coríntios 16.14).

Conclusão

Devemos nos aliar ao Espírito de Deus nessa difícil tarefa de reconstrução de nosso caráter.
Quando é que nos tornamos um estorvo para o Espírito Santo? Não é mentindo, entristecendo e apagando a Sua influência de sobre nós? (veja Atos 5.3; Efésios 4.30; 1Tessalonicenses 5.19). Ninguém sabe tudo nem consegue tudo de uma só vez, é por meio do discipulado, da continuação na vida cristã, da permanente crucificação do velho homem que vamos sendo transformados à imagem moral e ética de Cristo Jesus.

Valter Bastos

terça-feira, 27 de maio de 2014

Os falsos milagres





Os mágicos do faraó foram capazes de operar alguns falsos milagres (Êx 7.11, 22; 8.7), embora logo depois tenham sido obrigados a admitir que o poder de Deus era maior (Êx 8.19). Simão, o mágico da cidade de Samaria, assombrava as pessoas com suas mágicas (At 8.9-11), ainda que os milagres realizados por intermédio de Filipe fossem muito maiores (At 8.13). Em Filipos, Paulo encontrou uma moça escrava "possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores" (At 16.16), mas Paulo repreendeu o espírito, que dela saiu (At 16.18). Além disso, Paulo diz que quando o iníquo vier, virá "com poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecerem" (2 Ts 2.9-10), mas aqueles que os aceitarem e forem enganados o farão "porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2.10). Isso indica que aqueles que operarão falsos milagres no final dos tempos pelo poder de Satanás não falarão a verdade , mas pregarão um falso evangelho. Finalmente, Apocalipse 13 indica que uma segunda besta irá emergir "da terra", aquela que detém "toda autoridade da primeira besta" e que "opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer a terra, diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta" (Ap 13.11-14). Mas novamente um falso evangelho acompanha esses milagres: esse poder é exercido em associação com a primeira besta, que profere "arrogâncias e blasfêmias [...] abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo" (Ap 13.5-6).
Duas conclusões se aclaram diante dessa breve investigação dos falsos milagres nas Escrituras: (1) o poder de Deus é maior do que o poder de Satanás para operar sinais miraculosos, e o povo de Deus triunfa nos confrontos de poder com os que fazem o mal. Com respeito a isso, João assegura os crentes de que "maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo" (1Jo 4.4). (2) A identidade desses operadores de falsos milagres é sempre conhecida pela negação do evangelho. Não se sugere em lugar nenhum das Escrituras que cristãos verdadeiros, inspirados pelo Espírito Santo, operarão falsos milagres. De fato, numa cidade tomada pela idolatria e pela demonolatria (ver 1 Co 10.20), Paulo disse aos crentes coríntios, muitos deles oriundos desse tipo de prática pagã, que "ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo" (1Co 12.3). Aqui ele lhes garante que aqueles que fazem uma genuína profissão de fé em Jesus como Senhor realmente tem em si o Espírito Santo. É significativo que ele imediatamente passe a falar sobre os dons espirituais de "cada' verdadeiro crente (1Co 12.7).
Isso nos deve dar a certeza de que, se virmos milagres operados por quem faz uma genuína profissão de fé (1Co 12.3), que cre  na encarnação e na divindade de Cristo (1 Jo 4.2) e que revela o fruto do Espírito Santo na sua vida e dá fruto em seu ministério (Mt 7.20; cf. Jo 15.5; Gl 5.22-23), não devemos desconfiar de que sejam falsos milagres, mas sim nos mostrar gratos a Deus pela ação do Espírito Santo, mesmo naqueles que talvez não tenham exatamente as mesmas convicções que nós em toda questão doutrinária.
Na verdade, se Deus pretendesse operar milagres só por intermédio daqueles que fossem perfeitos na doutrina e na conduta, milagre nenhum se faria até a volta de Cristo.

Wayne Grudem

domingo, 25 de maio de 2014

O que é orar em nome de Jesus?



Tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei (Jo 14.13-14). Diz também que escolheu seus discípulos "a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda" (Jo 15.16).
Igualmente, diz: "Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa" (Jo 16.23-24; cf. Ef 5.20). Mas o que isso significa?
É Nítido que não significa simplesmente acrescentar a expressão "em nome de Jesus" depois de cada oração, pois Jesus não disse: Se pedirem alguma coisa e acrescentarem as palavras em nome de Jesus após a oração, eu o farei. Jesus não está meramente falando de acrescentar determinada palavras, como se fossem uma espécie de fórmula mágica que daria poder as nossas orações. Na verdade, nenhuma das orações registradas nas Escrituras trazem a expressão " em nome de Jesus" ao final ver (Mt 6.9-13; At 1.24-25; 4.24-30; 7.59; 9.13-14; 10.14; Ap 6.10; 22.20).
Se nos apresentamos em nome de alguém, isso significa que a outra pessoa  nos deu permissão para que nos apresentássemos com a autoridade dela, não com a nossa.
Quando Pedro ordena ao coxo: "Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!" (At 3.6), ele fala com a autoridade de Jesus, não com sua própria autoridade. Quando o Sinédrio pergunta aos discípulos: "Com autoridade de quem vocês fizeram isto?" Quando Paulo repreende um espírito impuro" em nome de Jesus Cristo" (At 16.18), ele deixa claro que o faz com autoridade de Jesus, não com a sua. Quando Paulo pronuncia o juízo "em nome do Senhor Jesus" (1Co5.4) acerca de um membro da igreja culpado de imoralidade, age com autoridade do Senhor Jesus. Orar em nome de Jesus é portanto oração que se faz com autorização dele.
Num sentido mais amplo, o "nome" de uma pessoa no mundo antigo representava a própria pessoa e, portanto, a totalidade do seu caráter. Te "bom nome" (Pv 22.1; Ec 7.1) era ter boa reputação. Assim, o nome de Jesus representava tudo o que ele é, todo o seu caráter. Isso significa que orar "em nome de Jesus" não é só orar com sua autoridade, mas também orar de modo compatível com o seu caráter, que verdadeiramente o represente e reflita o seu modo de vida e a sua própria santa vontade. Nesse sentido, orar em nome de Jesus se aproxima da idéia de orar "segundo a sua vontade" (1Jo 5.14-15).
Isso significa, então, que é errado acrescentar "em nome de Jesus" ao final das nossas orações? Absolutamente não, desde que compreendamos o que significa, e que não é necessário faze-lo. Pode haver algum perigo, porém, em acrescentar essa expressão a cada oração pública ou privada que façamos, pois logo se tornará para as pessoas simplesmente uma fórmula a que atribuem muito pouco significado, recitando-a sem pensar. Pode passar a ser encarada, pelo menos por crentes mais imaturos, como uma espécie de fórmula mágica que torna a oração mais eficaz. Para evitar esse equívoco, é possível que seja mais inteligente decidir não usar a fórmula com frequência, expressando a mesma idéia com outras palavras, ou simplesmente na atitude global e na forma de fazer a oração. Por exemplo, é possível começar assim as orações: "Pai, vimos a ti com a autoridade de nosso Senhor Jesus, teu Filho..."ou "Pai, não vimos com nossos próprios méritos, mas com os méritos de Jesus Cristo, que nos convidou a comparecer perante ti..." ou "Pai, agradecemos-te por perdoar os nossos pecados e por nos dar acesso ao teu trono pela obra de Jesus , teu Filho...". Noutras ocasiões, não seriam necessários esses reconhecimentos formais, contanto que nosso coração tenha sempre a consciência  de que é nosso Salvador  que nos permite orar ao Pia. A oração genuína é uma conversa com uma pessoa que conhecemos bem, e que também nos conhece. Essa conversa verdadeira entre pessoas que se conhecem jamais depende do uso de fórmulas decoradas ou palavras determinadas, mas é uma questão da sinceridade do nosso discurso e do nosso coração, uma questão de atitudes corretas e do estado do nosso espírito.

Wayne Grudem

sábado, 24 de maio de 2014

Ser cheio do Espírito Santo não resulta sempre em falar em línguas






Ser cheio do Espírito Santo não resulta sempre em falar em línguas.

Resta ainda um ponto que precisa ser tratado com respeito à experiência de ser cheio do Espírito Santo. Por existirem vários casos em Atos em que pessoas receberam o poder da nova aliança do Espírito Santo e começaram ao mesmo tempo a falar em línguas Atos 2:4;10:46;19:6; provavelmente implícito também em 8;17-19 por causa do paralelo com a experiência dos discípulos em Atos 2, o ensino pentecostal normalmente tem sustentado que o sinal externo do batismo no Espírito Santo é o falar em línguas, isto é, falar em línguas que não são entendidas e não foram aprendidas pela pessoa que fala, sejam línguas humanas conhecidas, sejam outras espécies de línguas angelicais ou celestiais ou dadas miraculosamente.
Mas é importante perceber que há muitos casos que o ser cheio do Espírito Santo não resulta em falar em línguas. Quando Jesus foi cheio do Espírito em Lucas 4:1, o resultado foi poder para vencer as tentações de Satanás no deserto. Quando as tentações terminaram, e Jesus, no poder do Espírito, regressou para galileia Lucas 4:14, os resultados foram milagres de cura, expulsão de demônios e ensino com autoridade.
Quando Isabel ficou cheia do Espírito Santo, ela proferiu uma palavra de bênção a Maria Lucas 1:41-45. Quando Zacarias ficou cheio do Espírito Santo, ele profetizou Lucas 1:67-79. Outros resultados do fato de ser cheio do Espírito Santo foram pregação poderosa do evangelho Atos 4:31, talvez sabedoria e maturidade cristã e julgamento sadio Atos 6:3, pregação e testemunho com poder quando em julgamento Atos 4:8, uma visão do céu Atos 7:55, e aparentemente fé e maturidade de vida Atos11:24. Vários desses casos podem também envolver a plenitude do Espírito Santo para capacitar para alguma espécie de ministério, em especial no contexto do livro de Atos, em que a capacitação do Espírito Santo com frequência resulta em milagres, pregação e obras de grande poder.
Portanto, embora uma experiência de ser cheio do Espírito Santo possa resultar no dom de falar em línguas ou no uso de alguns outros dons não experimentados anteriormente, pode também vir sem o dom de falar em línguas. Na realidade, muitos cristãos através da história têm experimentado experiências poderosas de serem cheios do Espírito Santo que não foram acompanhadas pelo falar em línguas. Com relação a esse e outros dons, devemos dizer simplesmente que o Espírito Santo os distribui como lhe apraz, a cada um, individualmente 1Coríntios 12:11.

Por Wayne Grudem