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domingo, 25 de maio de 2014

O que é orar em nome de Jesus?



Tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei (Jo 14.13-14). Diz também que escolheu seus discípulos "a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda" (Jo 15.16).
Igualmente, diz: "Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa" (Jo 16.23-24; cf. Ef 5.20). Mas o que isso significa?
É Nítido que não significa simplesmente acrescentar a expressão "em nome de Jesus" depois de cada oração, pois Jesus não disse: Se pedirem alguma coisa e acrescentarem as palavras em nome de Jesus após a oração, eu o farei. Jesus não está meramente falando de acrescentar determinada palavras, como se fossem uma espécie de fórmula mágica que daria poder as nossas orações. Na verdade, nenhuma das orações registradas nas Escrituras trazem a expressão " em nome de Jesus" ao final ver (Mt 6.9-13; At 1.24-25; 4.24-30; 7.59; 9.13-14; 10.14; Ap 6.10; 22.20).
Se nos apresentamos em nome de alguém, isso significa que a outra pessoa  nos deu permissão para que nos apresentássemos com a autoridade dela, não com a nossa.
Quando Pedro ordena ao coxo: "Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!" (At 3.6), ele fala com a autoridade de Jesus, não com sua própria autoridade. Quando o Sinédrio pergunta aos discípulos: "Com autoridade de quem vocês fizeram isto?" Quando Paulo repreende um espírito impuro" em nome de Jesus Cristo" (At 16.18), ele deixa claro que o faz com autoridade de Jesus, não com a sua. Quando Paulo pronuncia o juízo "em nome do Senhor Jesus" (1Co5.4) acerca de um membro da igreja culpado de imoralidade, age com autoridade do Senhor Jesus. Orar em nome de Jesus é portanto oração que se faz com autorização dele.
Num sentido mais amplo, o "nome" de uma pessoa no mundo antigo representava a própria pessoa e, portanto, a totalidade do seu caráter. Te "bom nome" (Pv 22.1; Ec 7.1) era ter boa reputação. Assim, o nome de Jesus representava tudo o que ele é, todo o seu caráter. Isso significa que orar "em nome de Jesus" não é só orar com sua autoridade, mas também orar de modo compatível com o seu caráter, que verdadeiramente o represente e reflita o seu modo de vida e a sua própria santa vontade. Nesse sentido, orar em nome de Jesus se aproxima da idéia de orar "segundo a sua vontade" (1Jo 5.14-15).
Isso significa, então, que é errado acrescentar "em nome de Jesus" ao final das nossas orações? Absolutamente não, desde que compreendamos o que significa, e que não é necessário faze-lo. Pode haver algum perigo, porém, em acrescentar essa expressão a cada oração pública ou privada que façamos, pois logo se tornará para as pessoas simplesmente uma fórmula a que atribuem muito pouco significado, recitando-a sem pensar. Pode passar a ser encarada, pelo menos por crentes mais imaturos, como uma espécie de fórmula mágica que torna a oração mais eficaz. Para evitar esse equívoco, é possível que seja mais inteligente decidir não usar a fórmula com frequência, expressando a mesma idéia com outras palavras, ou simplesmente na atitude global e na forma de fazer a oração. Por exemplo, é possível começar assim as orações: "Pai, vimos a ti com a autoridade de nosso Senhor Jesus, teu Filho..."ou "Pai, não vimos com nossos próprios méritos, mas com os méritos de Jesus Cristo, que nos convidou a comparecer perante ti..." ou "Pai, agradecemos-te por perdoar os nossos pecados e por nos dar acesso ao teu trono pela obra de Jesus , teu Filho...". Noutras ocasiões, não seriam necessários esses reconhecimentos formais, contanto que nosso coração tenha sempre a consciência  de que é nosso Salvador  que nos permite orar ao Pia. A oração genuína é uma conversa com uma pessoa que conhecemos bem, e que também nos conhece. Essa conversa verdadeira entre pessoas que se conhecem jamais depende do uso de fórmulas decoradas ou palavras determinadas, mas é uma questão da sinceridade do nosso discurso e do nosso coração, uma questão de atitudes corretas e do estado do nosso espírito.

Wayne Grudem

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