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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Nos domínios do Espírito





Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
Contra essas coisas não há lei.
E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.
Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.

Gálatas 5.22-25

Todo crente regenerado é a habitação do Espírito Santo (veja 1Co 6.19). O seu desafio logo após a conversão consiste em viver na plenitude ou no controle do Espírito de Deus. A Bíblia está repleta de pessoas que foram cheias ou dominadas pelo Espírito. Estêvão, por exemplo, deixou isto muito claro momentos antes de ser martirizado, pois no registro de Lucas observamos que em meio à dor e à humilhação, ele foi capaz de ver a glória de Deus (e não apenas seus algozes), sentia-se pronto para ir para o céu, amou seus inimigos orando por eles além de perdoar aos seus maus feitos (Saulo estava entre eles-At 7.54-60). Podemos notar na vida desse gigante da fé a manifestação maravilhosa do fruto do Espírito na sua plenitude.

Ser cheio do Espírito Santo não é ter mais do Seu poder, mas Ele ter mais de nós.

1-"Mas o fruto do Espírito é..."

-A manifestação do "fruto" é obra Santo, e não o resultado do esforço humano, ou de exigências legalistas/ascéticas de qualquer religião. O Espírito de Deus é capaz de produzir na vida do crente essas (nove) e outras qualidades morais, mas só quando lhe permite o controle.
-A partir do momento que desenvolvemos a nossa salvação (veja Fp 2.12), crescemos na graça e no conhecimento de Cristo (2 Pe 3.18) e nos despimos de todo acúmulo de maldade-pela obediência à Palavra de Deus (Tg 1.21), em consequência disso, o fruto do Espírito cresce e aparece.
-O "fruto' é um (no singular), porém com múltiplos aspectos ou variedades. Veja o que cada um deles representa no aspecto prático:
1. Amor: Do grego ágape é o amor na sua representação mais profunda; sacrificial (Ef 5.25), responsável, despretensioso, racional e não apena emocional. É o mais poderoso "lubrificante" social que existe. Quem ama nesse termo, se interessa pelo bem-estar dos outros de maneira desinteressada e cumpre a Lei. Em 1 Co 13.4-8, ele é descrito com detalhes. O amor está acima de dons (1 Co 13.13), conhecimento, posses etc; pois não permanece somente nas palavras (se envolve).
2. Alegria: Do grego chara é um sentimento de contentamento ou deleite, procedente de um relacionamento correto com Deus. É aquela satisfação que inunda o nosso ser quando completamos com êxito alguma tarefa para Deus, ou quando Lhe somos gratos por uma bênção recebida. A alegria, como fruto do Espírito, não pode ser contida pela perseguição, dor, nem qualquer tipo de adversidade (veja At 8.8). A alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8.10).
3. Paz: Do grego eirene, é a tranquilidade ou o sossego ou a serenidade do espírito e da mente que resultam da nossa relação com o Deus da paz (veja Rm 16.20), mesmo diante das batalhas que a vida pode nos impor. A paz nos é permanentemente comunicada pelo Espírito de Deus que em nós habita (Rm 14.17).
4. Longanimidade: Do grego makrothumia, é a capacidade de suportar com paciência - sem se encolerizar - as críticas, ofensas ou injúrias. E o mesmo que ânimo longo. Com a longanimidade podemos suportar as diferenças de opnião ou a forma de ver as coisas, própria de toda pessoa. A natureza humana nos impede de ser longânimo, e somente pela influência do Espírito é que adquirimos mais esse detalhe da beleza de Cristo.
5. Benignidade: Do grego chrestotes, é uma espécie de gentileza no trato com os outros. Essa virtude é indispensável nos relacionamentos interpessoais. O benigno nunca é áspero nas palavras (veja Ef 4.31-32).
6. Bondade: Do grego agathosune, é a capacidade de ser generoso, dado. O indivíduo bondoso ajuda apóia, socorre, age em favor do necessitado sem medir consequências (exemplo: o bom samaritano; veja Lc 10.33-35), e sem esperar nada em troca.
7. Fidelidade: Do grego pistis, também é traduzida por fé, mas de acordo com o contexto, pistis está mais associado à fidelidade. A palavra significa uma espécie de confiabilidade, lealdade que demonstramos com qualquer compromisso assumido. Quem realmente nasceu de novo sabe que precisa ser honesto, sincero e fiel a Deus e aos seus semelhantes.
8. Mansidão: Do grego prautes, é a calma ou brandura que manifestamos ante uma situação grave (por exemplo: Cristo diante da mulher adúltera; veja Jo 8.6-8). Deus é favorável com quem é manso, moderado, dócil (exemplo: Moisés; Nm 12.1-8; os mansos herdarão a terra; Mt 5.5). Do homem em relação a Deus, a mansidão representa a submissão inconteste à sua vontade. Mansidão é o contrário exato de ira ou discórdia.
9. Domínio próprio: Do grego egkrateia, é o exercício do autocontrole nas várias atividades da vida diária. É ser comedido, controlado no que fala, no que faz ( exemplo: na comida, bebida) e no temperamento (de "temperança" na ARC). Quem se domina, renuncia a si mesmo de forma inteligente (como um atleta que treina para vencer; 1 Co 9.25), mantém o ego submisso ao querer de Deus. Veja Pv 16.32.

2- "Viver e andar no Espírito".

- Isto só é possível se subjulgarmos a nossa vontade; se crucificarmos a velha natureza (v. 24). Viver no Espírito é a única maneira de nos libertarmos do domínio da natureza adâmica (veja Rm 8.9), e essa nova forma de vida outorgada por Jesus Cristo na cruz do Calvário no capacita a vivermos acima das preocupações deste mundo perdido.
- A vida sob controle do Espírito é aquela que permanece na dimensão da fé (veja 2 Co 5.7), da Palavra de Deus. Viver e andar são verbos que ilustram de que maneira devemos nos conduzir neste mundo, ou seja, sob a direção e o poder do Espírito de Deus. No grego, a palavra "andemos" é stoichomem, derivada de stoicheo, que significa: "pôr-se, andar, seguir em linha com". Isto quer dizer que o Espírito Santo está à nossa frente, no caminho para o céu, e nos convida a segui-lo. Em outras palavras, devemos viver de maneira que agrade a Deus, encarnando as virtudes alistadas nos versículos 22 e 23 do estudo em foco.

Conclusão

O fruto do Espírito é a manifestação de virtudes morais, produzidas na vida do crente que vive sob a poderosa influência ou direção do Espírito Santo. Essas qualidades morais e éticas contrastam radicalmente com as obras da carne. De qual dessas virtudes necessitamos ? O que precisamos fazer pra incorporá-las à nossa personalidade ? Está escrito que contra essas virtudes não há Lei (v. 23), ou seja, não há restrição ou condenação alguma, pois é para issi que a Lei existe.

domingo, 8 de junho de 2014

Apóstolos


       






 No início deste livro vimos que os apóstolos do Novo Testamento tinham um tipo singular de autoridade na igreja primitiva: autoridade para falar e escrever palavras que eram  “palavras de DEUS” em sentido absoluto.Não acreditar neles ou desobedecer a eles era o mesmo que não crer em DEUS e desobedecer a DEUS. Os apóstolos, portanto, tinham autoridade para escrever palavras que se tornaram palavras da bíblia. Este fato por si só nos sugere que havia algo de singular no ofício de apóstolo, e não esperaríamos que ele continuasse hoje, porque atualmente ninguém pode acrescentar palavras à bíblia e tê-las na conta de palavras de DEUS  ou como parte das escrituras. Além disso, os dados do novo testamento sobre as qualificações e sobre a identidade de um apóstolo também nos levam a concluir que o ofício era único e limitado ao primeiro século e que não devemos esperar por mais apóstolos hoje. Veremos isso quando fizermos as seguintes perguntas: Quais eram os requisitos para alguém ser apóstolo  ? Quem foram os apóstolos   ?  Quantos apóstolos houve   ?  Há apóstolos hoje? Desde o início deve ficar claro que as respostas  para essas perguntas depende do que se quer dizer com a palavra apóstolo . Hoje alguns usam a palavra apóstolo em um sentido muito amplo parar se referir a um fundador de igrejas eficaz ou a um missionário pioneiro de destaque ( por exemplo, William Carey foi um apóstolo para a Índia ). Se usássemos a palavra nesse sentido amplo, todos concordariam que há apóstolo ainda hoje - porque  certamente temos missionários atuantes e fundadores de igrejas. O próprio novo testamento possui três versículos nos quais a palavra apóstolo (Gr. Apóstolos) é usada em um sentido amplo, não para se referir a qualquer ofício específico na igreja, mas simplesmente com o sentido de “mensageiro”  .  Em Filipenses 2.25, Paulo chama Epafrodito  “ vosso mensageiro ( apóstolos) e vosso auxiliar nas minhas necessidades” ; em 2 Coríntios 8.23, Paulo refere-se  àqueles que acompanharam a oferta que ele estava levando para Jerusalém como “ mensageiros ( apostoloi) das igrejas “ ; e em João 13.16, Jesus diz; ... nem é o enviado ( apóstolos) maior do que aquele que o enviou. Mas há outro sentido para a palavra apóstolo. Com freqüência muito maior no Novo Testamento refere-se a um ofício especial, apóstolo de Jesus Cristo. Nesse sentido estrito do termo, não há mais apóstolos hoje, e não devemos esperar mais nenhum apóstolo. A razão disso baseia-se no que o Novo Testamento diz sobre as qualificações de um apóstolo e sobre quem foram eles. a . As qualificações de um apóstolo. As duas qualificações de um apóstolo eram: (1) ter visto Jesus Cristo após a ressurreição ( ser testemunha ocular da ressurreição) e (2) ter sido especificamente comissionado por Cristo como seu apóstolo. O fato de que um apóstolo tinha de ter visto o Senhor ressurreto é indicado em Atos 1.22, onde Pedro diz que o substituto de Judas deve se tornar testemunha conosco de sua ressurreição. Além disso foi aos apóstolos que escolhera que depois de ter padecido se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias ( At 1.2-3; cf. 4.33). Paulo dá muita importância ao fato de que ele cumpriu esse requisito, mesmo que de forma incomum ( Cristo apareceu-lhe em uma visão na estrada de Damasco e o designou apóstolo: At 9.5-6; 26.15-18). Quando defendeu seu apostolado, afirmou:          Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afina, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora do tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo ( 1 Co 15.7-9). Esses versículos indicam que só podia ser apóstolo alguém que tivesse visto Jesus após a ressurreição. A segunda qualificação, uma designação específica dada por Cristo, é também evidente em muitas passagens. Primeiro, mesmo que o termo apóstolo não seja comum nos evangelhos, os doze discípulos são chamados apóstolos especificamente em um contexto onde Jesus os comissiona, enviando-os para pregar em seu nome. Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças, e enfermidades. Ora os nomes dos doze apóstolos são estes (...) A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções : ... à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus (Mt 10.1-7). Da mesma forma, Jesus comissiona seus apóstolos em um sentido especial para serem suas testemunhas ( ...) até os confins da terra (At 1.8) . E, escolhendo outro apóstolo para substituir Judas, os onze apóstolos não chamaram a responsabilidade para si mesmos, mas oraram e pediram ao Cristo que subira ao céu que fizesse a indicação: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido,para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou... E os lançaram em sortes, vindo a sorte a recair sobre Matias, sendo-lhe então votado lugar com os onze apóstolos ( At 1.24-26). Paulo mesmo insiste que o próprio Cristo o designou apóstolo. Ele conta como,  na estrada de Damasco, Jesus disse que o estava designando como apóstolo dos gentios: ... porque  por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha(...) livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio ( At 26.16-17). Ele, mais tarde, afirma que foi especificamente designado por Cristo como apóstolo ( veja Rm 1.1; Gl 1.1; 1 Tm 1.12; 2.7; 2Tm 1.11).

Wayne Grudem

terça-feira, 3 de junho de 2014

A vontade de Deus






Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano?
Agradar-se-á
 o senhor de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?
Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?

Miquéias 6.6-8


Viver no centro da vontade de Deus deve ser a aspiração do crente que é sincero em sua prática cristã. Todo esforço nesse sentido é sem dúvida extremamente compensador. Na oração dominical, Jesus Cristo ensina que parte dos nossos pedidos a Deus deve incluir a força necessária para nos adequarmos às sua santas e justas exigências ("... venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu"- Mt 6.10). Como Cristo afirmou, no céu, a vontade de Deus é plenamente realizada, mas na terra nem sempre ( e é aqui que a Igreja entra para fazer a diferença), e com certeza no inferno ela é absolutamente contrariada. Será que estamos realmente dispostos a obedecer, a sermos submissos à vontade revelada de Deus?
O profeta Miquéias exerceu seu ministério no mesmo período de Isaías (750-686 a.C.), e a sua mensagem produziu arrependimento no rei Ezequias, que mais tarde resultou a salvação de Jerusalém e depois de todo o reino de Judá. Diante daquele quadro de corrupção política e religiosa que imperava, Miquéias anuncia o merecido juízo divino caso não houvesse uma adequada mudança. No texto em foco, o profeta critica a forma puramente exteriorizada e ritualista de adoração da nação a Iavé, e em seguida apresenta no versículo 8 do texto em foco, três pontos básicos que destacam a prática religiosa que verdadeiramente agrada a Deus.

Cumprimos a vontade de Deus não de boca, mas de atos concretos de obediência à sua Palavra.

1-"... O Senhor pede de ti: que pratiques a justiça".

Veja como outras versões traduziram este texto: "praticar o direito" (BJ); "pratique a justiça" (NVI); "ser honesto" (BV); "façamos o que é direito" (BLH); "solamente hacer justicia" (CR-versão espanhola). Em primeiro momento, todo ser humano precisa entender que é culpado diante de Deus-pelos seus pecados- e a única maneira de satisfazer a justiça divina é reconhecer isso e se refugiar na justiça de Cristo (veja Ro 3.24). O sacrifício redentor de Cristo no Calvário  é o "peso" que nos falta, quando encaramos a "balança" do julgamento final de Deus (veja Dn 5.27; Sl 62.9; Ap 20.12).
O que leva uma pessoa conhecedora do evangelho de Cristo a praticar as obras da carne (ganância, inveja, ciúme etc.) como se fosse ímpio ou como desconhecesse a lei de Deus? O que motiva um crente a agir com desonestidade com o seu próximo (com avareza), buscando com isso obter vantagem econômica ou algo semelhante? Sem dúvida, é o afastamento lento e progressivo do próprio Deus e o envolvimento sutil com as obras das trevas (suborno, propina, roubo, mentira, procedimento indigno; veja Rm 13.12). Está em vista uma espécie de crente egoísta e materialista (Cl 3.5), que ainda não aprendeu a se contentar com o que é necessário e quer enriquecer a todo custo (Tm 6.9).
O termo "justiça" no hebraico é tsedeq, e faz referencia ao padrão de moralidade e ética determinados nas Escrituras. Devemos, entretanto, notar que muito mais do que entender o termo, Deus espera que pratiquemos, ou seja, vivamos a justiça. Que atitudes revelam que estamos vivendo de modo reto, honesto, justo? Isto não se reflete diretamente em nosso relacionamento com outras pessoas?
Praticar a justiça é o mesmo que ser cumpridor de nosso deveres; ser bom pagador; ser pessoa de uma só palavra; jamais aceitar ou pagar suborno, propina ou coisas semelhantes; ser justo tem a ver com um estilo de vida correto, irrepreensível (nos negócios, política etc.), honesto e imparcial no juízo ; é justo quem trata os seus semelhantes com equidade, respeito ou como gostaria de ser tratado (veja Mt 7.12).

2- "... O Senhor pede de ti: que (...) ames a misericórdia".

Como outras versões traduziram este texto: "gostar do amor" (BJ); "ame a fidelidade" (NVI); "ames a beneficência  " (ARC); "saber amar e perdoar" (BV); "amemos uns aos outros com dedicação" (BLH); "y amar misericórdia" (CR-versão espanhola).
O termo hebraico para "misericórdia" é hesed, mas também pode traduzir-se por "bondade", "generosidade", "compaixão", "fidelidade" etc. Além de fazermos o que é direito, Deus deseja que demonstremos verdadeiro amor, piedade pelos que sofrem. Que atitudes revelam que estamos amando nosso semelhante? Não é se envolvendo em campanhas humanitárias ou caridosas, buscando meios de socorrer ou mitigar a fome, o frio e outras coisas semelhantes, e, sobretudo levando Cristo a eles pela evangelização?
O favor de Deus não se compra (veja Dt 28.1-14), se conquista. Deus tem prazer em abençoar a seus filhos obedientes (veja Dt 28.1-14), corretos em seus negócios, cumpridores de seus deveres, que é sensível com a necessidade alheia etc.
Amar a misericórdia é o mesmo que demonstrar verdadeira compaixão pelos que sofrem (como o "bom samaritano"; veja Lc 10.33-37), por meio de atos de bondade; ser misericordioso é qualidade de quem realmente possui a "natureza de Deus" em  franco desenvolvimento dentro de si (2Pe 1.4; Rm 8.29), porque Deus é misericordioso (Lc 6.36).

3- "...O Senhor pede de ti: que (...) andes humildemente com o teu Deus".

Como outras versões traduziram o texto: "caminhar humildemente com o teu Deus" (BJ; "ande humildemente com o seu Deus" (NVI); "ser humilde diante do seu Deus" (BV); "vivamos em humilde obediência ao nosso Deus" (BLH); "y humillarte ante tu Dios" (CR-versão espanhola).
Deus não esta interessado no "quanto" (v 6.7) nos podemos lhe oferecer, mas no "que", ou seja, no sacrifício de nos mesmos (veja Rm 12.1), de corações quebrantados, de abnegação e obediência verdadeira a sua Palavra (Sl 51.14-17).
Andar humildemente diante de Deus é o mesmo que se submeter a Ele, ou obedecer a Sua Palavra (veja Tg 4.7a). Pra "andar com Deus" como Enoque (que agradou a Deus, porque Lhe era obediente; Hb 11.5) ou Elias (2 Rs 2.11), é preciso antes de tudo discernir quem Ele é! "Andar" é uma referencia  ao nosso viver cotidiano, que deve ser cuidadoso, pois o Senhor não comunga com o pecado, pois Ele é santo. Quem "anda" com Deus deve acertar o passo com Ele, não pode andar na frente (quem faz somente o que quer) nem atrás (quem é demorado para obedecer) Dele.

Conclusão

Essas três exigências divinas tem aplicação permanente, mas somente para pessoas de bem, seja no tempo ou no lugar que for. Ser honesto, ter compaixão dos necessitados e manter uma vida de simplicidade e obediência a Palavra de Deus são requisitos obrigatórios na vida de quem tem real compromisso com Jesus Cristo. Inclusive já havia declarado que seus discípulos seriam conhecidos pela prática do amor ao próximo (veja Jo 13.35). Há muita gente preocupada mais com a "exteriorização" da sua prática religiosa - por meio de usos e costumes - do que com a obediência aos preceitos que realmente fundamentam a fé cristã. Na visão de Cristo, isso é "puro farisaísmo" (Mt 23.23; Lc 12.1).