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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Infinidade de Deus






Infinidade é a perfeição de Deus pela qual Ele é isento de toda e qualquer limitação. Ao atribuí-la a Deus, negamos que haja ou que possa haver quaisquer limitações do Ser divino e dos Seus atributos. Isto implica que Ele não é limitado de maneira nenhuma pelo universo, por este mundo caracterizado pela relação tempo-espaço, e que Ele não fica encerrado no universo. Isto não implica Sua identidade com a soma total das coisas existentes, nem exclui a coexistência das coisas finitas e derivadas, comas quais Ele mantém relação. A infinidade de Deus deve ser concebida como intensiva, antes que extensiva, e não deve ser confundida com extensão ilimitada, como se Deus estivesse espalhado pelo universo todo, uma parte aqui, outra ali, pois Deus não tem corpo e, portanto, não tem extensão espacial. Tampouco deve ser considerada como um conceito meramente negativo, embora seja perfeitamente verdadeiro que não podemos formar uma idéia positiva da infinidade. É uma realidade em Deus e só por Ele compreendida plenamente. Distinguimos vários aspectos da infinidade de Deus.

1. SUA PERFEIÇÃO ABSOLUTA.
Esta é a infinidade do Ser Divino considerada em si mesma. Não deve ser considerada num sentido quantitativo, mas qualitativo; ela qualifica todos os atributos comunicáveis de Deus. O poder infinito não é um quantum absoluto, mas sim, uma santidade qualitativamente livre de toda limitação ou defeito. O mesmo se pode dizer do conhecimento infinito, da sabedoria infinita, do amor infinito e da justiça infinita. Diz o dr. Orr: “Talvez possamos dizer que, em última análise a infinidade de Deus é: (a) interna e qualitativamente, ausência de toda limitação e defeito;(b) potencialidade ilimitada”. Neste sentido da palavra, a infinidade de Deus é simplesmente idêntica à perfeição do Seu divino Ser. A prova bíblica disto acha-se em Jó 11.7-10; Sl 145.3; Mt 5.48.

2. SUA ETERNIDADE.
A infinidade de Deus em relação ao tempo é denominada eternidade – Sua eternidade. A forma em que a Bíblia apresenta a eternidade de Deus é simplesmente a de duração pelos séculos sem fim, Sl 90.2; 102.12; Ef 3.21. Devemos lembrar, porém, que ao falar como fala, a Bíblia emprega linguagem popular, e não a linguagem da filosofia. Geralmente pensamos na eternidade de Deus da mesma maneira, a saber, como duração infinitamente prolongada, para trás e para diante. Mas este é apenas um modo popular e simbólico de representar aquilo que, na realidade, transcende o tempo e dele difere essencialmente. A eternidade, no sentido estrito da palavra, é adstrita àquilo que transcende todas as limitações temporais. Que o termo se aplica a Deus nesse sentido é ao menos ensinado em 2 Pe 3.8. “O tempo”, diz o dr. Orr, “estritamente falando, tem relação com o mundo de objetos existentes em sucessão. Deus preenche o tempo; Ele está em cada partícula dele; mas a Sua eternidade , todavia, não é realmente este estar no tempo. É antes, aquilo com o que o tempo forma um contraste”. Nossa existência é assinalada por dias, semanas, meses e anos; não é assim a existência de Deus. A nossa vida se divide em passado, presente e futuro, mas não há essa divisão na vida de Deus. Ele é o eterno “Eu Sou”. A sua eternidade pode ser definida como a perfeição de Deus pela qual Ele é elevado. Acima de todos os limites temporais e de toda sucessão de momentos, e tem a totalidade da Sua existência num único presente indivisível. A relação da eternidade com o tempo constitui um dos mais difíceis problemas da filosofia e da teologia, talvez de impossível solução em nossa condição atual.

3. SUA IMENSIDADE.
A infinidade de Deus também pode ser vista com referência ao espaço, sendo, então, denominada imensidade. Esta pode ser definida como a perfeição do Ser Divino pela qual Ele transcende todas as limitações espaciais e, contudo, está presente em todos os pontos do espaço com todo o Seu Ser. Ela tem um lado negativo e um lado positivo, negando todas as limitações do espaço ao Ser Divino, e afirmando que Deus está acima do espaço e ocupa todas as partes deste com todo o Seu Ser. As últimas palavras são acrescentadas para evitar a idéia de que Deus se difunde pelo espaço, como se uma parte do Seu Ser estivesse num lugar e outra parte noutro. Distinguimos três modos de presença no espaço. Os corpos ocupam o espaço circunscritivamente, porque são limitados por ele; os espíritos finitos ocupam o espaço definidamente, visto que não estão em toda parte, mas somente num dado e definido lugar; e, em distinção de ambos estes modos, Deus ocupa o espaço repletivamente, porque ele preenche todo o espaço. Ele não está ausente de nenhuma parte do espaço, nem tampouco está mais presente numa parte que noutra.
Em certo sentido, os termos “imensidade” e “onipresença”, como são aplicados a Deus, denotam a mesma coisa e, portanto, podem ser considerados sinônimos. Todavia, há um ponto de diferença que deve ser observado cuidadosamente. “Imensidade” aponta para o fato de que Deus transcende todo o espaço e não está sujeito às suas limitações, ao passo que “onipresença” denota que, não obstante, Ele preenche todas as partes do espaço com todo o Seu Ser. O primeiro salienta a Transcendência, e o último, a imanência de Deus. Deus é imanente em todas as Suas criaturas, na Sua criação inteira, mas de modo nenhum é limitado a esta. No que diz respeito à relação de Deus com o mundo, devemos evitar, por um lado, o erro do panteísmo, tão característico de grande parte do pensamento atual, com a sua negação da transcendência de Deus e a sua suposição de que o Ser de Deus é realmente substância de todas as coisas; e, por outro lado, o conceito deísta de que Deus está de fato de que Deus está de fato presente na criação per potentiam (com o Seu poder), não porém per essentiam et naturam (com a essência e natureza do Seu Ser), e age sobre o mundo à distância. Apesar do fato de que Deus é distinto do mundo e não pode ser identificado com ele, não obstante está presente em cada parte da Sua criação, não somente per potentiam, mas também per essentiam. Não significa, porém, que ele está igualmente presente, e presente no mesmo sentido em todas as Suas criaturas. A natureza da Sua permanência está em harmonia com a das Suas criaturas. Ele não habita na terra do mesmo modo como habita no céu, nem nos animais como habita no homem, nem na criação inorgânica como na orgânica, nem dos ímpios como nos piedosos, nem na Igreja como em Cristo. Há uma infinda variedade nas maneiras pelas quais ele é imanente em Suas criaturas, e na medida em que elas revelam Deus aos que têm olhos para ver. A onipresença de Deus é revelada claramente na Escritura. O céu e aterra não podem contê-lo, 1 Rs 8.27; Is 66.1; At 7.48, 49; e ao mesmo tempo Ele preenche ambos e é Deus acessível, Sl 139.7-10; Jr 23.23, 24; At 17.27, 28.

Fonte: Louis Berkhof - Teologia Sistemática, Editora Cultura Cristã, pág. 59, 60, 61

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Breve Catecismo de Westminster




Breve Catecismo de Westminster


PERGUNTA 1. Qual é o fim principal do homem?
R. O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.
Ref.  Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.25-26; Is 43.7; Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Is 60.21; 61.3.

PERGUNTA 2. Que regra deu Deus para nos dirigir na maneira de o glorificar e gozar?
R. A Palavra de Deus, que se acha nas Escrituras do Velho e do Novo Testamentos, é a única regra para nos dirigir na maneira de o glorificar e gozar.
Ref. Lc 24.27, 44; 2Pe 3.2, 15-16; 2Tm 3.15-17; Lc 16.29-31; Gl 1.8-9; Jo 15.10-11; Is 8.20; Hb 1:1 comparado com Lc 1.1-4 e Jo 20.30-31.

PERGUNTA 3. Qual é a coisa principal que as Escrituras nos ensinam?
R. A coisa principal que as Escrituras nos ensinam é o que o homem deve crer acerca de Deus, o dever que Deus requer do homem.
Ref. Jo 5.39; 20.31; Sl 119.105; Rm 15.4; 1Co 10.11.

PERGUNTA 4. Quem é Deus?

R. Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
Ref. Jo 4.24; Ex 3.14; Sl 145.3; 90.2; Tg 1.17; Rm 11.33; Gn 17.1, Ap 4.8; Ex 34.6-7.

PERGUNTA 5. Há mais de um Deus?

R. Há só um Deus, o Deus vivo e verdadeiro.
Ref. Dt 6.4; 1Co 8.4; Jr 10.10; Jo 17.3.

PERGUNTA 6. Quantas pessoas há na Divindade?

R. Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estas três são um Deus, da mesma substância, iguais em poder e glória.
Ref. Mt 3.16-17; 28.19; 2Co 13.13; Jo 1.1; 3.18; At 5.3-4; Hb 1.3; Jo 10.30.

PERGUNTA 7. Que são os decretos de Deus?

R. Os decretos de Deus são o seu eterno propósito, segundo o conselho da sua vontade, pelo qual, para sua própria glória, Ele predestinou tudo o que acontece.
Ref. Rm 11.36; Ef 1.4-6, 11; At 2.23; 17.26; Jo 21.19; Is 44.28; At 13.48; 1Co 2.7; Ef 3.10-11.

PERGUNTA 8. Como executa Deus os seus decretos?

R. Deus executa os seus decretos nas obras da criação e da providência.
Ref. Ap 4.11; Dn 4.35; Is 40.26; 14.26-27; 46.9-11; At 4.24.

PERGUNTA 9. Qual é a obra da criação?

R. A obra da criação é aquela pela qual, Deus fez todas as coisas do nada, no espaço de seis dias, e tudo muito bem.
Ref. Gn 1; Hb 11.3; Sl 33.9; Gn 1.31.

PERGUNTA 10. Como criou Deus o homem?

R. Deus criou o homem macho e fêmea, conforme a sua própria imagem, em conhecimento, retidão e santidade com domínio sobre as criaturas.
Ref. Gn 1.27-28; Cl 3.10; Ef 4.24; Rm 2.14-15; Sl 86-8.

PERGUNTA 11. Quais são as obras da providência de Deus?

R. As obras da providência de Deus são a sua maneira muito santa, sábia e poderosa de preservar e governar todas as suas criaturas, e todas as ações delas.
Ref. Sl 145.17; 104.10-24; Hb 1.3; Mt 10.29-30; Os 2.6.

PERGUNTA 12. Que ato especial de providência exerceu Deus para com o homem no estado em que ele foi criado?

R. Quando Deus criou o homem, fez com ele um pacto de vida, com a condição de perfeita obediência: proibindo-lhe comer da árvore da ciência do bem e do mal, sob pena de morte.
Ref. Gl 3.12; Gn 2.17.

PERGUNTA 13. Conservaram-se nossos primeiros pais no estado em que foram criados?

R. Nossos primeiros pais, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, caíram do estado em que foram criados, pecando contra Deus.
Ref. Rm 5.12; Gn 3.6.

PERGUNTA 14. Que é pecado?

R. Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei.
Ref. Tg 2.10; 4.17; 1Jo 3.4.

PERGUNTA 15. Qual foi o pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados?

R. O pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados foi o comerem do fruto proibido.
Ref. Gn 3.12-13; Os 6.7.

PERGUNTA 16. Caiu todo o gênero humano pela primeira transgressão de Adão?

R. Visto que o pacto foi feito com Adão não só para ele, mas também para sua posteridade, todo gênero humano que dele procede por geração ordinária, pecou nele e caiu com ele na sua primeira transgressão.
Ref. Gn 1.28; At 17.26; 1Co 15.21-22; Rm 5.12-14.

PERGUNTA 17. Qual foi o estado a que a queda reduziu o gênero humano?

R. A queda reduziu o gênero humano a um estado de pecado e miséria.
Ref. Rm 5.12.

PERGUNTA 18. Em que consiste o estado de pecado em que o homem caiu?

R. O estado de pecado em que o homem caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na falta de retidão original e na corrupção de toda a sua natureza, o que ordinariamente de chama Pecado Original, juntamente com todas as transgressões atuais que procedem dele.
Ref. Rm 5.18-19; Ef 2.1-3; Rm 8.7-8; Sl 51.5.

PERGUNTA 19. Qual é a miséria do estado em que o homem caiu?

R. Todo o gênero humano pela sua queda perdeu comunhão com Deus, está debaixo da sua ira e maldição, e assim sujeito a todas as misérias nesta vida, à morte e às penas do Inferno para sempre.
Ref. Gn 3.8, 24; Ef 2.3; Rm 6.23; Mt 25.41-46.

PERGUNTA 20. Deixou Deus todo o gênero humano perecer no estado de pecado e miséria?

R. Tendo Deus, unicamente pela sua boa vontade desde toda a eternidade, escolhido alguns para a vida eterna, entrou com eles em um pacto de graça, para os livrar do estado de pecado e miséria, e trazer a um estado de salvação por meio de um Redentor.
Ref. Ef 1.4; Tt 1.2; 3.4-7; Jo 17.6.

PERGUNTA 21. Quem é o Redentor dos escolhidos de Deus?

R. O único redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus Cristo que, sendo o eterno Filho de Deus, se fez homem, e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas naturezas distintas, e uma só pessoa, para sempre.
Ref. 1Tm 2.5; Jo 1.14; Rm 9.5; Cl 2.9; Hb 13.8.

PERGUNTA 22. Como Cristo, sendo o Filho de Deus, se fez homem?

R. Cristo, o Filho de Deus, fez-se homem tomando um verdadeiro corpo, e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espirito Santo no ventre da virgem Maria, e nascido dela, mas sem pecado.
Ref. Hb 2.14; Mt 26.38; Lc 2.52; 1.31, 35; Hb 4.15.

PERGUNTA 23. Que funções exerce Cristo como nosso Redentor?

R. Cristo, como nosso Redentor, exerce as funções de profeta, sacerdote e rei, tanto no seu estado de humilhação como no de exaltação.
Ref. At 3.22; Hb 5.5-6; Sl 2.6; Jo 1.49.

PERGUNTA 24. Como exerce Cristo as funções de profeta?

R. Cristo exerce as funções de profeta, revelando-nos, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, a vontade de Deus para a nossa salvação.
Ref. Jo 1.18; Hb 1.1-2; Jo 14.26; 16.13.

PERGUNTA 25. Como exerce Cristo as funções de sacerdote?

R. Cristo exerce as funções de sacerdote, oferecendo-se a si mesmo uma vez em sacrifício, para satisfazer a justiça divina, reconciliar-nos com Deus e fazendo contínua intercessão por nós.
Ref. Hb 9.28; Rm 3.24-26; 10.4; Hb 2.17; 7.25; Is 53.12.

PERGUNTA 26. Como exerce Cristo as funções de rei?

R. Cristo exerce as funções de rei, sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e protegendo-nos, contendo e subjugando todos os seus e os nossos inimigos.
Ref. Sl 110.3; At 2.36; 18.9-10; Is 9.6-7; 1Co 15.26-27.

PERGUNTA 27. Em que consistiu a humilhação de Cristo?

R. A humilhação de Cristo consistiu em Ele nascer, e isso em condição baixa, feito sujeito à lei; em sofrer as misérias desta vida, a ira de Deus e amaldiçoada morte na cruz; em ser sepultado, e permanecer debaixo do poder da morte durante certo tempo.
Ref. Lc 2.7; Fp 2.6-8; Gl 4.4; 3.13; Is 53.3; Mt 27.43; 1Co 15.3-4.

PERGUNTA 28. Em que consiste a exaltação de Cristo?

R. A exaltação de Cristo consiste em Ele ressurgir dos mortos no terceiro dia; em subir ao Céu e estar sentado à mão direita de Deus Pai, e em vir para julgar o mundo no último dia.
Ref. 1Co 15.4; Ef 1.20-21; At 17.31.

PERGUNTA 29.
Como nos tornamos participantes da redenção adquirida por Cristo?

R. Tornamo-nos participantes da redenção adquirida por Cristo pela eficaz aplicação dela a nós pelo Seu Santo Espírito.
Ref. Jo 1.12; 3.5-6; Tt 3.5-6.

PERGUNTA 30. Como nos aplica o Espírito a redenção adquirida por Cristo?

R. O Espírito aplica-nos a redenção adquirida por Cristo, operando em nós a fé, e unindo-nos a Cristo por meio dela em nossa vocação eficaz.
Ref. Gl 2.20; Ef 2.8; 1Co 12.12-13.

PERGUNTA 31. Que é vocação eficaz?

R. Vocação eficaz é a obra do Espírito Santo, pela qual, convencendo-nos do nosso pecado, e da nossa miséria, iluminando nossos entendimentos pelo conhecimento de Cristo, e renovando a nossa vontade, nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no Evangelho.
Ref. 1Ts 2.13; At 2.37; 26.18; Ez 36.25-27; 2Tm 1.9; Fp 2.13; Jo 6.37, 44-45.

PERGUNTA 32. Que bênçãos gozam nesta vida aqueles que são eficazmente chamados?
R. Aqueles que são eficazmente chamados, gozam, nesta vida, da justificação, adoção e santificação, e das diversas bênçãos que acompanham estas graças ou delas procedem.
Ref. Rm 8.30; Ef 1.5; 1Co 1.30.

PERGUNTA 33. Que é justificação?

R. Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual Ele perdoa todos os nossos pecados, e nos aceita como justos diante de Si, somente por causa da justiça de Cristo a nós imputada, e recebida só pela fé.
Ref. Ef 1.7; 2Co 5.21; Rm 4.6; 5.18; Gl 2.16.

PERGUNTA 34. Que é adoção?

R. Adoção é um ato de livre graça de Deus, pelo qual somos recebidos no número dos filhos de Deus, e temos direito a todos os seus privilégios.
Ref. 1Jo 3.1; Jo 1.12; Rm 8.14-17.

PERGUNTA 35. Que é santificação?

R. É a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, e habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão.
Ref. 1Pe 1.2; Ef 4.20-24; Rm 6.6; 12.1-2.

PERGUNTA 36. Quais são as bênçãos que nesta vida acompanham a justificação, adoção e santificação ou delas procedem?

R. As bênçãos que nesta vida acompanham a justificação, adoção e santificação, ou delas procedem, são: certeza do amor de Deus, paz de consciência, gozo no Espírito Santo, aumento de graça, e perseverança nela até ao fim.
Ref. Rm 5.1-5; 14.17; Jo 1.16; Fp 1.6; 1Pe 1.5.

PERGUNTA 37. Quais são as bênçãos que os fiéis recebem de Cristo na hora da morte?
R. As almas dos fiéis na hora da morte são aperfeiçoadas em santidade, e imediatamente entram na glória; e os corpos que continuam unidos Cristo, descansam na sepultura até a ressurreição.
Ref. Ap 14.13; Lc 23.43; At 7.55, 59; Fp 1.23; 1Ts 4.14; Jo 5.28-29; 14.2-3; Hb 12.22-23.

PERGUNTA 38. Quais são as bênçãos que os fieis recebem de Cristo na ressurreição?
R. Na ressurreição, os fieis, sendo ressuscitados em glória, serão publicamente reconhecidos e absolvidos no dia de juízo, e tornados perfeitamente felizes no pleno gozo de Deus por toda a eternidade.
Ref. 1Co 15.43; Mt 10.32; 25.34; Sl 16.11.

PERGUNTA 39. Qual é o dever que Deus exige do homem?
R. O dever que Deus exige do homem é obediência à sua vontade revelada.
Ref. Mq 6.8; Lc 10.27-28; Gn 17.1.

PERGUNTA 40. Que revelou Deus primeiramente ao homem para regra de sua obediência?
R. A regra que Deus revelou primeiramente ao homem para sua obediência foi a lei moral.
Ref. Rm 2.14-15.

PERGUNTA 41. Onde está a lei moral resumidamente compreendida?
R. A lei moral está resumidamente compreendida nos dez mandamentos.
Ref. Dt 10.4; Mt 19.17-19.

PERGUNTA 42. Em que se resumem os dez mandamentos?

R. Os dez mandamentos se resumem em amar ao Senhor nosso Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de todas as nossas forças e de todo o nosso entendimento; e ao nosso próximo como a nós mesmos.
Ref. Mt 22-37-40.

PERGUNTA 43. Qual é o prefácio dos dez mandamentos?

R. O prefácio dos dez mandamentos é: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão".
Ref. Ex 20.2.

PERGUNTA 44. Que nos ensina o prefácio dos dez mandamentos?
R. O prefácio dos dez mandamentos ensina-nos que nós temos obrigação de guardar todos os mandamentos de Deus, por ser Ele o Senhor nosso Deus e Redentor.
Ref. Dt 11.1; 1Pe 1.15-19.

PERGUNTA 45. Qual é o primeiro mandamento?
R. O primeiro mandamento é: "Não terás outros deuses além de mim".
Ref. Ex 20.3.

PERGUNTA 46. Que exige o primeiro mandamento?
R. O primeiro mandamento exige de nós o conhecer e reconhecer a Deus como o único Deus verdadeiro, e nosso Deus; e como tal adorá-lo.
Ref. 1Cr 28.9; Dt 26.17; Sl 95.6-7.

PERGUNTA 47. Que proíbe o primeiro mandamento?

R. O primeiro mandamento proíbe o negar, ou deixar de adorar ou glorificar ao verdadeiro Deus, como Deus, e nosso Deus; e dar a qualquer outro a adoração e a glória que só a Ele são devidas.
Ref. Sl 14.1; Rm 1.20-21, 25; Sl 8.11.

PERGUNTA 48. Que se nos ensina especialmente pelas palavras "além de mim", no primeiro mandamento?
R. As palavras "além de mim", no primeiro mandamento, ensinam-nos que Deus, que vê todas as coisas, toma conhecimento e muito se ofende do pecado de ter-se em seu lugar outro deus.
Ref. Sl 139.1-3; Dt 30.17-18.

PERGUNTA 49. Qual é o segundo mandamento?
R. O segundo mandamento é: "Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma de tudo que há em cima no Céu, e do que há embaixo na terra, nem de coisa alguma que haja nas águas, debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor teu Deus, o Deus zeloso, que vinga a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem; e que usa de misericórdia com milhares daqueles que me amam e que guardam os meus preceitos".
Ref. Ex 20.4-6.

PERGUNTA 50. Que exige o segundo mandamento?
R. O segundo mandamento exige que recebamos, observemos e guardemos puros e inteiros todo o culto e ordenanças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra.
Ref. Dt 12.32; Mt 28.20; Jo 4.23-24.

PERGUNTA 51. Que proíbe o segundo mandamento?
R. O segundo mandamento proíbe o adorar a Deus por meio de imagens, ou de qualquer outra maneira não prescrita na sua Palavra.
Ref. Rm 1.22-23; 2Rs 18.3-4.

PERGUNTA 52. Quais são as razões anexas ao segundo mandamento?
R. As razões anexas ao segundo mandamento são a soberania de Deus sobre nós, a sua propriedade em nós em nós, e o zelo que Ele tem pelo seu culto.
Ref. Sl 45.11; 100.3; Ex 34.14; 1Co 10.22.

PERGUNTA 53. Qual é o terceiro mandamento?
R. O terceiro mandamento é: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar em vão o nome do Senhor seu Deus".
Ref. Ex 20.7.

PERGUNTA 54. Que exige o terceiro mandamento?
R. O terceiro mandamento exige o santo e reverente uso dos nomes, títulos, atributos, ordenanças, palavras e obras de Deus.
Ref. Sl 29,2; Ap 15.3-4; Ec 5.1; Sl 138.2; 104.24.

PERGUNTA 55. O que proíbe o terceiro mandamento?
R. O terceiro mandamento proíbe toda a profanação ou abuso das coisas por meio das quais Deus se faz conhecer.
Ref. Lv 19.12; Mt 5.34-35.

PERGUNTA 56. Qual é a razão anexa ao terceiro mandamento?
R. A razão anexa ao terceiro mandamento é que, embora os transgressores deste mandamento escapem do castigo dos homens, o Senhor nosso Deus não os deixará escapar do seu justo juízo.
Ref. Dt 28.58-59.

PERGUNTA 57. Qual é o quarto mandamento?
R. O quarto mandamento é: "Lembra-te de santificar o dia do Sábado. Trabalharás seis dias, e farás nele tudo o que tens para fazer. O sétimo dia, porém, é o Sábado do Senhor teu Deus. Não farás nesse dia, obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o peregrino que vive das tuas portas para dentro. Porque o Senhor fez em seis dias o céu, a terra e o mar, e tudo o que neles há, e descansou no sétimo dia. Por isso o Senhor abençoou o dia sétimo e o santificou".
Ref. Ex 20. 8.11.

PERGUNTA 58. Que exige o quarto mandamento?
R. O quarto mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado.
Ref. Lv 19.30; Dt 5.12.

PERGUNTA 59. Qual dos sete dias designou Deus para esse descanso semanal?
R. Desde o princípio do mundo até à ressurreição de Cristo, Deus designou o sétimo dia da semana para o descanso semanal; e desde então o primeiro dia da semana para continuar sempre até ao fim do mundo, que é o Sábado cristão, ou Domingo.
Ref. Gn 2.3; Ex 16.23; At 20.7; 1Co 16.1-2; Ap 1.10.

PERGUNTA 60. De que modo se deve santificar o Domingo?
R. Deve-se santificar o Domingo com um santo repouso por todo aquele dia, mesmo das ocupações e recreações temporais que são permitidas nos outros dias; empregando todo o tempo em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus, Exceto o tempo preciso para as obras de pura necessidade e misericórdia.
Ref. Lv 23.3; Is 58.13-14; Mt 12.11-12; Mc 2.27-28.

PERGUNTA 61. Que proíbe o quarto mandamento?
R. O quarto mandamento proíbe a omissão ou a negligência no cumprimento dos deveres exigidos, e a profanação deste dia por meio de ociosidade ou por fazer aquilo que é em si mesmo pecaminoso, ou por desnecessários pensamentos, palavras, ou obras acerca de nossos negócios e recreações temporais.
Ref. Jr 17.21; Lc 23.56.

PERGUNTA 62. Quais são as razões anexas ao quarto mandamento?
R. As razões anexas ao quarto mandamento são: a permissão que Deus nos concede de fazermos uso dos seis dias da semana para os nossos interesses temporais; o reclamar ele para si a propriedade especial do dia sétimo, o seu próprio exemplo, e a benção que ele conferiu ao dia do descanso.
Ref. Ex 31. 15-16; Lv 23.3; Ex 31.17; Gn 2.3.

PERGUNTA 63. Qual é o quinto mandamento?
R. O quinto mandamento é: "Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar".
Ref. Ex 20.12.

PERGUNTA 64. Que exige o quinto mandamento?
R. O quinto mandamento exige a conservação da honra e o desempenho dos deveres pertencentes a cada um em suas diferentes condições e relações, como superiores, inferiores, ou iguais.
Ref. Ef 6.1-3; Rm 13.1-2; 12.10.

PERGUNTA 65. Que proíbe o quinto mandamento?
R. O quinto mandamento proíbe negligenciarmos ou fazermos alguma coisa contra a honra e dever que pertencem a cada um em suas diferentes condições e relações.
Ref. Rm 13.7-8.

PERGUNTA 66. Qual é a razão anexa ao quinto mandamento?
R. A razão anexa ao quinto mandamento é uma promessa de longa vida e prosperidade (quanto sirva para glória de Deus e bem do homem) a todos aqueles que guardam este mandamento.
Ref. Ef 6.2-3.

PERGUNTA 67. Qual é o sexto mandamento?
R. O sexto mandamento é: "Não matarás".
Ref. Ex 20.13.

PERGUNTA 68. Que exige o sexto mandamento?
R. O sexto mandamento exige todos os esforços lícitos para conservar a nossa vida e a dos nossos semelhantes.
Ref. Sl 132.3-4; At 27.33-34; Rm 12.20-21; Lc 10.33-37.

PERGUNTA 69. Que proíbe o sexto mandamento?
R. O sexto mandamento proíbe o tirar a nossa própria vida, ou a do nosso próximo injustamente, e tudo aquilo que para isso concorre.
Ref. At 16.28; Gn 9.6; Dt 24.6; Pv 24.11-12; 1Jo 3.15.

PERGUNTA 70. Qual é o sétimo mandamento?
R. O sétimo mandamento é: "Não adulterarás"
Ref. Ex 24.14.

PERGUNTA 71. Que exige o sétimo mandamento?
R. O sétimo mandamento exige a conservação da nossa própria castidade, e da do nosso próximo, no coração, nas palavras e nos costumes.
Ref. 1Ts 4.4; Ef 4.29; 5.11-12; 1Pe 3.2.

PERGUNTA 72. Que proíbe o sétimo mandamento?
R. O sétimo mandamento proíbe todos os pensamentos, palavras e ações impuras.
Ref. Mt 5.28; Ef 5.3-4.

PERGUNTA 73. Qual é o oitavo mandamento?
R. O oitavo mandamento é: "Não furtarás".
Ref. Ex 20.15.

PERGUNTA 74. Que exige o oitavo mandamento?
R. O oitavo mandamento exige que procuremos o lícito adiantamento das riquezas e do estado exterior, tanto nosso como do nosso próximo.
Ref. Pv. 27.23; 22.1-14; Fl 2.4; Ex 23.4-6.

PERGUNTA 75. Que proíbe o oitavo mandamento?
R. O oitavo mandamento proíbe tudo o que impede ou pode impedir injustamente o adiantamento da riqueza ou do bem-estar, tanto nosso como do nosso próximo.
Ref. Pv 28.19; 1Tm 5.8; Tg 5.1-4.

PERGUNTA 76. Qual é o nono mandamento?
R. O nono mandamento é: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo".
Ref. Ex 20.16.

PERGUNTA 77. Que exige o nono mandamento?
R. O nono mandamento exige a conservação e promoção da verdade entre os homens, e a manutenção da nossa boa reputação, e a do nosso próximo, especialmente quando somos chamados a dar testemunho.
Ref. Ef 4.25; 1Pe 3.16; At 25.10; 3Jo 12; Pv 14.5, 25; Mt 5.37.

PERGUNTA 78. Que proíbe o nono mandamento?
R. O nono mandamento proíbe tudo o que é prejudicial à verdade, ou injurioso, tanto à nossa reputação como à do nosso próximo.
Ref. Cl 3.9; 2Co 8.20-21; Sl 15.3; 12.3.

PERGUNTA 79. Qual é o décimo mandamento?
R. O décimo mandamento é : "Não cobiçarás a casa do teu próximo; não desejarás a sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.
Ref. Ex 20.17.

PERGUNTA 80. Que exige o décimo mandamento?
R. O décimo mandamento exige o pleno contentamento com a nossa condição, bem como disposição caridosa para com o nosso próximo e tudo o que lhe pertence.
Ref. Hb 13.5; 1Tm 6.6-10; Lv 19.18; 1Co 13.4-6.

PERGUNTA O que proíbe o décimo mandamento?
R. O décimo mandamento proíbe todo o descontentamento com a nossa condição, todo o movimento de inveja ou pesar à vista da prosperidade do nosso próximo e todas as tendências ou afeições desordenadas a alguma coisa que lhe pertence.
Ref. 1Co 10.10; Gl 5.26; Cl 3.5; 1Tm 6.6-10.

PERGUNTA 82. Será alguém capaz de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus?
R. Nenhum mero homem, desde a queda de Adão, é capaz, nesta vida, de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus, mas diariamente os quebranta por pensamentos, palavras e obras.
Ref. Rm 3.9-10; Tg 3.2.

PERGUNTA 83. São igualmente odiosas todas as transgressões da lei?
R. Alguns pecados em si mesmos, e em razão de circunstâncias agravantes, são mais odiosos à vista de Deus do que outros.
Ref. Sl 19.13; Mt 11.24; Lc 12.10; Hb 2.2-3.

PERGUNTA 84. Que merece cada pecado?
R. Cada pecado merece a ira e a maldição de Deus, tanto nesta vida como na vindoura.
Ref. Gl 3.10; Tg 2.10; Mt 25.41.

PERGUNTA 85. Que exige Deus de nós para que possamos escapar a sua ira e maldição em que temos incorrido pelo pecado?
R. Para escaparmos à ira e maldição de Deus, em que temos incorrido pelo pecado, Deus exige de nós fé em Jesus Cristo e arrependimento para a vida, com o uso diligente de todos os meios exteriores pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção.
Ref. At 20.21; 2Pe 1.10; Hb 2.3; 1Tm 4.16.

PERGUNTA 86. Que é fé em Jesus Cristo?
R. Fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nEle para a salvação, como Ele nos é oferecido.
Ref. At 16.31; Hb 10.39; Jo 1.12; Fp 3.9; Ap 22.17.

PERGUNTA 87. Que é arrependimento para a vida?
R. Arrependimento para a vida é uma graça salvadora pela qual o pecador, tendo um verdadeiro sentimento do seu pecado e percepção da misericórdia de Deus em Cristo, se enche de tristeza e de horror pelos seus pecados, abandona-os e volta para Deus, inteiramente resolvido a prestar-lhe nova obediência.
Ref. 2Co 7.10; At 2.37; Lc 1.77-79; Jr 31.18-19; Rm 6.18.

PERGUNTA 88. Quais são os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção?
R. Os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção, são as suas ordenanças, especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração; as quais todas se tornam eficazes aos eleitos para a salvação.
Ref. At 2.41-42.

PERGUNTA 89. Como se torna a Palavra eficaz para a salvação?
R. O Espírito de Deus torna a leitura e especialmente a pregação da Palavra, meios eficazes para convencer e converter os pecadores, para os edificar em santidade e conforto, por meio da fé para a salvação.
Ref. Ne 8.8; At 20.32; Rm 15.4; 2Tm 3.15;.

PERGUNTA 90. Como se deve ler e ouvir a Palavra a fim de que ela se torne eficaz para a salvação?
R. Para que a Palavra se torne eficaz para a salvação, devemos ouvi-la com diligência, preparação e oração; recebê-la com fé e amor, guardá-la em nossos corações e praticá-la em nossas vidas.
Ref. Dt 6.6-7; 1Pe 2.1-2; Sl 119.11-18; Rm 1.16; 2Ts 2.10; Tg 1.21-25.

PERGUNTA 91. Como se tornam os sacramentos meios eficazes para a salvação?
R. Os sacramentos tornam-se meios eficazes para a salvação, não por alguma virtude que eles ou aqueles que os ministram tenham, mas somente pela bênção de Cristo e pela obra do seu Espírito naqueles que pela fé os recebem.
Ref. 1Pe 3.21; Rm 2.28-29; 1Co 12.13; 10.16-17.

PERGUNTA 92. Que é um sacramento?
R. Um sacramento é uma santa ordenança, instituída por Cristo, na qual, por sinais sensíveis, Cristo e as bênçãos do novo pacto são representadas, seladas e aplicadas aos crentes.
Ref. Mt 26.26-28; 28.19; Rm 4.11.

PERGUNTA 93. Quais são os sacramentos do Novo Testamento?
R. Os sacramentos do Novo Testamento são o Batismo e a Ceia do Senhor.
Ref. At 10.47-48; 1Co 11.23-26.

PERGUNTA 94. Que é o Batismo?
R. O Batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça, e a promessa de pertencermos ao Senhor.
Ref. Mt 28.19; Jo 3.5; Rm 6.1-11; Gl 3.27.

PERGUNTA 95. A quem deve ser ministrado o Batismo?

R. O Batismo não deve ser ministrado àqueles que estão fora da igreja visível, enquanto não professarem sua fé em Cristo e obediência a Ele; mas os filhos daqueles que são membros da igreja visível devem ser batizados.
Ref. At 18.8; Gn 17.7-14; At 2.38-39; 1Co 7.14.

PERGUNTA 96. O que é a Ceia do Senhor?
R. A Ceia do Senhor é o sacramento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Cristo, se anuncia a sua morte, e aqueles que participam dignamente tornam-se, não de uma maneira corporal e carnal, mas pela fé, participantes do seu corpo e do seu sangue, com todas as suas bênçãos para o seu alimento espiritual e crescimento em graça.
Ref. 1Co 11.23-26; At 3.21; 1Co 10.16.

PERGUNTA 97.
Que se exige para participar dignamente da Ceia do Senhor?
R. Exige-se daqueles que desejam participar dignamente da Ceia do Senhor que se examine sobre o seu conhecimento em discernir o corpo do Senhor, sobre a sua fé para se alimentarem dele, sobre o seu arrependimento, amor e nova obediência; para não suceder que, vindo indignamente, comam e bebam para si a condenação.
Ref. 1Co 11.27; 31-32; Rm 6.17-18.

PERGUNTA 98. O que é Oração?
R. A Oração é um santo oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados, e um agradecido reconhecimento das suas misericórdias.
Ref. Sl 10.17; 145.19; 1Jo 5.14; 1.9; Jo 16.23-24; Fp 4.6.

PERGUNTA 99. Qual é a regra que Deus nos deu para nos dirigir em oração?
R. Toda palavra de Deus é útil para nos dirigir em oração, mas a regra especial de direção é aquela forma de oração que Cristo ensinou aos seus discípulos, e que geralmente se chama a Oração Dominical.
Ref. Rm 8.26; Sl 119.170; Mt 6.9-13.

PERGUNTA 100. Que nos ensina o prefácio da Oração Dominical?
R. O prefácio da Oração Dominical, que é: "Pai nosso que estás no Céu", ensina-nos que nos devemos aproximar de Deus com toda a santa reverência e confiança, como filhos a um pai poderoso e pronto para nos ajudar, e também nos ensina a orar com os outros e por eles.
Ref. Lc 11.13; Rm 8.15; 1Tm 2.1-2.

PERGUNTA 101. Pelo que oramos na primeira petição?
R. Na primeira petição que é: "Santificado seja o Teu nome" pedimos que Deus nos habilite a nós e aos outros a glorificá-lo em tudo aquilo em que se dá a conhecer; e que disponha tudo para sua glória.
Ref. Sl 67.1-3; Rm 11.36; Ap 4.11.

PERGUNTA 102. Pelo que oramos na segunda petição?
R. Na segunda petição, que é: "Venha o Teu reino", pedimos que o reino de Satanás seja destruído e que o reino da graça seja adiantado; que nós e os outros a ele sejamos guiados e nele guardados, e que cedo venha o reino da glória.
Ref. Sl 68.1; Jo 12.31; Mt 9.37-38; 2Ts 3.1; Rm 10.1; Ap 22.20.

PERGUNTA 103. Pelo que oramos na terceira petição?
R. Na terceira petição, que é: "Seja feita Tua vontade, assim na terra como no Céu", pedimos que Deus, pela sua graça, nos torne capazes e desejosos de conhecer a sua vontade, de obedecer e submeter-nos a ela em tudo, como fazem os anjos no Céu.
Ref. Mt 24.39; Fp 1.9-11; Sl 103.20-21.

PERGUNTA 104. Pelo que oramos na quarta petição?
R. Na quarta petição, que é: O pão nosso de cada dia nos dá hoje", pedimos que da livre dádiva de Deus recebamos uma porção suficiente das coisas boas desta vida, e gozemos com elas de suas bênçãos.
Ref. Pv 30.8-9; 1Tm 6.6-8; Pv 10.22.

PERGUNTA 105. Pelo que oramos na quinta petição?
R. Na quinta petição, que é: "E perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores", pedimos que Deus, por amor de Cristo, nos perdoe gratuitamente os nossos pecados, o que somos animados a pedir, porque, pela Sua graça somos habilitados a perdoar de coração ao nosso próximo.
Ref. Sl 51.1-2, 7; Mt 18.35.

PERGUNTA 106. Pelo que oramos na sexta petição?
R. Na sexta petição, que é: "E não nos deixes cair em tentação", pedimos que Deus nos guarde de sermos tentados a pecar, ou nos preserve e livre, quando formos tentados.
Ref. Mt 26.41; Sl 19.13; Jo 17.15; 1Co 10.13.

PERGUNTA 107. Que nos ensina a conclusão da Oração Dominical?
R. A conclusão da Oração Dominical, que é: "Porque Teu é o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém", ensina-nos que na Oração devemos confiar somente em Deus, e louvá-lO em nossas orações, atribuindo-Lhe reino, poder e glória. E em testemunho do nosso desejo e certeza de sermos ouvidos, dizemos: Amém.
Ref. Dn 9.18-19; Fp 4.6; 1Cr 29.11-13; 1Co 14.16; APERGUNTA 22.20-21.

OS DEZ MANDAMENTOS
Ex 20.3-17
1. Não terás outros deuses além de mim.
2. Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma de tudo que há em cima no céu, e do que há em baixo na terra, nem de coisa que haja nas água debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto, porque Eu sou o Senhor teu Deus, o Deus zeloso, que vinga a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e que usa de misericórdia com milhares daqueles que me amam e que guardam os meus preceitos.
3. Não tomarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar em vão o nome do Senhor seu Deus.
4. Lembra-te de santificar o dia de Sábado. Trabalharás seis dias e farás neles tudo o que tens para fazer. O sétimo dia, porém, é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nesse dia obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu animal, nem o peregrino que vive das tuas portas para dentro. Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra, e tudo o que neles há, e descansou no sétimo e o santificou.
5. Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma vida dilatada sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar.
6. Não matarás.
7. Não adulterarás.
8. Não furtarás.
9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
10. Não cobiçarás a casa de teu próximo; não desejarás a sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.

RESUMO DOS DEZ MANDAMENTOS
Lc 10.27
Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de toda tua a alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e ao teu próximo como a ti mesmo.

ORAÇÃO DOMINICAL
Mt 6.9-13

Pai nosso que estás nos Céus, santificado seja Teu nome; venha o Teu reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, o poder e a glória para sempre . Amém.

CREDO
Creio em Deus Pai, todo poderoso, Criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu em Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à mão direita de Deus Pai todo poderoso; donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na santa Igreja universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Cristo ordenou o arrependimento


"Arrependei-vos e crede no evangelho" (Marcos 1:15).

"... O evangelho é um mandamento, é um mandamento que se explica em duas ordens: "arrependei-vos e crede no evangelho". Conheço alguns irmãos bem excelentes - aprouvera a Deus que houvesse mais desses irmãos - que, em seu zelo por pregar a fé simples em Cristo, têm sentido um pouco de dificuldade abrandando a aparente severidade da palavra arrependimento, expondo-a de acordo com o termo grego equivalente e mais usual, um termo que ocorre no original grego de meu versículo e significa "mudar a mente". Aparentemente, eles interpretam o arrependimento como algo mais brando do que o concebemos, uma mudança simples na maneira de pensar. Ora, desejo sugerir a esses queridos irmãos que o Espírito Santo nunca prega o arrependimento como uma trivialidade. A mudança na maneira de pensar e no entendimento, sobre a qual o evangelho fala, é uma obra mais profunda e solene e não deve ser depreciada por motivo algum.

Além disso, há outra palavra também usada no original grego que significa arrependimento; não é usada com frequência, eu admito. Ela significa "uma preocupação posterior", aproximando-se mais do sentido de tristeza ou ansiedade do que aquela que significa mudar a maneira de pensar. No verdadeiro arrependimento, deve haver tristeza e ódio para com o pecado; do contrário, li a minha Bíblia sem qualquer propósito... O arrependimento significa realmente uma mudança na maneira de pensar. Mas é a mudança completa do entendimento e de tudo que está na mente. Por isso, inclui iluminação, a iluminação do Espírito Santo. Acho que inclui uma descoberta da iniquidade e ódio para com o pecado, sem os quais não pode haver arrependimento autêntico. Penso que não devemos subestimar o arrependimento. É uma graça bendita de Deus, o Espírito Santo; é uma graça absolutamente necessária para a salvação."...

Traduzido por: Wellington Ferreira 

Copyright©Editora Fiel 2009.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Discípulos ou consumidores? O outro lado da herança de Charles G. Finney




A palavra "evangélicos" tem se tornado tão inclusiva que ocorre o perigo, de se tornar totalmente vazia de significado. Robert Charles Sproul


Em certa ocasião o Senhor Jesus teve de fazer uma escolha entre ter cinco mil pessoas que o seguiam por causa dos benefícios que poderiam obter dele, ou ter doze seguidores leais, que o seguiam pelo motivo certo. Uma decisão entre muitos consumidores e poucos fiéis discípulos. Refiro-me à multiplicação dos pães narrada em João, 6. Lemos que a multidão, extasiada com o milagre, quis proclamar Jesus como rei, mas Ele recusou-se (João 6:15). No dia seguinte, Jesus também se recusa a fazer mais milagres diante da multidão pois percebe que o estão seguindo por causa dos pães que comeram (João 6:26, 30). Sua palavra acerca do pão da vida afugenta quase todos da multidão (João 6:60, 66), à exceção dos doze discípulos, que afirmam segui-lo por saber que Ele é o Salvador, o que tem as palavras de vida eterna (João 6:67-69). 
Jesus poderia ter satisfeito as necessidades  da multidão e saciado o desejo dela de ter mais milagres, sinais e pão. Teria sido feito rei e teria o povo ao seu lado. Mas o Senhor preferiu ter um punhado de pessoas que o seguiam pelos motivos certos a ter uma vasta multidão que o fazia por motivos errados. Preferiu discípulos a consumidores.

Síndrome da porta giratória
Infelizmente, parece prevalecer entre os evangélicos em nossos dias uma mentalidade bem semelhante à multidão nos dias de Jesus. Muitos, influenciados pela febre de consumir (inclusive coisa supérfluas), que vem crescendo nas sociedades capitalistas, tem assumido uma postura de consumidores quando se trata das coisas do Reino de Deus. O consumismo encontrou a porta da igreja evangélica. Tem entrado com toda a força, e parece ter vindo para ficar.
Por consumismo quero dizer  o impulso de satisfazer as necessidades, reais ou não, pelo uso de bens ou serviços prestados pro outrem. No consumismo, as necessidades individuais são o centro; e a "escolha" das pessoas, o mais respeitado de seus direitos. Tudo gira em torno do indivíduo, e tudo existe para satisfazer as suas necessidades. As coisas ganham importância, validade e relevância à medida em que são capazes de atender estas necessidades.
Esta mentalidade tem permeado, em grande medida, as programações das igrejas, a forma e o conteúdo das pregações, a escolha das músicas , o tipo de liturgia, e as estratégias para crescimento de comunidades locais. Tudo é feito com o objetivo de satisfazer as necessidades emocionais, físicas e materiais das pessoas. E, neste afã, prevalece o fim sobre os meios. Métodos são justificados à medida em que se prestam para atrair mais frequentadores, e torná-los mais felizes, mais alegres, mais satisfeitos, e dispostos a continuar frequentando igrejas. Numa pesquisa recente feita Instituto Gallup nos Estados Unidos, constatou-se que quatro a cada dez americanos estão envolvidos  em pequenos grupos  que se reúnem semanalmente, buscando saída para o envolvimento com drogas, problemas familiares, solidão e isolacionismo. Embora evidente muitos estarão em busca de uma oportunidade para aprofundar a experiência cristã e  crescer no conhecimento de Deus, a maioria, segundo Gallup, busca satisfazer suas necessidades pessoais. De acordo com a revista Newsweek, um em cada cinco americanos sofre de alguma forma de doença mental (incluindo ansiedade, depressão clínica, esquizofrenia (etc) durante o curso de uma ano. Discordo que todas estas coisas sejam problemas mentais; muita coisa tem a ver com os efeitos do pecado na consciência. De qualquer forma, os espertos se aproveitam de estatísticas assim. Uma denúncia contra a indústria evangélica de saúde mental foi feita no ano passado por Steve Rabey em Christianity Today. Cada vez mais cresce o Marketing nas igrejas na área de aconselhamento, com um número alarmante de profissionais cristãos oferecendo ajuda psicológica através de métodos seculares. A indústria de música cristã tem crescido assustadoramente, abandonando por vez seu propósito inicial de difundir o Evangelho e tornando-se cada vez mais um mercado rentável como outro qualquer. A maioria das gravadoras evangélicas nos Estados Unidos pertence a corporações seculares de entretenimento. As estrelas do gospel music cobram caches altíssimos para suas apresentações. Num recente artigo em Strategies for Today's Leader. Gary McIntosh defende abertamente que "o negócio das igrejas é servir ao povo". Ele defende que a igreja deve ter uma mentalidade voltada para o "cliente", e traçar seus planos e estratégias visando suas necessidades básicas, e especialmente fazê-los sentir-se bem. Um efeito da mentalidade consumista das igrejas é o que tem sido chamado de "a síndrome da porta giratória". As igrejas estão repletas de pessoas buscando sentido para a vida, alívio para suas ansiedades e preocupações, ou simplesmente diversão e entretenimento evangélicos; muitas delas estão simplesmente passeando pelas igrejas, como quem passeia pelas lojas de um shopping center, escolhendo produtos que lhe agradam. Assim, elas escolhem igrejas como escolhem refrigerantes. Tão logo a igreja que frequentam deixa de satisfazer as suas necessidades, elas saem pela porta tão, facilmente quanto entraram. As pessoas escolhem igrejas onde se sintam confortáveis, e se esquecem de que precisam na verdade de uma igreja que as faça crescer em Cristo e no amor para com os outros.

Finney e a mentalidade consumista

Ao meu ver, um dos mais decisivos fatores para o surgimento da mentalidade consumista na igreja evangélica é a influência da teologia e dos métodos de Charles G. Finney. Houve uma profunda mudança no conceito de evangelização ocorrida no século passado, devido ao trabalho de Charles Finney. Mais do que a teologia do próprio Karl Barth, a teologia e os métodos de Finney tem, moldado o moderno evangelicalismo. Ele é o herói de Bill Bright e de Billy Graham; é o celebrado campeão de Keith Green, do "movimento de sinais e prodígios", do movimento neopentecostal e do movimento de crescimento da igreja. Para muitos no Brasil seria uma surpresa  tomar conhecimento do pensamento teológico de Finney. Ele é tido como um dos grandes evangelistas da Igreja cristã, estimado e venerado como modelo de fé e vida. E não poderia ser diferente, visto que se tem publicado no Brasil apenas obras que exaltam Finney, sem qualquer crítica à sua teologia e à sua metodologia. Meu alvo, neste artigo, não é escrever extensamente sobre o assunto, mas mostrar a relação de causa e efeito que existe entre o ensino e métodos de Finney e a mentalidade consumista dos evangélicos hoje.
Em sua obra de teologia sistemática (Systematic Teology [Bethany, 1976]), escrita no final de seu ministério, quando era professor so seminário de Oberlin, Finney abraça ensinos estranhos aos Cristianismo histórico. Ele ensina que a perfeição moral é condição para justificação, e que ninguém poderá ser justificado de seus pecados enquanto tiver pecado em si (pág. 57); afirma que o verdadeiro cristão perde sua justificação (e consequentemente, a salvação) toda vez que peca (pág. 46); demonstra que não acredita em pecado original e nem na depravação inerente ao ser humano (pág. 1798); afirma que o homem é perfeitamente capaz de aceitar  por si mesmo, sem a ajuda do Espírito Santo, a oferta do Evangelho. Mais surpreendente ainda, Finney nega que Cristo morreu para pagar os pecados de alguém; ele havia morrido com um propósito, o de reafirmar o governo moral de Deus, e nos dar o exemplo de como agradar a Deus (pp. 206-217). Finney nega ainda, de forma veemente, a imputação dos méritos de Cristo ao pecador, e rejeita a ideia da justificação com base na obra de Cristo em lugar dos pecadores (pp. 320-333). Quanto à aplicação da redenção, Finney nega a ideia de que o novo nascimento é um milagre operado sobrenaturalmente por Deus na alma humana. Para ele, "regeneração consiste em o pecador mudar sua escolha última, sua intenção e suas preferências; ou ainda, mudar do egoísmo para o amor e a benevolência", e tudo isto motivo pela influência ,oral do exemplo de Cristo ao morrer na cruz (pág. 224).
Finney, reagindo contra a influência calvinista que predominava no Grande Avivamento ocorrido na Nova Inglaterra do século passado, trocou a ênfase que à pregação doutrinária pela ênfase em fazer com que as pessoas "tomassem uma decisão", ou que fizessem uma escolha. No prefácio da sua  Systematic Theology, ele declara a base da sua metodologia: "Um reavivamento não é um milagre ou não depende de um milagre, em qualquer sentido. É meramente o resultado filosófico da aplicação correta dos métodos." Finney não estava descobrindo uma nova verdade, mas abraçando um erro antigo, defendido por Pelágio no Século IV, que foi condenado como herético pela Igreja. Ele tem sido corretamente descrito por estudiosos evangélicos como sendo semi-pelagianismo (ou mesmo, pelagianismo) em sua doutrina, e um dos maiores responsáveis pela disseminação deste erro antigo entre as igrejas modernas. Na teologia de Finney, Deus não é soberano, o homem não é um pecador por natureza, a expiação de Cristo não é um pagamento válido pelo pecado, a doutrina da justificação pela imputação é insultante à razão e à moralidade, o novo nascimento é produzido simplesmente por técnicas bem sucedidas, e o avivamento é resultado de campanhas bem planejadas com os métodos conceitos.
Antes de Finney, os evangelistas reformados aguardavam sinais ou evidências da operação do Espírito Santo nos pecadores, trazendo-os debaixo de convicção de pecado, para então guiá-los a Cristo. Não colocavam pressão sobre a vontade dos pecadores por meios psicológicos, com receio de produzir falsas conversões. Finney, porém, seguiu caminho oposto, e seu caminho prevaleceu. Já que acreditava na capacidade inerente da vontade humana de tomar decisões espirituais quando o desejasse, suas campanhas de evangelismo e de reavivamento passaram a girar em torno de um simples propósito: levar os pecadores a fazer uma escolha imediata de seguir a Cristo. Com isso, introduziu novos métodos nos seus cultos, como o "banco dos ansiosos" (de onde veio a prática moderna de se fazer apelos por uma decisão imediata ao final da mensagem), o uso de quaisquer medidas que provocassem um estado emocional propício aos pecador para escolher a Deus, o que incluía apelos emocionais e denúncias terríveis de pecado e juízo. O impacto dos métodos reavivalistas de Finney no evangelicalismo moderno são tremendos. Seus sucessores têm perpetuado esses métodos e mantido as características do fundador: o apelo por decisões imediatas, baseadas na vontade humana; o estímulo das emoções como alvo do culto; o desprezo pela doutrina; a ênfase que se dá na pregação a se fazer uma escolha, em vez da ênfase às grandes doutrinas da graça. As igrejas evangélicas de hoje, influenciadas pela teologia e pelos métodos de Finney, têm adotado táticas e práticas em que as pessoas são vistas como clientes, promovendo a mentalidade consumista.
O Senhor Jesus preferiu doze seguidores genuínos a uma multidão de consumidores. É preciso reconhecer que as tendências modernas em alguns quartéis evangélicos é a de produzir consumidores, muito mais que reais discípulos de Cristo, pela forma de culto, liturgias, atrações, e eventos que promovem. Um retorno às antigas doutrinas da graça, pregadas pelos apóstolos e pelos reformadores, enfatizando a busca da glória de Deus como alvo maior do homem, poderá melhorar esse estado de coisas.

Augustus Nicodemus Lopes

Fonte: http://portuguese.thirdmill.org/files/portuguese/36865~9_19_01_10-01-56_AM~Disc%C3%ADpulos_Ou_consumidores.html

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O dia e a Palavra do Senhor


"... Reconheço aqui que no dia de descanso devo, em primeiro lugar, ouvir a palavra de Deus e refletir sobre ela, e, segundo a mesma palavra, agradecer e louvar a Deus por todos os seus benefícios, bem como orar por mim e pelo mundo todo. Quem procede deste modo no dia de descanso, esse o santifica. Quem não o faz age pior que aqueles que nele trabalham. Em segundo lugar, agradeço nesse mandamento pela grande benção e graça de Deus por nos ter concedido sua palavra e pregação, nos mandando praticá-la em especial no dia de descanso. Não há coração humano que possa valorizar o bastante esse tesouro, pois sua palavra é a única luz nas trevas desta vida, e é palavra de vida, de consolo, fonte de toda bem-aventurança. E onde não estiver presente a querida e salutar palavra, existe só a terrível e assustadora escuridão, o engano, o sectarismo, a morte, toda sorte de infelicidade e tirania do diabo, como se apresenta todos os dias diante dos nossos olhos"...

Martinho Lutero - Obras selecionadas vol. 5.  Editora Sinodal, pág. 141-142

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Da Lei de Deus


I. Deus deu a Adão uma lei como um pacto de obras pelo qual Deus o obrigou, bem como toda sua posteridade, a uma obediência pessoal, inteira, exata e perpétua; prometeu-lhe a vida sob condição dele cumprir com a lei e o ameaçou com a morte no caso dele violá-la; e dotou-o com o poder e capacidade de guardá-la (Gênesis 1:26, 27 com Gênesis 2:17; Romanos 2:14, 45; Romanos 10:5; Romanos 5:12,19; Gálatas 3:10,12; Eclesiastes 7:29; Jó 28:28).

II. Essa lei , depois da queda, continuou a ser perfeita regra de justiça, e como tal, foi por Deus entregue no Monte Sinai em dez mandamentos e escrita em duas tábuas (Tiago 1:25; Tiago 2:8, 10-12; Romanos 13:8,9; Deuteronômio 5:32; Deuteronômio 10:4; Êxodo 34:1); os primeiros quatro mandamentos ensinam os nossos deveres para com Deus e os outros seis os nossos deveres para com o homem (Mateus 22:37-40).

III. Além dessa lei, geralmente chamada lei moral, agradou-se Deus de conceder ao povo de Israel, considerado uma igreja sob tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto, prefiguram Cristo, Suas graças, os Seus atos, os Seus sofrimentos e os Seus benefícios (Hebreus 9; Hebreus 10:1; Gálatas 4:1-3; Colossenses 2:17), e em parte representam várias instruções de deveres morais (1 Coríntios 5:7; 2 Coríntios 6:17; Judas 1:23). Todas as leis que são consideradas cerimoniais estão ab-rogadas sob o Novo Testamento (Colossenses 2:14,16,17; Daniel 9:27; Efésios 2:15,16). 

IV. A eles também, considerado como um corpo político, Ele deu leis civis que terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua equidade geral (Êxodo 21; Êxodo 22:1-19; Gênesis 49:10 com 1 Pedro 2:13,14; Mateus 45:17 com versos 38,39; 1 Coríntios 9:8-10).

V. A lei moral obriga a todos para sempre a prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas quanto às outras (Romanos 13:8-10; Efésios 6:2; 1 João 2:3,4,7,8), e isto não somente em relação a matéria nela contida, mas também pelo respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu (Tiago 2:10, 11); nem Cristo, no evangelho, desfaz esta obrigação, antes a confirma (Mateus 5:17-19; Tiago 2:8; Romanos 3:31).

VI. Embora os verdadeiros crentes não estão sob a lei como um pacto de obras, para serem por ela justificados ou condenados (Romanos 6:14; Gálatas 2:16; Gálatas 3:13; Gálatas 4:4,5; Atos 13:39; Romanos 8:1); contudo ela lhes serve de grande proveito, tanto a eles quanto aos outros; manifestando-lhes, como regra de vida, a vontade de Deus e os deveres que ele têm, ela os dirige e os obriga a andar em retidão (Romanos 7:12; Romanos 3:20); assim, eles examinando-se, podem chegar a uma mais profunda convicção do pecado, maior humilhação por causa deles e maior ódio a eles (Tiago 1:23-25; Romanos 7:9, 14, 24) e juntamente com isto, uma visão mais clara acerca da necessidade que eles têm de Cristo e da perfeição de Sua obediência (Gálatas 3:24; Romanos 7:24, 25; Romanos 8:3, 4); Ela é também de utilidade para os regenerados, a fim de conter a sua corrupção, pois proíbe o pecado (Tiago 2:11; Salmos 119:101, 104, 128); as suas ameaças servem para mostrar até mesmo o que merece o pecado deles e quais aflições que por causa deles podem esperar nesta vida, ainda que sejam livres da maldição ameaçada na lei (Esdras 9:13, 14; Salmos 89:30-34). Do mesmo modo, as suas promessas mostram que Deus aprova a obediência e quais bençãos podem esperar ao obedecê-las (Levítico 26:1-14 com 2 Coríntios 6:16; Efésios 6:2, 3; Salmos 37:11 com Mateus 5:5; Salmos 19:11), ainda que não sejam devido à lei, como um pacto de obras (Gálatas 2:16; Lucas 17:10). Logo, um homem fazendo o bem e refreando-se do mal, porque a lei o encoraja a fazer isto e proíbe aquilo, não é prova dele estar debaixo da lei e não debaixo da graça (Romanos 6:12, 14; 1 Pedro 3:8-12 com Salmos 34:12-16; Hebreus 12:28, 29).

VII. Os usos da lei que foram anteriormente citados não são contrários a graça do evangelho, mas suavemente condiz com ela (Gálatas 3:21); o Espírito de Cristo submete e habilita a vontade do homem a fazer livre e alegremente aquilo que a vontade de Deus, revelada na lei, requer que se faça (Ezequiel 36:27; Hebreus 8:10 com Jeremias 31:33).

Confissão de fé de Westminster 1647 - Capítulo XIX - Da Lei de Deus 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O dom de Deus


"... O 'dom de Deus' por vezes significa o ato de doar, 'Graças a Deus pelo seu dom inefável' (1 Coríntios 9:15). Essa dádiva foi Deus ter dado aos coríntios um espírito liberto, caridoso, generoso no ministrar aos santos carentes. É chamado isso de 'dom de Deus': 'segundo a proporção de Cristo' (Efésios 4:7) -  isto é, segundo Deus se agrada conceder os frutos do Espírito aos homens (Romanos 5:15-17; Efésios 3:7; 1 Coríntios 12:11).

Algumas vezes o dom de Deus significa a coisa dada (Tiago 1:17). 'Se conheceres o dom de Deus' (João 4:10), isto é, a coisa dada por Deus, ou a ser dada por Deus. Há quem julgue que as palavras se rederem a Cristo como sendo essa dádiva, mas o contexto torna claro que a referência é ao Espírito Santo, porque é aquela 'água viva' que o Senhor Jesus prometeu dar.

E até onde vejo, o 'dom', significando 'aquilo que Deus dá', é sempre usado para se referir ao Espírito Santo. Se isso é verdade, o 'dom' de Atos 2:38 ('Recebereis o dom do Espírito Santo') não significa aquilo que o Espírito Santo dá, e sim o próprio Espírito Santo. O Espírito Santo é dado no poder de suas obras miraculosas (Atos 10:45; 11:17). O Espírito Santo, portanto, é a grande dádiva sob o Novo Testamento."...

John Owen - Apostasia do Evangelho, Editora Puritanos, pág. 20

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A misericórdia de Deus sobre o ímpio


"...f. Os ímpios também experimentam a misericórdia de Deus

Até mesmo aquele que não aprova a misericórdia de Deus, experimenta dela. Assim como os que lutam contra a misericórdia a experimentam. O ímpio recebe algumas migalhas da mesa da misericórdia: "O SENHOR é bom para todos" (Salmos 145:9). Gotas adocicadas se encontram tanto no espinheiro quanto na rosa. O alcance da misericórdia de Deus é imenso. A cabeça do faraó estava coroada, embora seu coração estivesse endurecido."

(...)

"m. A misericórdia de Deus é terrível contra o ímpio

É terrível a misericórdia como testemunha contra qualquer pessoa.
Foi algo triste com Hamã, quando a rainha o acusou (Ester). Assim será quando essa rainha de misericórdia salva o pecador; como é triste, então, ter a misericórdia como inimiga. Se a misericórdia for um acusador, quem será nosso advogado? O pecador nunca escapa do inferno quando a misericórdia prepara acusação."...

Thomas Watson - A Fé Cristã: Estudos Baseados no Breve Catecismo de Westminster.
São Paulo: Cultura Cristã, 2009. pág. 119, 120, 121

sábado, 5 de dezembro de 2015

Calvinismo e Política



Estudiosos de diferentes matizes têm reconhecido a decidida contribuição prestada pelo movimento calvinista ao aperfeiçoamento das instituições políticas do mundo ocidental.
As noções reformadas sobre a ordem política foram inicialmente articuladas por João Calvino e posteriormente aprofundadas em alguns pontos e modificadas em outros pelos seus sucessores.
Calvino expôs as suas idéias sobre o estado no último dos oitenta capítulos de sua obra magna, a Instituição da Religião Cristã. Por causa de sua reflexão firmemente apoiada nas Escrituras, o reformador tinha um elevado conceito acerca do estado e dos governantes civis. O apóstolo Paulo havia ensinado que as autoridades são "ministros de Deus" e foram por ele instituídas com vistas ao bem comum, merecendo assim obediência dos cidadãos (Epístola aos Romanos, cap 13).Calvino, seguindo a mesma linha de raciocínio, acentuou que a carreira pública era uma das mais nobres funções a que um cristão podia aspirar e deixou claro que os cidadãos tinham o dever de obedecer as leis e honrar os seus magistrados. Os governantes, por sua vez, tinham solenes e graves responsabilidades diante de Deus em relação às pessoas entregues aos seus cuidados.

Ao escrever sobre o assunto, Calvino estava em parte reagindo contra os anabatistas, que desprezavam as instituições políticas e o exercício de cargos públicos como algo indigno de um cristão, e contra os diferentes grupos de anarquistas e revolucionários da época. Como a maior parte dos protestantes do século XVI, ele era favorável a uma estreita associação entre igreja e o estado, cada qual respeitando a esfera de atuação do outro. A alegação de que Calvino teria sido o ditador de Genebra é injustificada. Na realidade, ele nunca exerceu nenhum cargo político naquela cidade e durante grande parte da sua estadia ali teve um relacionamento difícil com os magistrados civis, sempre desejosos de inferir nos negócios da igreja.

Se o pensamento político de Calvino é essencialmente conservador, dois fatores levaram os calvinistas a adotarem teorias mais democráticas: as perseguições sofridas na França, Inglaterra e Escócia, e o exemplo de Genebra, com o seu governo republicano. O direito de oposição aos tiranos, admitido apenas excepcionalmente por Calvino, foi defendido de modo explícito pelo francês Philippe Duplessis-Mornay, pelo escocês George Buchanan e pelo autor anônimo de Vindiciae Contra Tyrannos, obra popular entre os huguenotes franceses do século XVII. Nas Ilhas Britânicas, o presbiterianismo, com sua ênfase no governo eclesiástico por presbíteros livremente eleitos pela comunidade, atraiu a ira de vários monarcas que não queriam abrir mão do "direito" de nomear os bispos e assim mais facilmente controlar a igreja.

No entanto, a nova cosmovisão religiosa dos reformadores e as práticas dela decorrentes foram ainda mais fundamentais para as suas concepções políticas progressistas. A teologia protestante e calvinista valorizou o indivíduo, colocado em uma relação pessoal com Deus e libertado da dependência eclesiástica. Na igreja, ele era convocado a colaborar com seus concidadãos na tarefa do governo e administração, a exercer o seu direito de voto com um forte senso de responsabilidade e a fazer a sua parte quando convocado para o serviço público, sendo ainda educado para exercer o direito de supervisão e até mesmo de crítica aos governantes. Além disso, a valorização do trabalho, as oportunidades de mobilidade social, o direito à livre iniciativa e o pleno acesso à educação, todos esses características do protestantismo calvinista, também foram fatores decisivos para o desenvolvimento da democracia no Ocidente.


Os reformadores entendem que Deus é o senhor de toda a vida e, portanto, todas as áreas da atividade humana são importantes para o cristão, inclusive a esfera política. Assim sendo, deve-se evitar toda e qualquer dicotomia entre o "sagrado" e o "secular" ou "profano". Essa convicção tem levado muitos calvinistas a se envolverem com a atividade pública, entendida como um importante serviço prestado a Deus e à coletividade. Dois exemplos notáveis são Woodrow Wilson, presidente da Univerdidade de Princeton, presidente dos Estados Unidos (1913-1921) e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, e Abraham Kuyper, teólogo e líder político holandês, fundador da Universidade Livre de Amsterdã e primeiro-ministro da Holanda de 1901 a 1905. Embora a separação entre igreja e o estado seja necessária para a democracia, os reformadores entendem que não deve haver um divórcio entre suas convicções ético-religiosas e sua atuação na vida pública.

Alderi Souza Matos 

Fonte: http://portuguese.thirdmill.org/


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Adoração




A adoração do cristão deve ser dirigida a Deus pela mediação de Cristo, somente.

"Está escrito com clareza: "Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim [Cristo]" (João 14:6). Está dito a respeito dos cristãos que eles são pessoas que "se chegam a Deus" por meio de Cristo (Hebreus 7:25). O Ser todo-poderoso com quem temos de nos relacionar é um Deus de amor, bondade, misericórdia e compaixão infinitos. "Deus é amor", mas também é verdade que Ele é um Ser de justiça, santidade e pureza infinitas, um Ser que tem ódio infinito para com o pecado e não pode tolerar o que é mau. Ele é o mesmo Deus que expulsou os anjos do céu, destruiu o mundo com um dilúvio e queimou totalmente Sodoma e Gomorra. Aquele que presume negligentemente que pode se aproximar de Deus sem a expiação e o Mediador que Deus designou, descobrirá que sua adoração é vã. "O nosso Deus é fogo consumidor" (Hebreus 12:29)."

J. C. Ryle - Adoração, Prioridade, Princípios e Prática - Editora Fiel 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

8° Mandamento





"Não furtarás" (Êxodo 20:15) 

"O fato solene e impressionante que merece ser apontado é que o primeiro pecado cometido pela espécie humana envolveu furto: Eva tomou (furtou) o fruto proibido.
Assim, também, o primeiro pecado registrado contra Israel depois que eles entraram na terra de Canaã foi o de furto: Acã roubou de entre o espólio (Josué 7:21). Da mesma maneira, o primeiro pecado que contaminou a Igreja Cristã primitiva foi o roubo; Ananias , com Safira, sua mulher, "reteve parte do preço" (Atos 5:2). Como é frequente ser esse o primeiro pecado cometido externamente por crianças! E, portanto, esse divino preceito deveria ser ensinado a elas desde a mais tenra infância. Há alguns anos, visitamos uma família, e nossa anfitriã nos relatou como ela havia naquele dia secretamente observado sua filha (com aproximadamente quatro anos de idade) entrar num quarto onde estava um grande cacho de uvas. A criancinha olhou para ela cheia de vontade, subiu na mesa e, então, disse: - Fora daqui, Satã. Está escrito: Não furtarás, e correu para fora do aposento.

Mas existem outras maneiras pelas quais essa transgressão pode ser cometida além da recusa em sustentar financeiramente a causa de Deus sobre a terra. Deus é roubado quando retemos a glória que a Ele é devida, e somos ladrões espirituais quando arrogamos para nós mesmos a honra e o louvor que só a Ele pertencem."

Arthur W. Pink - Os dez mandamentos, Editora Monergismo - pág. 68-69

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A livre vontade de Deus



"... Tudo o que o Espírito Santo faz é segundo a sua própria e livre vontade - Ele faz porque decidiu fazê-lo. O beneplácito de sua vontade é visto em toda bondade, graça, amor e poder que demonstra para conosco. Toda obra que o Espírito Santo faz é governada por sua soberana vontade, à qual ninguém pode resistir (Romanos 9:19), e por sua infinita sabedoria. A sua vontade revelada pode ser aparentemente resistida. Quando o evangelho é pregado e as pessoas instadas ao arrependimento, a sua vontade revelada é dada a conhecer. Mas, a sua vontade secreta pode ser não trazê-los ao arrependimento, não lhes concedendo o dom do arrependimento. Assim, na recusa de se arrependerem, resistem a sua vontade revelada, mas cumprem a sua vontade secreta (veja Isaías 6:9-10; João 12:40-41; Atos 28:26-27; Romanos 11:8). O mesmo ocorre com todas as suas obras. O Espírito Santo pode iluminar a mente de alguns trazendo convicção de pecado às almas , mas, não operando neles a sua obra de regeneração, sem a qual não podem ver o reino de Deus. Noutros ele opera toda sua obra para que resulte na final e total salvação deles. É isso o que Paulo ensina quanto aos dons espirituais (veja 1 Coríntios 12). O Espírito concede os seus dons segundo sua soberana vontade.

Objeção: Mas, se a revelação é do começo ao fim obra soberana do Espírito Santo, portanto, nada podemos fazer efetivamente que produza a nossa salvação. Qual então é a utilidade de todos os mandamentos, ameaças, promessas e exortações da Escritura?

Resposta: Nunca devemos olvidar a verdade de que o Espírito Santo que opera em nós todo o bem espiritual. A Bíblia nos ensina que "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum" (Romanos 7:18). Somos ensinados que por nós mesmos não somos "capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus" (2 Coríntios 3:5; veja também 2 Coríntios 9:8; João 15:5; Filipenses 2:13). Ao dizermos que existe em nós algum bem que não seja obra do Espírito Santo destruímos o Evangelho e negamos duplamente que Deus seja o único bem e que somente ele pode nos tornar bons. Utilizar esse argumento como desculpa para não fazer nada é resistir a vontade de Deus. Deus promete operar em nós aquilo que requer de nós. Há na Escritura muitos exemplos de pessoas que foram ordenadas a fazer aquilo que lhe era impossível. Entretanto, quando se dispuseram a obedecer, encontraram o poder curador de Deus habilitando-os a fazer aquilo que anteriormente lhes parecera impossível. Por exemplo, o homem da mão mirrada, a ressurreição de Lázaro, e o filho da viúva de Naim."...

John Owen - O Espírito Santo, Editora Puritanos, pág. 42-43 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sete motivos para você trabalhar na Igreja





Quando chega o final do ano é comum as igrejas tratarem das eleições e nomeações daqueles que vão trabalhar no ano seguinte. Se o seu nome for eleito ou nomeado para algum cargo, antes de recusar, leia o texto abaixo:

1. Por obediência a Deus. A Bíblia diz que nós somos servos de Deus, assim, devemos trabalhar para ele com alegria. A Palavra diz também que devemos ser generosos mo trabalho, sabendo que, no Senhor, o nosso trabalho nunca é em vão (1 Coríntios 15:58).

2. Para descobrir quais são seus dons e talentos. A Bíblia mostra que Deus concede dons e talentos ao seu povo, para edificação e desenvolvimento de sua Igreja (Efésios 4:7-8). O ambiente de trabalho da igreja propicia esta descoberta.

3. Para ser alvo e canal de bênção na vida das pessoas. Trabalhando para o Senhor, você se trona alvo de suas bênçãos. Deus te dá mais conhecimento, mais consagração, mais responsabilidade e torna você um canal de bênção na vida dos outros. Deus usa você como ferramenta para a edificação dos seus irmãos (Efésios 4:12).

4. Para obter novos conhecimentos. Trabalhando na igreja você tem a oportunidade de aprender coisas novas, desenvolver-se pessoalmente e aperfeiçoar-se na vida cristã (Efésios 4:13).

5. Para amadurecer na fé. Aqueles que se envolvem nos trabalhos da igreja experimentam amadurecimento na vida cristã. Muitos dos que são críticos, quando começam a trabalhar percebem que alguns problemas não são tão fáceis de se resolver, pois pessoas são complexas e pecadoras (Efésios 4:14).

6. Para colaborar com o desenvolvimento da Igreja. Trabalhando na igreja você coopera com o crescimento dela. O desenvolvimento de uma igreja não depende do pastor, mas de todo o corpo (Efésios 4:15-16).

7. Para fazer parte da história das pessoas. Trabalhando na igreja você acaba fazendo parte da história de vida das pessoas. Seja pelo fato de você as ter ensinado algo que mudará suas vidas ou pelo fato de as ter ajudado. Eu me lembro ainda hoje, com muito carinho e gratidão, das professoras de Escola Dominical na minha infância. Elas foram usadas por Deus em minha vida (Filipenses 1:3-5).


Por isso, não recuse convites para trabalhar na obra do Senhor. Quando você é eleito ou nomeado para uma função, os instrumentos são humanos, mas o chamado é do próprio Deus.

Fonte - Facebook - Ageu Magalhães