"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus". (Romanos 12:2)
A soberania de Deus é inquestionável, Ele, como criador e mantenedor do Universo, tem direito absoluto sobre sua criação. Na parábola do oleiro, por exemplo, descrita no livro de Jeremias (18:1-6) isso fica bem claro, pois nela Deus declara que somos como o barro nas mãos do oleiro. O barro ou o vaso semipronto pode contra-argumentar com aquele que lhe dá formato? Na realidade, o oleiro faz o trabalho segundo melhor lhe parecer. Em razão disso, Deus pode impor a Sua vontade sobre as suas criaturas, entretanto, esse não é o seu método de trabalho. Ele quer ser obedecido, mas de forma voluntária e amorosa, e isso somente acontecerá na vida daqueles filhos que reconhecem o que Ele é e tudo o que tem feito em suas vidas.
VIVEMOS NO CENTRO DA VONTADE DE DEUS QUANDO OBEDECEMOS INTEGRALMENTE À SUA PALAVRA
"... PARA QUE EXPERIMENTEIS QUAL SEJA A BOA(...) VONTADE DE DEUS"
Segundo o apóstolo Paulo, o crente precisa cumprir etapas na vida cristã para poder conhecer a plenitude da vontade de Deus; apresentar-se ao senhor em um culto racional, não se conformar com o modelo de conduta do mundo e buscar uma constante renovação pela Palavra, da sua maneira de pensar e agir, e essa última equivale a crescer "na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2Pe 3:18).
Essa "vontade nivelada" ou escalonada de Deus pode até certo ponto ser experimentada pelo cristão fiel, na verdade é Deus quem o capacita a cumprir Sua própria vontade (Fp 2:13).
O verbo experimentar empregado por Paulo (dokimázo) tem o sentido de provar por meio de testes, examinar ou testar a realidade e também pode significar discernir. Escrevendo aos Efésios (5:16-17)), Paulo afirma que a insensatez, ou o viver de maneira néscia (que nos leva a desperdiçar o tempo e as oportunidades que o Senhor nos dá), nos impede de compreender ou discernir qual é a vontade de Deus para nossa vida em determinado assunto ou coisa.
Provavelmente essa "boa" (agathon) vontade de Deus para conosco tem a ver com sua vontade permissiva, tolerante, condicional, limitada áquilo que conhecemos sobre Ele. Notamos que ela é boa e não ótima ou ideal, e isso ensina que precisamos nos superar ou nos empenhar com mais diligência no que fazemos para Deus e Sua obra (Hb 5:13-14). Às vezes, fazemos algo para o Reino de Deus que à nossa vista é bom, entretanto, esse grau de bondade deve sere avaliado não por nós mesmos, mas pelos outros e em última instância pelo próprio Deus (Rm 12:16c; 14:17).
Neste ponto, o cristão consciente reconhece que está falhando em cumprir algum detalhe da vontade revelada de Deus.
"QUAL SEJA A (...) AGRADÁVEL (...) VONTADE DE DEUS"
Chama-nos a atenção essa segunda palavra, pois de certa forma ela assume uma exposição mediana, intermediária da vontade de Deus, uma vez que a "boa" e a "perfeita" são os extremos.
A vontade "agradável" (euareston) de Deus deve ser o nosso alvo permanente.
Estamos diante da vontade revelada na Palavra e cumprida dentro do propósito certo. É aquela vontade que surge como orientação específica do Espírito Santo, e se a seguirmos ou obedecermos seremos vitoriosos, Cristo é o nosso modelo.
No AT, os sacrifícios que os sacerdotes ofereciam a Deus era de "aroma agradável" (Ex 29:18), do mesmo modo, uma vida consagrada à Deus lhe agrada; exatamente como fez Cristo a cada um de nós (Ef 5:2).
Agradamos a Deus no que fazemos quando colocamos o coração ou nos dedicamos de corpo e alma em cumprir aquilo pelo qual Ele nos chamou ou entregou em nossas mãos (Hb 13:21).
Quem cumpre a "agradável" vontade de Deus está disposto a ir até as últimas consequências, como o fizeram os três Hebreus diante de Nabucodonosor (Dn 3:18) e também o apóstolo Paulo: "... nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus..." (At 20:24). Está claro aqui que, na agradável vontade de Deus, o crente se entrega completamente e sem reservas ao Senhor.
Segundo Paulo, fazemos algo agradável diante de Deus quando praticamos a fé de modo explícito, por exemplo, cuidando dos nossos pais, cônjuges e filhos com dedicação: "...filhos ou netos, que estes aprendam primeiramente a colocar a sua religião em prática, cuidando de sua própria família e retribuindo o bem recebido de seus pais e avós, pois isso agrada a Deus" (1Tm 5:4).
"QUAL SEJA A (...) PERFEITA VONTADE DE DEUS"
A palavra "perfeita" (teleion) empregada pelo apóstolo Paulo tem o sentido de algo que chegou ao fim ou ao propósito esperado, está completo, perfeito (Fp 3:12). Estamos diante da absoluta vontade e inegociável de Deus.
A despeito da rigorosidade da lei, Jesus Cristo declarou que veio para cumpri-la e não revogá-la (Mt 5:17), entretanto foi no Calvário que Cristo satisfez plena e perfeitamente a vontade de Deus (Jo 5:30).
Essa dimensão da vontade de Deus está acima da capacidade ou de qualquer esforço humano.
Há muita coisa em nossa natureza que precisa ser arrancada de nós, pela renovação da mente, pois justamente são elas que nos atrapalham no cumprimento da perfeita vontade de Deus.
Por exemplo, a forma de pensar, julgar, falar, agir que normalmente manifestamos diverge do padrão absoluto de moralidade de Deus; ainda há muito do velho homem em cada um de nós como: orgulho, vaidade ou vanglória pessoal, arrogância, mesquinhes, avareza, desobediência etc.
Apesar de toda a limitação que naturalmente temos, enquanto habitamos neste frágil tabernáculo terrestre, deve ser nossa busca constante o aperfeiçoamento da obediência, pois a vontade de Deus é a nossa santificação (1Ts 4:3). Além disso, Jesus Cristo nos ordenou: "Portanto, sede vós perfeitos (teleioi) como perfeito é o vosso Pai celeste" (Mt 5:48). O padrão de Deus deve ser sempre o nosso objetivo.
Na vontade de Deus reside a nossa felicidade, precisamos vivê-la intensamente com a preciosa ajuda do Espírito Santo (Rm 8:26). João ensina em sua primeira epístola que qualquer pedido que fizermos a Deus pode ser atendido, desde que esteja estritamente alinhado com a Sua soberana vontade (1Jo 5:14). No início da nossa fé, aprendemos a cumprir a "boa" vontade de Deus (Hb 5:11-14).
Na continuação da vida cristã e por meio da santificação passamos a compreender e a obedecer a vontade "agradável" do Pai. Finalmente, vivendo na plenitude do Espírito, o crente segue passo a passo, de glória em glória, buscando alcançar essa "perfeita" vontade de Deus.
Valter Bastos
domingo, 14 de dezembro de 2014
domingo, 30 de novembro de 2014
Quem eram os apóstolos?
O grupo inicial contava com doze - os onze discípulos originais que continuaram após a morte de Judas, e Matias, que o substituiu: "E os lançaram em sortes, vindo a sorte a recair sobre Matias, sendo-lhe então votado lugar com os onze apóstolos" (At 1:26). Tão importante era esse grupo original de doze apóstolos, os membros fundadores do ofício apostólico, que lemos que seus nomes estão escritos nos fundamentos da cidade celestial, a nove Jerusalém: "A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro" (Ap 21:14).
Poderíamos, à primeira vista, pensar que tal grupo nunca deveria ser expandido, de modo que ninguém pudesse ser acrescentado a ele. Mas Paulo claramente alega ser também um apóstolo. E Atos 14:14 chama Barnabé e Paulo de apóstolos: "Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo...". Assim, com Barnabé e Paulo são catorze os "apóstolos de Jesus Cristo".
Depois , Tiago, o irmão de Jesus (que não era um dos doze discípulos originais), parece ser chamado apóstolo em Gálatas 1:19: Paulo conta como, quando foi a Jerusalém, ele não viu "outro dos apóstolos senão a Tiago, o irmão do Senhor." Ainda em Gálatas 2:9, Tiago é classificado com Pedro e João como "coluna" da igreja de Jerusalém. Em Atos 15:13-21, Tiago, juntamente com Pedro, exerce uma significativa função de liderança no Concílio de Jerusalém, função apropriada ao ofício de apóstolo. Além disso, quando alista as aparições de Jesus, Paulo prontamente coloca Tiago com os apóstolos:
Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afinal, foi visto também por mim, como por um nascido fora do tempo. Porque eu sou o menor de todos os apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado um apóstolo, pois persegui a igreja de Deus (1Co 15:7-9).
Por fim, o fato de Paulo escrever uma carta no Novo Testamento que traz o seu nome também está inteiramente de acordo com a autoridade que ele tinha para escrever palavras que eram palavras de Deus. Todas essas considerações combinam-se para mostrar que Tiago, o irmão do Senhor, também foi comissionado por Cristo como apóstolo. Teríamos então, quinze "apóstolos de Jesus Cristo" (os doze mais Barnabé, Paulo e Tiago).
Houve outros apóstolos além desses quinze? Pode ter havido alguns outros, embora saibamos pouco ou nada sobre eles e não tenhamos certeza de que de fato existiram outros. Outras pessoas. é claro, tinham visto Jesus após sua a ressurreição ("Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez," 1Co 15:6). Desse grande número é possível que Cristo tenha designado alguns outros apóstolos - mas é também possível que não o tenha feito. Os dados não são suficientes para decidir a questão.
Romanos 16:7 diz: "Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são notáveis entre os apóstolos, e estavam em Cristo antes de mim". Como há diversos problemas de tradução nesse versículo, não se pode chegar a nenhuma conclusão decisiva. "Notáveis" pode também ser traduzido por "notados pelos (apóstolos)". "Júnias (nome de homem) pode ser traduzido por "Júnia" (nome de mulher). "Apóstolos"aqui pode significar o ofício "apóstolos de Jesus Cristo", mas pode significar simplesmente "mensageiros" (o sentido mais amplo que a palavra tem em Fp 2:25; 2Co 8:23; Jo 13:16). Os versículos não trazem dados suficientes que nos permitam chegar a uma conclusão.
Outros nomes têm sido sugeridos como apóstolos. Silas (Silvano) e, algumas vezes, Timóteo são mencionados, por causa de 1Tessalonicenses 2:7: "Embora pudéssemos como enviados (apóstolos) de Cristo, exigir de vós...". Será que Paulo inclui Silas e Timóteo aqui, já que a carta começa com "Paulo, Silvano e Timóteo" (1Ts 1:1)?
Não é provável que Paulo esteja incluindo Timóteo por duas razões:
(1) Apenas cinco versículos antes ele diz: "... apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como é de vosso conhecimento" (1Ts 2:2), uma alusão aos açoites e à prisão sofridos somente por Paulo e Silas, não por Timóteo (At 16:19). Assim, o "pudéssemos" no versículo 6 não parece incluir todos os mencionados no primeiro versículo (Paulo, Silvano e Timóteo). A carta, em geral, é de Paulo, Silas e Timóteo. Mas Paulo sabe que os leitores entenderão naturalmente quem são os citados na expressão "nós", quando não inclui os três em algumas partes da carta. Ele não especifica: "nos, isto é, Silas e eu, fomos maltratados...", porque os tessalonicenses sabiam de quem ele estava falando.
O mesmo acontece em 1Ts 3:1-2, onde o "nós" certamente não pode incluir Timóteo;
Pelo que, não podendo suportar mais o cuidado por vós, pareceu-nos bem ficar sozinhos em Atenas; e enviamos nosso irmão Timóteo, ministro de Deus no evangelho de Cristo, para, em benefício da vossa fé, confirmar-vos em exortar-vos (1Ts 3:1-2).
Neste caso, o "nós" refere-se ou a Paulo e Silas, ou só a Paulo (veja At 17:14-15); 18:5).
Aparentemente Silas e Timóteo tinham ido ao encontro de Paulo em Atenas "o mais depressa possível" (At 17:15) - embora Lucas não mencione a chegada deles em Atenas - e Paulo os havia mandado de volta a Tessalônica para ajudar a igreja de lá (At 18:5).
É muito provável que "pareceu-nos bem ficar sozinhos em Atenas" (1Ts 3:1) se refira só a Paulo, tanto porque ele retoma o argumento no versículo 5 com o "eu", pronome no singular ("á não me sendo possível continuar esperando, mandei indagar o estado de vossa fé"), como porque não teria sentido falar de extrema solidão em Atenas, se Silas estivesse com ele. De fato, em 2:18, "nós" significa "eu", porque ele diz: "Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo Satanás nos barrou o caminho". Aparentemente ele usa "nós" com mais frequência nessa epístola como uma forma cortês de incluir Silas e Timóteo, que tinham passado muito tempo na igreja de Tessalônica. Mas os tessalonicenses não teriam tido dúvida sobre quem, de fato, estava encarregado dessa grande missão aos gentios e de qual autoridade apostólica a carta principalmente (ou exclusivamente) dependia.
Assim é bem provável que Silas fosse um apóstolo e que 1Ts 2:7 indique isso. Ele era membro destacado da igreja em Jerusalém (At 15:22) e podia bem ter visto Jesus após a ressurreição e assim ter sido designado apóstolo. Mas não podemos ter certeza disso.
Entretanto, com Timóteo a questão é diferente. Assim como ele é excluído do "nós" de 1Ts 2:2 (e 3:1-2), parece que é excluído também do nós de 1Ts 2:7. Além do mais , sendo natural de Listra (At 16:1-3), e tendo aprendido sobre Cristo com sua vó e com sua mãe (2Tm 1:15), parece impossível que pudesse ter estado em Jerusalém antes do Pentecostes e tivesse visto o Senhor ressurreto, crido nele e, então, repentinamente designado apóstolo, Ademais, Paulo, ao dirigir suas cartas, sempre reserva zelosamente para si o título de apóstolo, nunca permitindo que seja aplicado a Timóteo ou a outros de seus companheiros de viagem (veja 2Co 1:1; Cl 1:1: "Paulo, apóstolo de Cristo Jesus... e o irmão Timóteo"; e Fp 1:1: "Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus"). Assim, Timóteo, por mais importante que fosse sua função, não poderia ser corretamente considerado um dos apóstolos.
Isso nos deixa um grupo limitado, mas de número incerto, cujos membros detinham o ofício de "apóstolos de Jesus Cristo". Parece ter havido pelo menos quinze, talvez dezesseis, ou até outros que não foram registrados no Novo Testamento.
Todavia parece bastante certo que não houve nenhum apóstolo designado depois de Paulo. Quando alista manifestações do Cristo ressurreto, ele enfatiza a forma incomum com que Cristo lhe apareceu e liga isso à afirmação de que essa foi a "última" aparição que ele mesmo é de fato o menor dos apóstolos, indigno de ser chamado assim.
E apareceu a Cefas [Pedro] e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns á dormem. Depois foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim [...] porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo (1Co 15:5-9).
Wayne Grudem
domingo, 2 de novembro de 2014
A causa da expiação
A CAUSA DA EXPIAÇÃO
Qual foi a causa última que levou Cristo a vir para este mundo e morrer pelos nossos pecados? Para encontrá-la, devemos pesquisar o assunto em alguma coisa no caráter do próprio Deus. E aqui as Escrituras apontam para duas coisas: o amor e a justiça de Deus.
O amor de Deus como uma das causas da expiação é descrito na passagem mais conhecida da Bíblia: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu o seu filho unigênito, para todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"(João 3:16). Mas a justiça de Deus também exigia que ele encontrasse um meio pelo qual a pena pelos nossos pecados fosse paga (pois ele não podia aceitar-nos em comunhão consigo mesmo a menos que a penalidade fosse paga). Paulo explica que essa é a razão pela qual Deus enviou Cristo para ser "propiciação" (Romanos 3:25), ou seja, um sacrifício que sofre a ira de Deus de modo que este se torne "propício" ou com disposição favorável a nós: foi "para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos" (Romanos 3:25). Aqui Paulo diz que Deus perdoava os pecados no Antigo Testamento, mas nenhuma pena havia sido paga, fato que poderia fazer as pessoas perguntarem se Deus era mesmo justo e indagar como ele pode perdoar pecados sem nenhum castigo. Será que um Deus que fosse justo de verdade poderia fazer isso? Mas quando ele enviou Cristo para morrer e receber o castigo pelos nossos pecados, fez isso "tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Romanos 3:26).
Portanto, o amor e a justiça de Deus foram a causa última da expiação. No entanto, não nos ajudará em nada perguntar qual dos dois é mais importante, pois sem o amor de Deus, ele nunca teria dado nenhum passo para nos redimir, mas sem a justiça de Deus, não teria sido cumprida a exigência específica de que Cristo obtivesse nossa salvação morrendo pelos nossos pecados. Tanto o amor como a justiça de Deus foram igualmente importantes.
A NECESSIDADE DA EXPIAÇÃO
Havia alguma outra maneira de Deus salvar os seres humanos além de enviar seu Filho para morrer em nosso lugar?
Antes de responder a essa pergunta, é importante entender que Deus não tinha nenhuma necessidade de salvar ninguém. Quando nos conscientizamos de que "Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo" (2 Pedro 2:4), percebemos que Deus poderia também ter escolhido com perfeita justiça deixar-nos em nossos pecados, esperando o julgamento; ele poderia ter escolhido não salvar ninguém, assim como fez com os anjos pecaminosos. Assim, nesse sentido a expiação não era absolutamente necessária.
Mas uma vez que Deus , em seu amor, decidiu salvar alguns seres humanos, então várias passagens nas Escrituras indicam que não havia outra maneira de Deus fazê-lo a não ser pela morte de seu Filho. Portanto, a expiação não era absolutamente necessária, mas, como "consequência" da decisão divina de salvar alguns seres humanos, a expiação era absolutamente necessária. Essa concepção às vezes é chamada visão da "absoluta necessidade consequente" de expiação.
No jardim do Getsêmani, Jesus ora: "... se possível, passa de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mateus 26:39). Podemos estar convictos de que Jesus sempre orou de acordo com a vontade do Pai e sempre com plenitude de fé.
Dessa forma, essa oração, que Mateus se esforça para registrar para nós, parece mostrar que não era possível para Jesus evitar a morte na cruz que estava prestes a vir sobre ele (o "cálice" de sofrimento que ele havia dito que seria seu). Se Jesus estava para completar a obra que o Pai lhe destinara, e se as pessoas estavam para ser redimidas por Deus, então era necessário que ele morresse sobre a cruz.
Ele disse algo semelhante depois de sua ressurreição, quando conversava com dois discípulos no caminho para Emaús. Eles estavam tristes porque Jesus tinha morrido, mas sua resposta foi: "Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?" (Lucas 24:25-26). Jesus entendia que o plano divino de redenção (que ele explicou aos discípulos a partir de muitas passagens do Antigo Testamento, (Lucas 24:27) tornava necessário que o Messias morresse pelos pecados do seu povo.
Como vimos acima, Paulo também mostra em Romanos 3 que, para Deus ser justo e ainda assim salvar as pessoas, precisava enviar Cristo para receber o castigo pelos pecados: "... tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Romanos 3:26). A epístola aos Hebreus enfatiza que Cristo tinha de sofrer pelos nossos pecados: "Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo" (Hebreus 2:17). O autor de Hebreus argumenta também que por ser "impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados" (Hebreus 10:4), exige-se um sacrifício superior (Hebreus 9:23). Somente o sangue de Cristo, ou seja, sua morte, seria realmente capaz de remover os pecados (Hebreus 9:25-26). Não havia nenhuma outra maneira de Deus nos salvar a não ser pela morte de Cristo em nosso lugar.
A NATUREZA DA EXPIAÇÃO
Considero dois aspectos da obra de Cristo: 1- A obediência de Cristo por nós, pela qual obedeceu às exigências da lei em nosso lugar e foi perfeitamente obediente à vontade de Deus Pai como nosso representante, 2- Os sofrimentos de Cristo por nós, pelos quais recebeu o castigo pelos nossos pecados e, em consequência, morreu pelos nossos pecados.
É importante observar que nessas duas categorias a ênfase básica e a influência principal da obra redentora de Cristo não é sobre nós, mas sobre Deus Pai. Jesus obedeceu ao Pai em nosso lugar, recebendo em si mesmo a pena que Deus Pai teria aplicado a nós. Em ambos os casos, a expiação é vista como algo objetivo; isto é, algo que tem influência primária diretamente sobre o próprio Deus. Apenas de maneira secundária ele se aplica a nós, e isso dá só porque houve um evento definido na relação entre Deus Pai e Deus Filho que assegurou nossa salvação.
Wayne Grudem
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Gerando discípulos para Cristo
"Irmãos, rogo-vos que sejais como eu, porque também sou eu como vós; nenhum mal me fizestes.
E vós sabeis que primeiro vos anunciei o evangelho estando em fraqueza da carne". (Gálatas 4:12-13)
"Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós;"(Gálatas 4:19)
"Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões;" (Filemom 1:10)
Evangelizar e fazer discípulos é dever da Igreja; isto não pode ser negligenciado nem transferido para outra instituição. Só a Igreja foi autorizada, habilitada e equipada pelo Espírito Santo para fazer isso. Paulo, que ora nos serve como modelo de discipulador, certa vez declarou: "Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!" (1 Coríntios 9:16).
O processo de formação de um discípulo é semelhante à geração de uma criança guardando a devida proporção. Precisamos aprender com a natureza. Quando a "semente" encontra um coração receptivo, ela nasce (veja 1 Pedro 1:23). A nova vida que surge, necessita de cuidados, para que cresça, se desenvolva e produza muito para Deus. Sejamos, pois, o discipulador que o Senhor deseja usar!
O ACOMPANHAMENTO DE NOVOS CONVERTIDOS É DECISIVO PARA A SUA PERMANÊNCIA NA IGREJA.
1- "...meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto"...
Gerar um filho é bem semelhante no princípio à formação de um discípulo. Entretanto, é importante observarmos todos os procedimentos para se gerar um discípulo sadio, por exemplo: tempo adequado, nutrição balanceada, espaço, acompanhamento, estímulo, proteção (intercessão) etc.
A "reação" do recém-nascido depende do elemento sobrenatural ("mas o crescimento veio de Deus"; veja 1 Coríntios 3:6), por isso é necessário dar o devido tempo, para assimilação de todas as informações (ensino da Palavra). Nesse ponto, o discipulador permeia o seu trabalho com intercessão diligente pelo seu discípulo; como Paulo fazia com frequência: "Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai (...) para que (...) conceda que sejais fortalecidos com poder (...) a fim de poderdes compreender (...) e conhecer o amor de Cristo..." ( Efésios 3:14-19).
A evangelização é o início do processo (v. 13). Se faltar acompanhamento, todo trabalho será em vão. Quem atende ao chamado do evangelho, torna-se "filho espiritual" daquele que o evangelizou (veja Timóteo 1:2) e discipulou.
"Dores de parto", é odino no grego. Paulo compara a preocupação, o empenho, o trabalho de um discipulador como uma mulher em trabalho de parto. Em muitos casos, falta esse "sentimento materno" na maioria dos corações, pois uma mãe não desiste por nada do filho que ama (veja Isaías 49:15).
Toda energia empreendida no discipulado visa fundamentalmente à formação do caráter de Cristo no novo convertido. Paulo emprega a palavra "formado", que no grego e morfhote do verbo morfoo, formar, tomar forma ou ser formado. A forma neste caso, não tem nada a ver com a aparência física, é antes, uma referência ao caráter dos crentes que precisam ser moldados pelo modelo de Cristo.
O ensino seguido de exemplo é a didática de Deus. Inúmeras vezes, o apóstolo Paulo aconselhava àqueles a quem discipulava: "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" (1 Coríntios 11:1); e ainda: "Sede qual eu sou..." (v. 12). Portanto, um discipulador deve ser modelo, exemplo prático para seu discípulado.
2- "... meu filho Onésimo, que gerei entre algemas...".
Onésimo é um belo exemplo de um discípulo bem "gerado". Curiosamente seu nome significa "útil"; e é precisamente esse o objetivo do discipulado, tornar o novo crente um "cooperador", um vaso de honra para Deus usar em sua obra (veja Efésios 4.12), e este termo no grego, katartismos, traz o sentido de treinar, formar, preparar para o ministério ou serviço cristão (por exemplo: a evangelização).
É verdade que nem todo discípulo responde ao treinamento de igual maneira. No colégio apostólico de Jesus, por exemplo, três dos seus discípulos se destacavam, Pedro, Tiago e João. Será que eram mais interessados? Ou Deus os escolheu para uma tarefa especial?
Eliseu foi discípulo de Elias, e em determinado período do seu preparo, ele foi advertido nos seguintes termos: "Todavia, se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará;porém, se não me vires, não se fará" (2 Reis 2;10). Eliseu precisava estar permanentemente atento, para que pudesse suceder a seu mestre no ofício de profeta. Sua aplicação seria decisiva, e assim também deve ser conosco.
Conclusão
A dor de Paulo demonstrada na expressão "sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós" (Gálatas 4:19), revela sua tristeza pelo distanciamento do genuíno evangelho de Cristo por parte de muitos crentes da Galácia. Esse afastamento ocorreu principalmente por meio de heresias (veja 1:6), que se introduziram no meio da Igreja, por intermédio de falsos crentes. Então manter a pureza bíblica na vida do novo crente é fundamental. Isso se consegue através do ensino sistemático e perseverante das doutrinas cardeais do cristianismo (veja Mateus 28:20), e isso é o mesmo que "incutir' na mente do discípulo as leis de Deus (Deuteronômio 6:7). O que for feito no começo da vida cristã garantirá segurança na continuidade da fé (Provérbios 22:6).
sábado, 27 de setembro de 2014
Refletindo a luz de Cristo em um mundo de trevas
"Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e da luz a todos que estão na casa.
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mateus 5.14-16)
A luz se impõe em qualquer lugar, pode ser vista a distância, orienta os navios e também aviões, em uma concisa definição técnica o termo luz significa: "radiação eletromagnética a qual a visão reage", mas o seu sentido aqui é mais lato, amplo, por exemplo, ela é sinônima de esclarecimento ou orientação (veja Salmos 119.105), e segundo o texto em foco, a luz ilustra entre outras coisas a influencia do Evangelho e o testemunho da Igreja no mundo.
A LUZ DE CRISTO DISSIPA TODA TREVA E ILUMINA O CAMINHO PARA O CÉU
1- A IGREJA REFLETE A LUZ DE CRISTO.
Jesus compara os seus discípulos ao sal e a luz, dois elementos muito necessários na vida das pessoas. Como sal verdadeiro temperamos os nossos relacionamentos com um caráter ilibado, semelhante ao de Cristo e como luz atraímos os perdidos para Deus, praticando os valores do cristianismo, como: a retidão, o amor fraterno, as boas obras etc. (veja João 13.35). Discernimos o sal pelo contato e a luz pela simples visão. Neste sentido, alguns precisam ver para crer (v. 16).
A igreja não tem luz própria, mas o sangue de Cristo a torna tão alva a ponto de permitir que reflita a luminosidade que vem de Cristo (veja João 8.12). As Escrituras apresentam ou prefiguram Cristo como "... o sol da justiça" (Malaquias 4.2), a resplandecente estrela da manhã (Apocalipse 22.16). a "... coluna de fogo" no deserto (Êxodo 13.21) nosso verdadeiro guia e o centro de todo universo em torno do qual todos nós gravitamos (João 8.12; Tiago 1.17).
João declara que "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma" (João 1.15), em outras palavras, Ele é absolutamente perfeito. Uma porção desse padrão de perfeição moral e ético também passa a fazer parte de nossa vida no exato momento em que nos convertemos a Cristo pela fé: "Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz" (João 12.36). Neste caso, ter luz significa estar na direção certa, estar bem orientado, pois as trevas são sinônimo de pecado, ignorância da verdade e coisas semelhantes (veja João 12.46).
A comparação de Jesus é forte ("vós sois a luz do mundo") e faz referencia ao nosso exemplo de vida. Segundo Ele, esse excelente padrão de vida deve ser colocado a mostra (v. 15 "não debaixo do alqueire"), pois a luz se opõe as trevas (pecado, vida desregrada). Dessa forma, nosso testemunho deve influenciar positivamente os descrentes a ponto de motivá-los a vir a Cristo. Esta é a maneira de "iluminarmos" o caminho da vida, para quem está perdido neste mundo de trevas.
2- O BRILHO DE CRISTO NO CRENTE ATRAI OS PERDIDOS PARA DEUS.
Do mesmo modo que Moisés apresentava em seu rosto uma glória ou brilho inconsciente, a qual refulgia sobre todos, assim são os verdadeiros cristãos com seu irrepreensível testemunho de vida. Nossas ações falam ou aparecem mais que nossas palavras. Moisés conduzia o povo pelo deserto em direção a terra prometida porque a luz de Deus estava sobre ele, por isso ele sabia por onde ia e onde queria chegar (veja Êxodo 34.29).
O pecador sente-se atraído para nós em razão da diferença interior (caráter) e nunca da exterior (costumes). Pedro fala disso as mulheres cristãs que desejam ganhar seus maridos não convertidos, veja: "...seja ganho, sem palavra alguma, por meio do espírito manso e tranquilo" (1 Pedro 3.1,2,4). Quando existe, essa diferença se destaca, brilha, chama a atenção!
3- A MISSÃO DA IGREJA EM UM MUNDO PERDIDO
A igreja não é o caminho para o céu, mas a seta. Alguém já disse, o crente é como um mendigo que fala para outro mendigo onde tem pão (veja Lucas 11.5-8). Não somos a luz, mas testificamos da nossa experiencia com a verdadeira luz (João 1.8-9), que nos tirou do "...império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor" (Colossenses 1.13). Em Cristo, Deus se torna nosso "Pai das luzes" e "Pai espiritual" (Tiago 1.17; Hebreus 12.9).
A missão da igreja em relação ao mundo é basicamente duas: Primeiro, devemos ser "testemunhas" de Cristo (Atos 1.8), ou seja, testificar aos não-salvos que Cristo é o caminho, a verdade e a vida (veja João 14.6). O testemunho também inclui nossa mudança de vida, veja um exemplo: "Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti" (Marcos 5.19). Nosso dever é apresentar Cristo aos outros (2 Coríntios 5.18), contar-lhes sobre como obter a vida eterna (Atos 4.12).
A segunda parte de nossa missão está contida na expressão: "... vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (v. 16). Está em vista obras de caridade ou misericórdia. Tem a ver com nosso amor ao próximo, que deve ser convertido em atos de generosidade, compaixão e ou de serviço amoroso desinteressado. As necessidades básicas de uma pessoa são: amor, ensino, saúde, alimentos, roupas etc. (veja Mateus 25.34-40). Seguimos o exemplo de Cristo (João 20.21; 1 Pedro 2.11-12) se buscarmos atender as carências dos nossos semelhantes.
CONCLUSÃO
Obtemos o brilho ou a luz e Cristo sobre nós por meio da experiência regeneradora que tivemos com Ele no dia de nossa conversão, e conservamos e intensificamos esse fulgor glorioso de Deus nos santificando, sendo controlados pelo Espírito Santo, estando bem juntinho de Cristo, como Moisés que estava junto de Deus no monte Horebe (veja Êxodo 34.29-35). Devemos ser uma coluna de metal polido para refletirmos a verdade e a retidão de Cristo diante de um mundo tão carente da luz de Deus.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
O caráter e a conduta do verdadeiro cristão
"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.
O que aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco".
(Filipenses 4.8-9)
A mente é a área mais vulneravél do nosso ser. Vitória na mente é bênção para todas as demais áreas da vida. É na mente que tem início qualquer atividade, e podemos afirmar que o caráter se forma a partir daquilo que aceitamos na mente: "Porque, como (o homem) imagina (pensa) em sua alma (mente), assim ele é" (Pv 23.7). E face dessa verdade, devemos trabalhar ou "filtrar" o que vem a nossa cabeça. Na sequência, Paulo oferece uma lista de virtudes que devem ocupar o nosso pensamento, para que no decorrer da vida venhamos reproduzir atos que glorifiquem a Deus.
A MENTE É COMO UMA CHOCADEIRA E DEVEMOS SER CUIDADOSOS COM O QUE TOLERAMOS NELA.
1- SEIS VIRTUDES PARA PENSAR:
1. Tudo o que é verdadeiro
Devemos conservar em nossa "chocadeira" somente sementes genuínas. O "joio" da falsidade, mentira, hipocrisia ou da maldade maquiada (rumores infundados, falsos) devem ser rejeitados.
O termo grego alethe, traduzido por verdade, também pode ser: oposição aquilo que é irreal, insubstancial, errado. As Escrituras afirmam que Jesus Cristo é a verdade encarnada (veja João 14.6) e, por conseguinte o contrário exato do que é ilusório, utópico.
2. Tudo o que é respeitável
Estamos cercados de coisas imorais e indecentes, como programas de TV, novelas, conversas não edificantes, livros, jornais e revistas seculares que não edificam, mas não podemos permitir que elas nos dominem ou influenciem nosso procedimento, daí a necessidade de pensar em coisas sérias, dignas, elevadas (veja Colossenses 3.1), nobres. A palavra grega original é semna e também pode ser traduzida por honroso.
3. Tudo o que é justo
Cristo é a nossa justiça, e por meio Dele obtemos regeneração, mudança de mente, e podemos ter uma mente boa, sadia, certa, reta, honesta. A mente renovada pela Palavra (veja Romanos 12.2) rejeita a forma mundana de pensar (levar vantagem em tudo), que não respeita o direito do próximo, que é egocêntrica. O termo grego dikaia também pode ser traduzido por: imparcial, reto, honesto.
4. Tudo o que é puro
Esta deve ser a principal motivação que norteia o nosso agir, mesmo em um mundo tão malicioso. A palavra hagna no original dá idéia de uma mente limpa, não contaminada. Mais uma vez, devemos ter cuidado com o que vemos e ouvimos (veja Mateus 5.28-30). João diz que a esperança da vinda de Cristo é capaz de produzir purificação (1 João 3.3); Jesus nos manda "limpar" os pés (conduta) sempre que sujarem (veja João 13.5-11), mas podemos nos antecipar, não poluindo a mente. O pensar puro produz palavras e ações puras.
5. Tudo o que é amável
A palavra amável aqui é prosphile, e dá idéia de tudo que leva a amizade, comunhão, companheirismo. Devemos "lubrificar" nossos relacionamentos com o amor de Deus, não permitir que pequenas diferenças desgastem a comunhão. O cristão espiritual pensa uma coisa boa (positiva) do seu irmão, antes de uma má, esforçar-se por rejeitar o espírito de dissensão na igreja (veja 1 Coríntios 1.10) próprio dos crentes carnais, adeptos do PCC ("partido das contendas e ciúmes"- 1 Coríntios 3.3), a mente carnal gosta mais de pensamentos hostis do que amáveis (Gálatas 5.20-21).
6. Tudo o que é de boa fama
Paulo usa o termo grego euphema, que significa "o que soa bem, de boa reputação". Não devemos permitir que se estabeleça em nossas mente tudo aquilo que não tem valor. De outro lado, precisamos conservar, alimentar pensamentos que soerguem nossa vida cristã, familiar, profissional, ministerial, intelectual etc.
2- A MENTE É IGUAL A CONDUTA EXEMPLAR
Aquilo que ocupa o nosso pensamento é o que praticamos, o vivemos. Paulo fala no versículo 9 de aprender, receber, ouvir e ver, como o conjunto das verdades e experiências que já tivemos oportunidade de acumular e elas devem contribuir para encarnarmos a doutrina apostólica que sem dúvida vai influenciar decisivamente todas as nossas ações.
CONCLUSÃO
Tudo que fazemos é reflexo do que pensamos, é verdade que os pensamentos maus (tentação, desânimo, inutilidade etc.) podem nos surpreender ou assaltar, mas isto não representa pecado de imediato, só se o aceitarmos. Precisamos ser disciplinados mentalmente, preenchendo o tempo vago com a leitura da Bíblia e ou edificante, oração etc. Não estamos desguarnecidos nessa luta, temos o capacete da salvação, o sangue de Cristo e o Espírito Santo.
domingo, 7 de setembro de 2014
Será que percebo uma tendência constante de crescimento na minha vida cristã?
Os primeiros dois fatores de certeza da salvação têm que ver com a fé presente e a prova da obra do Espírito Santo em nós. Mas Pedro dá mais um tipo de teste que podemos fazer para verificar se somos crentes autênticos. Ele nos diz que há algumas virtudes que, cultivadas continuamente, garantem que não tropeçaremos "em tempo algum" (2Pe 1.10). Ele aconselha aos seus leitores acrescer à sua fé "virtude [...] conhecimento [...] domínio próprio [...] perseverança [...] piedade [...] fraternidade [...] amor" ( 2Pe 1.5-7). Depois diz que essas coisas devem existir nos seus leitores, "aumentando" continuamente (2Pe 1.8). Pedro ainda acrescenta que eles devem procurar "com diligência cada vez maior, confirmar a [...] vocação e eleição [deles]" e diz depois que "procedendo assim (literalmente, "fazendo essas coisas", com referência às virtudes mencionadas nos v. 5-7), não tropeçareis em tempo algum" ( 2Pe 1.10).
O modo de confirmar a vocação e eleição é, então, continuar crescendo "nessas coisas". Isso implica que a nossa certeza de salvação pode crescer ao longo do tempo. A cada ano em que aumentamos essas virtudes, obtemos mais e mais certeza da salvação, essa certeza pode crescer e transformar-se numa convicção ainda maior ao longo dos anos, desde que eles cresçam na maturidade cristã. Se eles perseverarem no cultivo dessas coisas, confirmarão a sua vocação e eleição e não tropeçarão "em tempo algum".
O resultado dessas três perguntas que podemos fazer a nós mesmos deve ser uma certeza mais firme para os verdadeiros crentes. Dessa forma a doutrina da perseverança dos santos será uma doutrina tremendamente tranquilizadora. Ninguém que tenha tal certeza deve perguntar-se: "Serei capaz de perseverar até o final da vida, sendo portanto Salvo?" Todos os que adquirem essa certeza por meio desse exame de consciência devem pensar de outro modo: "Verdadeiramente nasci de novo; logo, com toda a certeza perseverarei até o final, pois sou guardado 'pelo poder de Deus' que age por intermédio da minha fé (1Pe 1.5) e, portanto, jamais me perderei. Jesus me ressuscitará no último dia e entrarei no seu reino para sempre" (Jo 6.40).
Por outro lado, essa doutrina da perseverança dos santos, desde que corretamente compreendida, deve causar sincera preocupação, medo até, no coração de todos os que "regridem" ou se desviam de Cristo. Essas pessoas devem ser claramente prevenidas de que só aqueles que perseveraram até o fim realmente nasceram de novo. Se elas abandonaram a sua profissão de fé em Cristo e a obediência a Ele, podem na verdade não ter sido salvas - de fato, os indícios que dão agindo assim é que não são salvas e, portanto, de que jamais foram salvas. Uma vez que deixem de confiar em Cristo e de obedecer a Ele (e falo aqui em termos de provas exteriores), perdem certeza da salvação e devem considerar-se, portanto, não salvas, buscando a Cristo em arrependimento e rogando-lhe o perdão dos pecados.
Neste ponto, em termos de zelo pastoral para com aqueles que se desviaram da sua confissão cristã, convém perceber que os calvinistas e os arminianos (os que crêem na perseverança dos santos e os que pensam que os cristãos podem perder a salvação) darão os mesmos conselhos ao homem que se perde. Segundo os arminianos, essa pessoa foi cristã por certo tempo mas já não o é. Segundo os calvinistas, essa tal pessoa jamais foi realmente cristã, e agora também não o é. Mas nos dois casos o conselho bíblico a ser dado é o mesmo: "Você não parece ser cristão hoje - precisa se arrepender dos seus pecados e confiar na salvação de Cristo!" Embora os calvinistas e os arminianos divirjam na interpretação da história regressa, certamente concordariam a respeito do que deve ser feito no presente.
Mas vemos aqui porque a expressão segurança eterna pode facilmente levar a equívocos. Em algumas igrejas evangélicas, em vez de ensinar a apresentação plena e equilibrada da doutrina da perseverança dos santos, os pastores às vezes ensinam uma versão diluída, que na prática diz às pessoas que todos os que um dia fizeram uma profissão de fé e foram batizados estão "eternamente seguros". O resultado é que algumas pessoas que não se converteram verdadeiramente podem "ir à frente" no final de um sermão evangelístico e confessar a fé em Cristo, e podem ser batizadas logo depois disso; porém mais tarde podem deixar a comunidade da igreja e levar uma vida igual à que viviam antes de obter essa "segurança eterna". Desse modo dá-se uma falsa certeza, enganam-se cruelmente as pessoas, que então passam a crer que irão para o céu, apesar de não ser isso verdade.
Wayne Grudem
sábado, 23 de agosto de 2014
Fonte de lágrimas de arrependimento
E o galo cantou segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E, retirando-se dali, chorou.
Marcos 14.72
O arrependimento é efetuado pelo Espírito de Deus, mas ele o efetua em nós, por levar-nos a meditar no mal do pecado.
1- ESTUDEMOS O CASO DE PEDRO E USEMOS PARA NOSSA PRÓPRIA INSTRUÇÃO
1- Ele considerou que havia negado a seu Senhor. será que nunca fizemos tal coisa?
Isso pode ser feito de muitas maneiras.
2- Ele refletiu sobre a excelência do Senhor, a quem negara.
3- Ele lembrou-se da posição na qual fora posto pelo Senhor fazendo-o apóstolo, e logo um dos primeiros, não temos sido colocados em posiçaõ de confiança?
4- Ele lembrou-se do tratamento especial que havia desfrutado, ele e Tiago e João tinham sido muitíssimo favorecidos (Mt 17.1-13, 26.36-46 e Mc 5.37-43), não temos nós desfrutado de feliz comunhão com nosso Senhor?
2- ESTUDEMOS NOSSAS PRÓPRIAS VIDAS, E USEMOS O ESTUDO PARA NOSSA POSTERIOR HUMILHAÇÃO
1- Pensemos em nosso pequeno progresso na vida cristã.
2- Pensemos em nossas apostasias e nos descaminhos do coração.
3- Pensemos em nossa negligência com a alma dos outros.
4- Pensemos em nossa pouca comunhão com nosso Senhor.
5- Pensemos na pequena glória que estamos trazendo para seu grande nome.
6- Pensemos em nossas incomparáveis obrigações para com seu infinito amor.
3- ESTUDEMOS OS EFEITOS DESSES PENSAMENTOS SOBRE NOSSAS PRÓPRIAS MENTES
1- Podemos pensar nessas coisas sem emoção? É possível, pois muitos escusam seu pecado, alegando circunstâncias , constituição, companhia, comércio ou destino. Chegam mesmo a lançar a culpa sobre Satanás ou algum outro tentador. Certos corações duros tratam o assunto com suprema indiferença.
Isso é perigoso, é de temer que tal homem não seja Pedro, mas Judas; não é um santo caído, mas um filho da perdição.
2- Somos movidos por pensamentos dessas coisas? Há outras reflexões que podem mover-nos muito mais. Nosso Senhor nos perdoa e nos conta como seus irmãos, Ele nos pergunta se o amamos, e nos pede que apascentemos seu rebanho.
Certamente, quando damos importância a esses temas, deve ocorrer a cada um de nós "E, caindo em si, desatou a chorar".
A recordação de Pedro, do que ouvira anteriormente, foi outra oportunidade de seu arrependimento. Não consideramos bastante o quanto necessitamos mais de recordação do que informação. Conhecemos milhares de coisas, mas é necessário que elas sejam mantidas vivas em nossos corações, por uma constante e vívida recordação. Portanto, é extremamente absurdo e infantil que as pessoas digam: "Voce não me diz nada, exceto o que já conheço". Eu respondo: "Voce se esquece de muitas coisas". Portanto, é necessário que se ensine uma linha de cada vez, e um preceito de cada vez(Is 20.10,13).
O próprio Pedro disse, depois em suas espítolas: "Por esta razão sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados acerca destas cousas, embora estejais certos da verdade já presente convosco".
Somos propensos a esquecer-nos daquilo que sabemos, já que devemos considerar isso, qualquer coisa boa que conhecemos só é boa para nós na medida em que é lembrada com propósito (Richard Cecil).
Pedro caiu horrorosamente, mas, pelo arrependimento ergueu-se com alegria. Um olhar de amor vindo de Cristo, leva-o a desfazer-se em lágrimas.
Ele sabia que o arrependimento era a chave para o reino da graça, imediatamente sua fé tornou-se tão forte que ele saltou, por assim dizer, num mar de águas para vir a Jesus; agora se arrepende tanto por causa daquilo que fizera sem Cristo.
Dizem alguns que, após sua triste queda ele chorava de quando em quando, e que sua face estava inclusive sulcada de contínuas lágrimas. Mal tomara o veneno e já o vomitara, antes que este atingisse os órgãos vitais; nem bem ele havia pegado esta serpente e ele a transforma numa vara, afim de açoitar sua alma com remorso por ter pecado em face de tão clara luz, de tão vigoroso amor e de tão suaves descobertas do coração de Cristo para com ele.
Clemente observa que Pedro se arrependeu de tal sorte que, em toda a sua vida posterior todas as noites quando ouvia o galo cantar caía de joelhos, e, chorando amargamente pedia perdão por seus pecados. Ah! Almas vós podeis pecar facilmente como os santos, mas podeis arrepender-vos como os santos?
Muitos podem pecar como Davi e como Pedro, mas não se arrependem como Davi e Pedro, e por isso devem perecer eternamente (Thomas Brooks).
Nada tornará mais limpa a face dos filhos de Deus do que se lavarem eles todas as manhãs em suas lágrimas (Samuel Clarck).
Os gregos antigos pensavam que a memória deveria ser fonte de tortura no mundo vindouro, pelo que puseram entre os dois mundos as águas do Lete, o rio do esquecimento. Os cristãos, porém, não querem nenhum rio do esquecimento nas fronteiras do Élísio. O Calvário está desse lado, e isso basta (Alexander Maclaren).
CHARLES H. SPURGEON
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
As qualificações de um apóstolo
As duas qualificações de um apóstolo eram: (1) ter visto Jesus Cristo após a ressurreição ( ser testemunha ocular da ressurreição) e (2) ter sido especificamente comissionado por Cristo como seu apóstolo. O fato de que um apóstolo tinha de ter visto o Senhor ressurreto é indicado em Atos 1.22, onde Pedro diz que o substituto de Judas deve se tornar testemunha cono...sco de sua ressurreição. Além disso foi aos apóstolos que escolhera que depois de ter padecido se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias ( At 1.2-3; cf. 4.33). Paulo dá muita importância ao fato de que ele cumpriu esse requisito, mesmo que de forma incomum ( Cristo apareceu-lhe em uma visão na estrada de Damasco e o designou apóstolo: At 9.5-6; 26.15-18). Quando defendeu seu apostolado, afirmou: Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afina, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora do tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo ( 1 Co 15.7-9). Esses versículos indicam que só podia ser apóstolo alguém que tivesse visto Jesus após a ressurreição. A segunda qualificação, uma designação específica dada por Cristo, é também evidente em muitas passagens. Primeiro, mesmo que o termo apóstolo não seja comum nos evangelhos, os doze discípulos são chamados apóstolos especificamente em um contexto onde Jesus os comissiona, enviando-os para pregar em seu nome. Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças, e enfermidades. Ora os nomes dos doze apóstolos são estes (...) A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções : ... à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus (Mt 10.1-7). Da mesma forma, Jesus comissiona seus apóstolos em um sentido especial para serem suas testemunhas ( ...) até os confins da terra (At 1.8) . E, escolhendo outro apóstolo para substituir Judas, os onze apóstolos não chamaram a responsabilidade para si mesmos, mas oraram e pediram ao Cristo que subira ao céu que fizesse a indicação: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido,para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou... E os lançaram em sortes, vindo a sorte a recair sobre Matias, sendo-lhe então votado lugar com os onze apóstolos ( At 1.24-26). Paulo mesmo insiste que o próprio Cristo o designou apóstolo. Ele conta como , na estrada de Damasco, Jesus disse que o estava designando como apóstolo dos gentios: ... porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha(...) livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio ( At 26.16-17). Ele, mais tarde, afirma que foi especificamente designado por Cristo como apóstolo ( veja Rm 1.1; Gl 1.1; 1 Tm 1.12; 2.7; 2Tm 1.11).
Wayne Grudem
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
A maravilhosa graça de Deus
Romanos 3.24; 5.1-3
Paulo enfrentou uma fase crítica em sua vida, pela qual orou por três vezes a fim de se livrar do grande incômodo (talvez uma enfermidade veja 2 Co 12.9; Gl 4.15), mas como resposta recebeu do Senhor um enfático "A minha graça te basta". Que maravilhosa graça é essa? Que poder ela possui, pois o que é capaz de nos manter em pé mesmo na pior crise?
Situações de sofrimento como morte, doença, dificuldade econômica e decepções, saõ comuns a todos os seres humanos, sejam eles cristãos ou não! Jesus deixa isso claro na história dos "dois fundamentos" (veja Lc 6.46-49). Lucas registra em seu livro que a "tempestade" que desabou foi impiedosa tanto para o "ouvinte praticante" (cristão professo) quanto para o "ouvinte negligente" (cristão nominal). Entretanto, a casa bem alicerçada reagiu positivamente às intempéries, exatamente porque tinha "alicerce", não estava solta, desguarnecida. O fundamento do cristão genuíno é a graça de Deus (1 Co 3.11).
A graça de Deus se manifesta ao homem pelos méritos de Jesus Cristo.
1- CONHECENDO A DIMENSÃO DA GRAÇA DE DEUS.
Davi enfatiza o alcance da graça divina, ou do profundo amor que Deus revela aos seus filhos quando diz: "Porque a tua graça é melhor do que a vida, os meus lábios te louvam" (Sl 63.3).
No AT, a graça de Deus é ilustrada na sua relação com a infiel nação israelita: "Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei, porque a minha ira se apartou deles" (Os 14.4).
Graça, portanto, é a manifestação desse "amor imerecido", que vai ao nosso socorro sem que lho peçamos.
No hebraico, temos o verbo hãnan traduzido por "ser gracioso, compadecer-se". Segundo o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, essa palavra "descreve uma reação sincera de uma pessoa que tem algo a dar para alguém necessitado"; e outra definição do mesmo dicionário, a respeito da palavra hãnam, também descreve a profundidade da graça de Deus; vejamos: "a ação que parte de um superior na direção de um inferior que não tem nenhum direito a tratamento clemente".
No grego do NT, encontramos a palavra charis que tem um significado semelhante àquela que já mencionamos. Charis é o mesmo que disposição ou ato benevolente de Deus concedido a quem (pecador) nada merece.
2- A REDENÇÃO É A PLENITUDE DA GRAÇA DE DEUS.
Zacarias cita a morte do filho de Deus: "(...) olharão para aquele a quem traspassaram; pranteà-lo-ão como quem pranteia por um unigênito (...) como se chora amargamente pelo primogênito" (12.10). O profeta alude ao Messias sofredor de Isaías 53, que graciosamente se daria em resgate de muitos (veja João 19.37).
Paulo em seu "evangelho da salvação" (livro de Romanos) busca detalhar o motivo, a causa da encarnação, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, a graça de Deus. A iniciativa e a bondade de Deus (ou graça) O levaram a pagar o preço da nossa salvação, isto é, a morte vicária de seu único Filho: "sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus" (Rm 3.24).
3- VIVENDO DEBAIXO DA GRAÇA DE DEUS.
Em 2Co 9.8, lemos: "Deus pode fazer-nos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra". Este texto indica a soma das bençãos provenientes da graça divina. Portanto, a graça de Deus é aplicada a tudo que Cristo conquistou por meio da Redenção. Esse tudo inclui, obviamente, as promessas de Deus, ou o conjunto dos benefícios terrenos (dons e oportunidades, paz, saúde, aprovação, livramentos etc.) e celestes (vida eterna) da Nova A liança no sangue de Jesus.
Essa maravilhosa graça nos capacita a enfrentar os incômodos "espinhos" que nos assaltam nas diversas áreas da vida humana (casamento, trabalho, ministério, vida pessoal - emoções, saúde etc). Não importa a "carga" (ou situação) que temos de garregar (ou encarar), desde que a graça de Deus nos fortaleça: "...tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.13).
Como "subproduto" ou resultado da graça, temos: a paz interior (a tranquilidade de espírito veja Gl 1.3); a comunhão (o livre acesso) plena com Deus; a esperança ou a certeza de que Deus nos dará aquilo que nos prometeu, mas que ainda não se concretizou; toda herança em Cristo por conta da nossa filiação; alegria (deleite, prazer espiritual e contentamento) etc.
A graça é a força e o amor sobrenatural de Deus que se manifesta em nós, ou em nosso socorro em um momento de fraqueza ou quando chegamos ao limite de resistência. É o poder de Deus para resistirmos a toda adversidade, demônios, tribulação, oposição ou perseguição e a viver como um verdadeiro filho de Deus, a quem Ele declarou justo por meio de Cristo.
Quando vier sobre nós a pressão do sofrimento e da dor, da tentação e da acusação, da falta de palavras ou forças, devemos nos lembrar das doces palavras do nosso amoroso Salvador: "A minha graça te basta".
CONCLUSÃO
Quem procura respostas, forças ou um lugar de refúgio durante as lutas cotidianas em uma pessoa (líder religioso, conjugê, filhos etc.), sistema ou denominações (igrejas), ainda não entendeu nada da graça de Deus. Ela é a fonte de toda resistência, amor, paz, razão que homem algum pode dar.
Deus decidiu em Seu sábio conselho nos salvar. O preço seria tão varo que jamais poderíamos pagar (veja Mt 18.23-27), então por iniciativa própria, Ele nos representou com a morte de Cristo ( Seu sacrifício), algo que não merecíamos e que nunca poderíamos devolver ou retribuir, apenas aceitar e desfrutar por fé.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Nos domínios do Espírito
Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
Contra essas coisas não há lei.
E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.
Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.
Gálatas 5.22-25
Todo crente regenerado é a habitação do Espírito Santo (veja 1Co 6.19). O seu desafio logo após a conversão consiste em viver na plenitude ou no controle do Espírito de Deus. A Bíblia está repleta de pessoas que foram cheias ou dominadas pelo Espírito. Estêvão, por exemplo, deixou isto muito claro momentos antes de ser martirizado, pois no registro de Lucas observamos que em meio à dor e à humilhação, ele foi capaz de ver a glória de Deus (e não apenas seus algozes), sentia-se pronto para ir para o céu, amou seus inimigos orando por eles além de perdoar aos seus maus feitos (Saulo estava entre eles-At 7.54-60). Podemos notar na vida desse gigante da fé a manifestação maravilhosa do fruto do Espírito na sua plenitude.
Ser cheio do Espírito Santo não é ter mais do Seu poder, mas Ele ter mais de nós.
1-"Mas o fruto do Espírito é..."
-A manifestação do "fruto" é obra Santo, e não o resultado do esforço humano, ou de exigências legalistas/ascéticas de qualquer religião. O Espírito de Deus é capaz de produzir na vida do crente essas (nove) e outras qualidades morais, mas só quando lhe permite o controle.
-A partir do momento que desenvolvemos a nossa salvação (veja Fp 2.12), crescemos na graça e no conhecimento de Cristo (2 Pe 3.18) e nos despimos de todo acúmulo de maldade-pela obediência à Palavra de Deus (Tg 1.21), em consequência disso, o fruto do Espírito cresce e aparece.
-O "fruto' é um (no singular), porém com múltiplos aspectos ou variedades. Veja o que cada um deles representa no aspecto prático:
1. Amor: Do grego ágape é o amor na sua representação mais profunda; sacrificial (Ef 5.25), responsável, despretensioso, racional e não apena emocional. É o mais poderoso "lubrificante" social que existe. Quem ama nesse termo, se interessa pelo bem-estar dos outros de maneira desinteressada e cumpre a Lei. Em 1 Co 13.4-8, ele é descrito com detalhes. O amor está acima de dons (1 Co 13.13), conhecimento, posses etc; pois não permanece somente nas palavras (se envolve).
2. Alegria: Do grego chara é um sentimento de contentamento ou deleite, procedente de um relacionamento correto com Deus. É aquela satisfação que inunda o nosso ser quando completamos com êxito alguma tarefa para Deus, ou quando Lhe somos gratos por uma bênção recebida. A alegria, como fruto do Espírito, não pode ser contida pela perseguição, dor, nem qualquer tipo de adversidade (veja At 8.8). A alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8.10).
3. Paz: Do grego eirene, é a tranquilidade ou o sossego ou a serenidade do espírito e da mente que resultam da nossa relação com o Deus da paz (veja Rm 16.20), mesmo diante das batalhas que a vida pode nos impor. A paz nos é permanentemente comunicada pelo Espírito de Deus que em nós habita (Rm 14.17).
4. Longanimidade: Do grego makrothumia, é a capacidade de suportar com paciência - sem se encolerizar - as críticas, ofensas ou injúrias. E o mesmo que ânimo longo. Com a longanimidade podemos suportar as diferenças de opnião ou a forma de ver as coisas, própria de toda pessoa. A natureza humana nos impede de ser longânimo, e somente pela influência do Espírito é que adquirimos mais esse detalhe da beleza de Cristo.
5. Benignidade: Do grego chrestotes, é uma espécie de gentileza no trato com os outros. Essa virtude é indispensável nos relacionamentos interpessoais. O benigno nunca é áspero nas palavras (veja Ef 4.31-32).
6. Bondade: Do grego agathosune, é a capacidade de ser generoso, dado. O indivíduo bondoso ajuda apóia, socorre, age em favor do necessitado sem medir consequências (exemplo: o bom samaritano; veja Lc 10.33-35), e sem esperar nada em troca.
7. Fidelidade: Do grego pistis, também é traduzida por fé, mas de acordo com o contexto, pistis está mais associado à fidelidade. A palavra significa uma espécie de confiabilidade, lealdade que demonstramos com qualquer compromisso assumido. Quem realmente nasceu de novo sabe que precisa ser honesto, sincero e fiel a Deus e aos seus semelhantes.
8. Mansidão: Do grego prautes, é a calma ou brandura que manifestamos ante uma situação grave (por exemplo: Cristo diante da mulher adúltera; veja Jo 8.6-8). Deus é favorável com quem é manso, moderado, dócil (exemplo: Moisés; Nm 12.1-8; os mansos herdarão a terra; Mt 5.5). Do homem em relação a Deus, a mansidão representa a submissão inconteste à sua vontade. Mansidão é o contrário exato de ira ou discórdia.
9. Domínio próprio: Do grego egkrateia, é o exercício do autocontrole nas várias atividades da vida diária. É ser comedido, controlado no que fala, no que faz ( exemplo: na comida, bebida) e no temperamento (de "temperança" na ARC). Quem se domina, renuncia a si mesmo de forma inteligente (como um atleta que treina para vencer; 1 Co 9.25), mantém o ego submisso ao querer de Deus. Veja Pv 16.32.
2- "Viver e andar no Espírito".
- Isto só é possível se subjulgarmos a nossa vontade; se crucificarmos a velha natureza (v. 24). Viver no Espírito é a única maneira de nos libertarmos do domínio da natureza adâmica (veja Rm 8.9), e essa nova forma de vida outorgada por Jesus Cristo na cruz do Calvário no capacita a vivermos acima das preocupações deste mundo perdido.
- A vida sob controle do Espírito é aquela que permanece na dimensão da fé (veja 2 Co 5.7), da Palavra de Deus. Viver e andar são verbos que ilustram de que maneira devemos nos conduzir neste mundo, ou seja, sob a direção e o poder do Espírito de Deus. No grego, a palavra "andemos" é stoichomem, derivada de stoicheo, que significa: "pôr-se, andar, seguir em linha com". Isto quer dizer que o Espírito Santo está à nossa frente, no caminho para o céu, e nos convida a segui-lo. Em outras palavras, devemos viver de maneira que agrade a Deus, encarnando as virtudes alistadas nos versículos 22 e 23 do estudo em foco.
Conclusão
O fruto do Espírito é a manifestação de virtudes morais, produzidas na vida do crente que vive sob a poderosa influência ou direção do Espírito Santo. Essas qualidades morais e éticas contrastam radicalmente com as obras da carne. De qual dessas virtudes necessitamos ? O que precisamos fazer pra incorporá-las à nossa personalidade ? Está escrito que contra essas virtudes não há Lei (v. 23), ou seja, não há restrição ou condenação alguma, pois é para issi que a Lei existe.
domingo, 8 de junho de 2014
Apóstolos
No início deste livro vimos que os
apóstolos do Novo Testamento tinham um tipo singular de autoridade na igreja
primitiva: autoridade para falar e escrever palavras que eram “palavras de DEUS” em sentido absoluto.Não
acreditar neles ou desobedecer a eles era o mesmo que não crer em DEUS e
desobedecer a DEUS. Os apóstolos, portanto, tinham autoridade para escrever
palavras que se tornaram palavras da bíblia. Este fato por si só nos sugere que
havia algo de singular no ofício de apóstolo, e não esperaríamos que ele
continuasse hoje, porque atualmente ninguém pode acrescentar palavras à bíblia
e tê-las na conta de palavras de DEUS ou
como parte das escrituras. Além disso, os dados do novo testamento sobre as
qualificações e sobre a identidade de um apóstolo também nos levam a concluir
que o ofício era único e limitado ao primeiro século e que não devemos esperar
por mais apóstolos hoje. Veremos isso quando fizermos as seguintes perguntas:
Quais eram os requisitos para alguém ser apóstolo ? Quem foram os apóstolos ? Quantos apóstolos houve ? Há
apóstolos hoje? Desde o início deve ficar claro que as respostas para essas perguntas depende do que se quer
dizer com a palavra apóstolo . Hoje alguns usam a palavra apóstolo em um
sentido muito amplo parar se referir a um fundador de igrejas eficaz ou a um
missionário pioneiro de destaque ( por exemplo, William Carey foi um apóstolo
para a Índia ). Se usássemos a palavra nesse sentido amplo, todos concordariam
que há apóstolo ainda hoje - porque
certamente temos missionários atuantes e fundadores de igrejas. O
próprio novo testamento possui três versículos nos quais a palavra apóstolo
(Gr. Apóstolos) é usada em um sentido amplo, não para se referir a qualquer
ofício específico na igreja, mas simplesmente com o sentido de “mensageiro” . Em
Filipenses 2.25, Paulo chama Epafrodito “
vosso mensageiro ( apóstolos) e vosso auxiliar nas minhas necessidades” ; em 2
Coríntios 8.23, Paulo refere-se àqueles
que acompanharam a oferta que ele estava levando para Jerusalém como “ mensageiros
( apostoloi) das igrejas “ ; e em João 13.16, Jesus diz; ... nem é o enviado (
apóstolos) maior do que aquele que o enviou. Mas há outro sentido para a
palavra apóstolo. Com freqüência muito maior no Novo Testamento refere-se a um
ofício especial, apóstolo de Jesus Cristo. Nesse sentido estrito do termo, não
há mais apóstolos hoje, e não devemos esperar mais nenhum apóstolo. A razão
disso baseia-se no que o Novo Testamento diz sobre as qualificações de um
apóstolo e sobre quem foram eles. a . As qualificações de um apóstolo. As duas
qualificações de um apóstolo eram: (1) ter visto Jesus Cristo após a
ressurreição ( ser testemunha ocular da ressurreição) e (2) ter sido
especificamente comissionado por Cristo como seu apóstolo. O fato de que um
apóstolo tinha de ter visto o Senhor ressurreto é indicado em Atos 1.22, onde
Pedro diz que o substituto de Judas deve se tornar testemunha conosco de sua
ressurreição. Além disso foi aos apóstolos que escolhera que depois de ter padecido
se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante
quarenta dias ( At 1.2-3; cf. 4.33). Paulo dá muita importância ao fato de que
ele cumpriu esse requisito, mesmo que de forma incomum ( Cristo apareceu-lhe em
uma visão na estrada de Damasco e o designou apóstolo: At 9.5-6; 26.15-18).
Quando defendeu seu apostolado, afirmou: Depois
foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afina, depois de
todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora do tempo. Porque eu
sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo ( 1
Co 15.7-9). Esses versículos indicam que só podia ser apóstolo alguém que
tivesse visto Jesus após a ressurreição. A segunda qualificação, uma designação
específica dada por Cristo, é também evidente em muitas passagens. Primeiro,
mesmo que o termo apóstolo não seja comum nos evangelhos, os doze discípulos
são chamados apóstolos especificamente em um contexto onde Jesus os comissiona,
enviando-os para pregar em seu nome. Tendo chamado os seus doze discípulos,
deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar
toda sorte de doenças, e enfermidades. Ora os nomes dos doze apóstolos são
estes (...) A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções : ...
à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus (Mt 10.1-7).
Da mesma forma, Jesus comissiona seus apóstolos em um sentido especial para
serem suas testemunhas ( ...) até os confins da terra (At 1.8) . E, escolhendo
outro apóstolo para substituir Judas, os onze apóstolos não chamaram a
responsabilidade para si mesmos, mas oraram e pediram ao Cristo que subira ao
céu que fizesse a indicação: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos,
revela-nos qual destes dois tens escolhido,para preencher a vaga neste
ministério e apostolado, do qual Judas se transviou... E os lançaram em sortes,
vindo a sorte a recair sobre Matias, sendo-lhe então votado lugar com os onze
apóstolos ( At 1.24-26). Paulo mesmo insiste que o próprio Cristo o designou
apóstolo. Ele conta como, na estrada de
Damasco, Jesus disse que o estava designando como apóstolo dos gentios: ...
porque por isto te apareci, para te
constituir ministro e testemunha(...) livrando-te do povo e dos gentios, para
os quais eu te envio ( At 26.16-17). Ele, mais tarde, afirma que foi
especificamente designado por Cristo como apóstolo ( veja Rm 1.1; Gl 1.1; 1 Tm
1.12; 2.7; 2Tm 1.11).
Wayne Grudem
terça-feira, 3 de junho de 2014
A vontade de Deus
Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano?
Agradar-se-á
o senhor de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?
Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?
Miquéias 6.6-8
Viver no centro da vontade de Deus deve ser a aspiração do crente que é sincero em sua prática cristã. Todo esforço nesse sentido é sem dúvida extremamente compensador. Na oração dominical, Jesus Cristo ensina que parte dos nossos pedidos a Deus deve incluir a força necessária para nos adequarmos às sua santas e justas exigências ("... venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu"- Mt 6.10). Como Cristo afirmou, no céu, a vontade de Deus é plenamente realizada, mas na terra nem sempre ( e é aqui que a Igreja entra para fazer a diferença), e com certeza no inferno ela é absolutamente contrariada. Será que estamos realmente dispostos a obedecer, a sermos submissos à vontade revelada de Deus?
O profeta Miquéias exerceu seu ministério no mesmo período de Isaías (750-686 a.C.), e a sua mensagem produziu arrependimento no rei Ezequias, que mais tarde resultou a salvação de Jerusalém e depois de todo o reino de Judá. Diante daquele quadro de corrupção política e religiosa que imperava, Miquéias anuncia o merecido juízo divino caso não houvesse uma adequada mudança. No texto em foco, o profeta critica a forma puramente exteriorizada e ritualista de adoração da nação a Iavé, e em seguida apresenta no versículo 8 do texto em foco, três pontos básicos que destacam a prática religiosa que verdadeiramente agrada a Deus.
Cumprimos a vontade de Deus não de boca, mas de atos concretos de obediência à sua Palavra.
1-"... O Senhor pede de ti: que pratiques a justiça".
Veja como outras versões traduziram este texto: "praticar o direito" (BJ); "pratique a justiça" (NVI); "ser honesto" (BV); "façamos o que é direito" (BLH); "solamente hacer justicia" (CR-versão espanhola). Em primeiro momento, todo ser humano precisa entender que é culpado diante de Deus-pelos seus pecados- e a única maneira de satisfazer a justiça divina é reconhecer isso e se refugiar na justiça de Cristo (veja Ro 3.24). O sacrifício redentor de Cristo no Calvário é o "peso" que nos falta, quando encaramos a "balança" do julgamento final de Deus (veja Dn 5.27; Sl 62.9; Ap 20.12).
O que leva uma pessoa conhecedora do evangelho de Cristo a praticar as obras da carne (ganância, inveja, ciúme etc.) como se fosse ímpio ou como desconhecesse a lei de Deus? O que motiva um crente a agir com desonestidade com o seu próximo (com avareza), buscando com isso obter vantagem econômica ou algo semelhante? Sem dúvida, é o afastamento lento e progressivo do próprio Deus e o envolvimento sutil com as obras das trevas (suborno, propina, roubo, mentira, procedimento indigno; veja Rm 13.12). Está em vista uma espécie de crente egoísta e materialista (Cl 3.5), que ainda não aprendeu a se contentar com o que é necessário e quer enriquecer a todo custo (Tm 6.9).
O termo "justiça" no hebraico é tsedeq, e faz referencia ao padrão de moralidade e ética determinados nas Escrituras. Devemos, entretanto, notar que muito mais do que entender o termo, Deus espera que pratiquemos, ou seja, vivamos a justiça. Que atitudes revelam que estamos vivendo de modo reto, honesto, justo? Isto não se reflete diretamente em nosso relacionamento com outras pessoas?
Praticar a justiça é o mesmo que ser cumpridor de nosso deveres; ser bom pagador; ser pessoa de uma só palavra; jamais aceitar ou pagar suborno, propina ou coisas semelhantes; ser justo tem a ver com um estilo de vida correto, irrepreensível (nos negócios, política etc.), honesto e imparcial no juízo ; é justo quem trata os seus semelhantes com equidade, respeito ou como gostaria de ser tratado (veja Mt 7.12).
2- "... O Senhor pede de ti: que (...) ames a misericórdia".
Como outras versões traduziram este texto: "gostar do amor" (BJ); "ame a fidelidade" (NVI); "ames a beneficência " (ARC); "saber amar e perdoar" (BV); "amemos uns aos outros com dedicação" (BLH); "y amar misericórdia" (CR-versão espanhola).
O termo hebraico para "misericórdia" é hesed, mas também pode traduzir-se por "bondade", "generosidade", "compaixão", "fidelidade" etc. Além de fazermos o que é direito, Deus deseja que demonstremos verdadeiro amor, piedade pelos que sofrem. Que atitudes revelam que estamos amando nosso semelhante? Não é se envolvendo em campanhas humanitárias ou caridosas, buscando meios de socorrer ou mitigar a fome, o frio e outras coisas semelhantes, e, sobretudo levando Cristo a eles pela evangelização?
O favor de Deus não se compra (veja Dt 28.1-14), se conquista. Deus tem prazer em abençoar a seus filhos obedientes (veja Dt 28.1-14), corretos em seus negócios, cumpridores de seus deveres, que é sensível com a necessidade alheia etc.
Amar a misericórdia é o mesmo que demonstrar verdadeira compaixão pelos que sofrem (como o "bom samaritano"; veja Lc 10.33-37), por meio de atos de bondade; ser misericordioso é qualidade de quem realmente possui a "natureza de Deus" em franco desenvolvimento dentro de si (2Pe 1.4; Rm 8.29), porque Deus é misericordioso (Lc 6.36).
3- "...O Senhor pede de ti: que (...) andes humildemente com o teu Deus".
Como outras versões traduziram o texto: "caminhar humildemente com o teu Deus" (BJ; "ande humildemente com o seu Deus" (NVI); "ser humilde diante do seu Deus" (BV); "vivamos em humilde obediência ao nosso Deus" (BLH); "y humillarte ante tu Dios" (CR-versão espanhola).
Deus não esta interessado no "quanto" (v 6.7) nos podemos lhe oferecer, mas no "que", ou seja, no sacrifício de nos mesmos (veja Rm 12.1), de corações quebrantados, de abnegação e obediência verdadeira a sua Palavra (Sl 51.14-17).
Andar humildemente diante de Deus é o mesmo que se submeter a Ele, ou obedecer a Sua Palavra (veja Tg 4.7a). Pra "andar com Deus" como Enoque (que agradou a Deus, porque Lhe era obediente; Hb 11.5) ou Elias (2 Rs 2.11), é preciso antes de tudo discernir quem Ele é! "Andar" é uma referencia ao nosso viver cotidiano, que deve ser cuidadoso, pois o Senhor não comunga com o pecado, pois Ele é santo. Quem "anda" com Deus deve acertar o passo com Ele, não pode andar na frente (quem faz somente o que quer) nem atrás (quem é demorado para obedecer) Dele.
Conclusão
Essas três exigências divinas tem aplicação permanente, mas somente para pessoas de bem, seja no tempo ou no lugar que for. Ser honesto, ter compaixão dos necessitados e manter uma vida de simplicidade e obediência a Palavra de Deus são requisitos obrigatórios na vida de quem tem real compromisso com Jesus Cristo. Inclusive já havia declarado que seus discípulos seriam conhecidos pela prática do amor ao próximo (veja Jo 13.35). Há muita gente preocupada mais com a "exteriorização" da sua prática religiosa - por meio de usos e costumes - do que com a obediência aos preceitos que realmente fundamentam a fé cristã. Na visão de Cristo, isso é "puro farisaísmo" (Mt 23.23; Lc 12.1).
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Tornando- se semelhante a Cristo
Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano;
E vos renoveis no espírito da vossa mente;
E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.
Efésios 4.22-24
O novo nascimento dá ao crente a condição básica para tornar-se semelhante a Jesus Cristo no caráter, pois a Bíblia diz que após essa experiência, a natureza de DEUS é implantada em nosso espírito (veja 1 João 3.9; 2 Pedro 1.4). essa "metamorfose" espiritual acontece lenta e progressivamente por meio da santificação. O Espírito de Deus emprega cada situação da vida, bem como todo novo nascimento das Escrituras que adquirimos para reconstruir essa semelhança divina em cada um de nós ( 2Coríntios 3.18; 2 Pedro 3.18). Além disso, a Bíblia apresenta de maneira geral três deveres, e devemos cumprir para nos tornarmos semelhantes a Jesus Cristo.
A santificação restaura a semelhança que tínhamos ( em Adão) com nosso criador.
1- Precisamos abandonar a maneira antiga de agir.
O texto em estudo é claro:"...no sentido de que, quanto ao tratado passado, vos despojeis do velho homem"(v.22). A Bíblia traz esse texto da seguinte forma: "então desfaçam-se dessa velha natureza má- o velho "eu" que era parceiro nos seus caminhos- completamente apodrecida, cheia de imoralidades e engano".
Antes de conhecemos a Cristo, éramos orientados pelo espírito da desobediência (veja Efésios 2.1-3). Como escravos do engano, fazíamos tudo que agradava a carne e éramos por natureza inimigo de Deus (Tiago 4.4). Mas agora que Cristo nos salvou, devemos manifestar frutos compatíveis com a vida cristã. Não podemos mais ser dirigido por desejos ou impulsos vis, malignos, indecentes que pertenciam à antiga maneira de viver.
Nossas ações devem ser baseadas na Palavra. Não podemos mais reproduzir atitudes que a Bíblia condena (por exemplo: 1 Coríntios 6.9-11). Jesus afirmou que os discípulos são o sal da terra e a luz do mundo (veja Mateus 5.13-14), e isto significa dizer que somos responsáveis por manter os valores do Reino de Deus e também em dar bom testemunho do Evangelho.
2- Precisamos mudar a maneira de pensar
O pensamento molda a ação (veja Provérbios 23.7), por essa razão devemos criar o maravilhoso hábito de estudar, meditar na Bíblia todos os dias, pois é por meio dela que a nossa maneira de pensar vai mudando. Jesus Cristo afirmou que a libertação (de hábitos, idéias ou conceitos errados) acontece quando conhecemos a verdade (João 8.32).
O texto em estudo diz:"...e vos renoveis no espírito do vosso entendimento" (v.23). Há duas palavras-chave neste versículo:1) Renovar, que significa; Tornar novo; mudar ou modificar para melhor; recomeçar etc. 2) Entendimento, cujo significado é: Faculdade de compreender, de pensar ou de conhecer. Em outras palavras, nos tornamos semelhantes a Cristo quando continuamente passamos a pensar segundo as Escrituras. Isto é o mesmo que permitir que Deus governe os nossos pensamentos.
Quando nosso pensamento é dirigido, programado, pela Bíblia, é possível planejar ações moralmente corretas, sobre isto Paulo escreveu aos Filipenses; "Finalmente, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento" (4.8). Muita informação disponível na TV e em outros meios serve apenas para contaminar nossa mente, precisamos nos disciplinar nesse ponto.
3-Precisamos nos conformar à imagem de Cristo
No versículo 24, lemos:"...e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade". A imagem de Cristo é espiritual, e tem a ver com o Seu caráter. Os aspectos do caráter de Jesus são exemplificados no fruto do Espírito. Precisamos daquelas nove qualidades morais e éticas para nos tornarmos semelhantes ao Senhor. O Espírito Santo nos ajuda a viver em novidade de vida, e a desenvolver novos e saudáveis hábitos de conduta(por exemplo: agir certo, perdoar, descansar no Senhor, falar o que edifica etc).
Somos discípulos de Cristo, portanto, Ele é o nosso modelo ou exemplo em todos os aspectos. Muito do que manifestamos no dia-a-dia ainda é resquício da forma antiga e mundana de viver (veja Tiago 1.21; 1João 2.15-17; Romanos 12.2). Somente seremos felizes no exato momento em que sentirmos que as mudanças (progressivamente) estiverem ocorrendo em nós.
O alvo de todo crente nascido de novo deve ser o crescimento espiritual, ou seja, a maturidade (veja Efésios 4.12-16). A essência da maturidade é a semelhança espiritual com Cristo, e ficamos parecidos com Ele quando pensamos, falamos e agimos como Ele. Quaisquer que sejam as nossas ações ou palavras, tudo deve ser completamente "embalado pelo amor", pois é amando que comprovamos a nossa filiação celestial (1 João 4.7). A Bíblia diz:" Todos os vossos atos sejam feitos com amor" ( 1 Coríntios 16.14).
Conclusão
Devemos nos aliar ao Espírito de Deus nessa difícil tarefa de reconstrução de nosso caráter.
Quando é que nos tornamos um estorvo para o Espírito Santo? Não é mentindo, entristecendo e apagando a Sua influência de sobre nós? (veja Atos 5.3; Efésios 4.30; 1Tessalonicenses 5.19). Ninguém sabe tudo nem consegue tudo de uma só vez, é por meio do discipulado, da continuação na vida cristã, da permanente crucificação do velho homem que vamos sendo transformados à imagem moral e ética de Cristo Jesus.
Valter Bastos
terça-feira, 27 de maio de 2014
Os falsos milagres
Os mágicos do faraó foram capazes de operar alguns falsos milagres (Êx 7.11, 22; 8.7), embora logo depois tenham sido obrigados a admitir que o poder de Deus era maior (Êx 8.19). Simão, o mágico da cidade de Samaria, assombrava as pessoas com suas mágicas (At 8.9-11), ainda que os milagres realizados por intermédio de Filipe fossem muito maiores (At 8.13). Em Filipos, Paulo encontrou uma moça escrava "possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores" (At 16.16), mas Paulo repreendeu o espírito, que dela saiu (At 16.18). Além disso, Paulo diz que quando o iníquo vier, virá "com poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecerem" (2 Ts 2.9-10), mas aqueles que os aceitarem e forem enganados o farão "porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2.10). Isso indica que aqueles que operarão falsos milagres no final dos tempos pelo poder de Satanás não falarão a verdade , mas pregarão um falso evangelho. Finalmente, Apocalipse 13 indica que uma segunda besta irá emergir "da terra", aquela que detém "toda autoridade da primeira besta" e que "opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer a terra, diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta" (Ap 13.11-14). Mas novamente um falso evangelho acompanha esses milagres: esse poder é exercido em associação com a primeira besta, que profere "arrogâncias e blasfêmias [...] abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo" (Ap 13.5-6).
Duas conclusões se aclaram diante dessa breve investigação dos falsos milagres nas Escrituras: (1) o poder de Deus é maior do que o poder de Satanás para operar sinais miraculosos, e o povo de Deus triunfa nos confrontos de poder com os que fazem o mal. Com respeito a isso, João assegura os crentes de que "maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo" (1Jo 4.4). (2) A identidade desses operadores de falsos milagres é sempre conhecida pela negação do evangelho. Não se sugere em lugar nenhum das Escrituras que cristãos verdadeiros, inspirados pelo Espírito Santo, operarão falsos milagres. De fato, numa cidade tomada pela idolatria e pela demonolatria (ver 1 Co 10.20), Paulo disse aos crentes coríntios, muitos deles oriundos desse tipo de prática pagã, que "ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo" (1Co 12.3). Aqui ele lhes garante que aqueles que fazem uma genuína profissão de fé em Jesus como Senhor realmente tem em si o Espírito Santo. É significativo que ele imediatamente passe a falar sobre os dons espirituais de "cada' verdadeiro crente (1Co 12.7).
Isso nos deve dar a certeza de que, se virmos milagres operados por quem faz uma genuína profissão de fé (1Co 12.3), que cre na encarnação e na divindade de Cristo (1 Jo 4.2) e que revela o fruto do Espírito Santo na sua vida e dá fruto em seu ministério (Mt 7.20; cf. Jo 15.5; Gl 5.22-23), não devemos desconfiar de que sejam falsos milagres, mas sim nos mostrar gratos a Deus pela ação do Espírito Santo, mesmo naqueles que talvez não tenham exatamente as mesmas convicções que nós em toda questão doutrinária.
Na verdade, se Deus pretendesse operar milagres só por intermédio daqueles que fossem perfeitos na doutrina e na conduta, milagre nenhum se faria até a volta de Cristo.
Wayne Grudem
domingo, 25 de maio de 2014
O que é orar em nome de Jesus?
Igualmente, diz: "Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa" (Jo 16.23-24; cf. Ef 5.20). Mas o que isso significa?
É Nítido que não significa simplesmente acrescentar a expressão "em nome de Jesus" depois de cada oração, pois Jesus não disse: Se pedirem alguma coisa e acrescentarem as palavras em nome de Jesus após a oração, eu o farei. Jesus não está meramente falando de acrescentar determinada palavras, como se fossem uma espécie de fórmula mágica que daria poder as nossas orações. Na verdade, nenhuma das orações registradas nas Escrituras trazem a expressão " em nome de Jesus" ao final ver (Mt 6.9-13; At 1.24-25; 4.24-30; 7.59; 9.13-14; 10.14; Ap 6.10; 22.20).
Se nos apresentamos em nome de alguém, isso significa que a outra pessoa nos deu permissão para que nos apresentássemos com a autoridade dela, não com a nossa.
Quando Pedro ordena ao coxo: "Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!" (At 3.6), ele fala com a autoridade de Jesus, não com sua própria autoridade. Quando o Sinédrio pergunta aos discípulos: "Com autoridade de quem vocês fizeram isto?" Quando Paulo repreende um espírito impuro" em nome de Jesus Cristo" (At 16.18), ele deixa claro que o faz com autoridade de Jesus, não com a sua. Quando Paulo pronuncia o juízo "em nome do Senhor Jesus" (1Co5.4) acerca de um membro da igreja culpado de imoralidade, age com autoridade do Senhor Jesus. Orar em nome de Jesus é portanto oração que se faz com autorização dele.
Num sentido mais amplo, o "nome" de uma pessoa no mundo antigo representava a própria pessoa e, portanto, a totalidade do seu caráter. Te "bom nome" (Pv 22.1; Ec 7.1) era ter boa reputação. Assim, o nome de Jesus representava tudo o que ele é, todo o seu caráter. Isso significa que orar "em nome de Jesus" não é só orar com sua autoridade, mas também orar de modo compatível com o seu caráter, que verdadeiramente o represente e reflita o seu modo de vida e a sua própria santa vontade. Nesse sentido, orar em nome de Jesus se aproxima da idéia de orar "segundo a sua vontade" (1Jo 5.14-15).
Isso significa, então, que é errado acrescentar "em nome de Jesus" ao final das nossas orações? Absolutamente não, desde que compreendamos o que significa, e que não é necessário faze-lo. Pode haver algum perigo, porém, em acrescentar essa expressão a cada oração pública ou privada que façamos, pois logo se tornará para as pessoas simplesmente uma fórmula a que atribuem muito pouco significado, recitando-a sem pensar. Pode passar a ser encarada, pelo menos por crentes mais imaturos, como uma espécie de fórmula mágica que torna a oração mais eficaz. Para evitar esse equívoco, é possível que seja mais inteligente decidir não usar a fórmula com frequência, expressando a mesma idéia com outras palavras, ou simplesmente na atitude global e na forma de fazer a oração. Por exemplo, é possível começar assim as orações: "Pai, vimos a ti com a autoridade de nosso Senhor Jesus, teu Filho..."ou "Pai, não vimos com nossos próprios méritos, mas com os méritos de Jesus Cristo, que nos convidou a comparecer perante ti..." ou "Pai, agradecemos-te por perdoar os nossos pecados e por nos dar acesso ao teu trono pela obra de Jesus , teu Filho...". Noutras ocasiões, não seriam necessários esses reconhecimentos formais, contanto que nosso coração tenha sempre a consciência de que é nosso Salvador que nos permite orar ao Pia. A oração genuína é uma conversa com uma pessoa que conhecemos bem, e que também nos conhece. Essa conversa verdadeira entre pessoas que se conhecem jamais depende do uso de fórmulas decoradas ou palavras determinadas, mas é uma questão da sinceridade do nosso discurso e do nosso coração, uma questão de atitudes corretas e do estado do nosso espírito.
Wayne Grudem
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