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domingo, 7 de setembro de 2014

Será que percebo uma tendência constante de crescimento na minha vida cristã?



Os primeiros dois fatores de certeza da salvação têm que ver com a fé presente e a prova da obra do Espírito Santo em nós. Mas Pedro dá mais um tipo de teste que podemos fazer para verificar se somos crentes autênticos. Ele nos diz que há algumas virtudes que, cultivadas continuamente, garantem que não tropeçaremos "em tempo algum" (2Pe 1.10). Ele aconselha aos seus leitores acrescer à sua fé "virtude [...] conhecimento [...] domínio próprio [...] perseverança [...] piedade [...] fraternidade [...] amor" ( 2Pe 1.5-7). Depois diz que essas coisas devem existir nos seus leitores, "aumentando" continuamente (2Pe 1.8). Pedro ainda acrescenta que eles devem procurar "com diligência cada vez maior, confirmar a [...] vocação e eleição [deles]" e diz depois que "procedendo assim (literalmente, "fazendo essas coisas", com referência às virtudes mencionadas nos v. 5-7), não tropeçareis em tempo algum" ( 2Pe 1.10).

O modo de confirmar a vocação e eleição é, então, continuar crescendo "nessas coisas". Isso implica que a nossa certeza de salvação pode crescer ao longo do tempo. A cada ano em que aumentamos essas virtudes, obtemos mais e mais certeza da salvação, essa certeza pode crescer e transformar-se numa convicção ainda maior ao longo dos anos, desde  que eles cresçam na maturidade cristã. Se eles perseverarem no cultivo dessas coisas, confirmarão a sua vocação e eleição e não tropeçarão "em tempo algum".

O resultado dessas três perguntas que podemos fazer a nós mesmos deve ser uma certeza mais firme para os verdadeiros crentes. Dessa forma a doutrina da perseverança dos santos será uma doutrina tremendamente tranquilizadora. Ninguém que tenha tal certeza deve perguntar-se: "Serei capaz de perseverar até o final da vida, sendo portanto Salvo?" Todos os que adquirem essa certeza por meio desse exame de consciência devem pensar de outro modo: "Verdadeiramente nasci de novo; logo, com toda a certeza perseverarei até o final, pois sou guardado 'pelo poder de Deus' que age por intermédio da minha fé (1Pe 1.5) e, portanto, jamais me perderei. Jesus me ressuscitará no último dia e entrarei no seu reino para sempre" (Jo 6.40).

Por outro lado, essa doutrina da perseverança dos santos, desde que corretamente compreendida, deve causar sincera preocupação, medo até, no coração de todos os que "regridem" ou se desviam de Cristo. Essas pessoas devem ser claramente prevenidas de que só aqueles que perseveraram até o fim realmente nasceram de novo. Se elas abandonaram a sua profissão de fé em Cristo e a obediência a Ele, podem na verdade não ter sido salvas - de fato, os indícios que dão agindo assim é que não são salvas e, portanto, de que jamais foram salvas. Uma vez que deixem de confiar em Cristo e de obedecer a Ele (e falo aqui em termos de provas exteriores), perdem  certeza da salvação e devem considerar-se, portanto, não salvas, buscando a Cristo em arrependimento e rogando-lhe o perdão dos pecados.

Neste ponto, em termos de zelo pastoral para com aqueles que se desviaram da sua confissão cristã, convém perceber que os calvinistas e os arminianos (os que crêem na perseverança dos santos e os que pensam que os cristãos podem perder a salvação) darão os mesmos conselhos ao homem que se perde. Segundo os arminianos, essa pessoa foi cristã por certo tempo mas já não o é. Segundo os calvinistas, essa tal pessoa jamais foi realmente cristã, e agora também não o é. Mas nos dois casos o conselho bíblico a ser dado é o mesmo: "Você não parece ser cristão hoje - precisa se arrepender dos seus pecados e confiar na salvação de Cristo!" Embora os calvinistas e os arminianos divirjam na interpretação da história regressa, certamente concordariam a respeito do que deve ser feito no presente.

Mas vemos aqui porque a expressão segurança eterna pode facilmente levar a equívocos. Em algumas igrejas evangélicas, em vez de ensinar a apresentação plena e equilibrada da doutrina da perseverança dos santos, os pastores às vezes ensinam uma versão diluída, que na prática diz às pessoas que todos os que um dia fizeram uma profissão de fé e foram batizados estão "eternamente seguros". O resultado é que algumas pessoas que não se converteram verdadeiramente podem "ir à frente" no final de um sermão evangelístico e confessar a fé em Cristo, e podem ser batizadas logo depois disso; porém mais tarde podem deixar a comunidade da igreja e levar uma vida igual à que viviam antes de obter essa "segurança eterna". Desse modo dá-se uma falsa certeza, enganam-se cruelmente as pessoas, que então passam a crer que irão para o céu, apesar de não ser isso verdade.

Wayne Grudem

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