terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Nenhuma nova revelação!
"Em quem [Cristo] 'estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência' (Cl. 2:3) com tamanha abundância e riqueza que quer esperar por ou buscar qualquer nova adição a estes tesouros é verdadeiramente levantar a ira de Deus e provocá-lo contra nós. É para nós esfomear por, buscar, olhar para, aprender e estudar Cristo somente, até chegar aquele grande dia quando o Senhor irá completamente manifestar a glória do seu Reino (cf. 1 Co 15:24) e irá mostrar-se a si mesmo para nós o vermos como Ele é (1 Jo 3:2). E por esta razão esta nossa era é designada nas Escrituras de 'última hora' (1 Jo 2:18), os 'últimos dias' (Hb 1:1), os 'últimos tempos' (1 Pe 1:20), que ninguém se iluda a si próprio com uma vã expectação de uma nova doutrina ou revelação. 'Havendo Deus antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, a nós, falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho' (Hb 1:1-2), quem somente pode revelar o Pai (Lc 10:22); e Ele tem de facto manifestado o Pai plenamente, tanto quanto nós pedirmos, enquanto nós agora vemo-lo num espelho (1 Co 13:12)" (Institutes 4.18.20).
"Isto, entretanto, permanece certo: a perfeita doutrina que Ele trouxe tornou-se num fim todas as profecias. Todos aqueles, então, que não contentes com o evangelho, remendam-no com algo estranho, excluída da autoridade de Cristo. A voz que trovejou do céu, 'Este é o meu Filho amado; ... ouçam-no' (Mt 17:5); cf Mt 3:17), exaltou-o por um privilégio singular além do alcance de todos os outros. Então esta unção foi difundida da Cabeça para os membros, como Joel havia predito: 'Vossos filhos profetizarão e vossas filhas ... terão visões,' etc. (Jl 2:28). Mas quando Paulo diz que Ele foi-nos dado a nós como nossa sabedoria (1 Co 1:30), e noutro lugar, 'Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2:3), ele tem algo ligeiramente diferente em mente. Isso é, fora de Cristo, não há nada que valha conhecer, e todos os que pela fé percebem como Ele é têm alcançado toda a imensidão dos benefícios celestiais. Por esta razão, Paulo escreve numa outra passagem: 'nada precioso me propus saber, entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado' (1 Co 2:2). Isto é muito verdade, porque não é permitido ir além da simplicidade do evangelho e a dignidade profética em Cristo conduz-nos a conhecer que na soma da doutrina como no-la tem dado a nós estão contidas todas as partes da perfeita sabedoria" (Institutes 2.15.2).
"E quando ele fala de os últimos tempos, Ele intima que não há mais nenhuma razão para esperar nova revelação; porque não foi uma palavra em parte que Cristo trouxe, mas a conclusão final. É neste sentido que os apóstolos tomam 'os últimos tempos' e 'os últimos dias'. 'E Paulo quer dizer o mesmo quando diz, 'para quem já são chegados os fins dos séculos' (1 Co 10:11). Se Deus então falou pela última vez, é certo avançar até aqui; como também quando tu vens a Cristo, tu não deves ir além: e estas duas coisas são muito necessárias para nós sabermos. Porque foi um grande obstáculo para os judeus que eles não consideravam que Deus tinha reservado uma revelação mais completa para outro tempo; assim, estando satisfeitos com a sua própria lei, eles não avançavam para o alvo. Mas desde que Cristo apareceu, um mal oposto começou a prevalecer no mundo; porque os homens desejaram avançar além de Cristo. Que mais é todo o sistema do papado, mas o ultrapassar dos limites que o apóstolo fixou? Assim pois, o Espírito de Deus nesta passagem convida todos a vir tão só a Cristo, e então os proíbe de irem além no tempo que resta que ele menciona. Em suma, o limite da nossa sabedoria é dita aqui ser o Evangelho" (Coment. em HB 1:1)
terça-feira, 30 de agosto de 2016
A Causa Eficiente da Regeneração
A Causa Eficiente da Regeneração
Há somente três conceitos fundamentais diferentes a considerar, e todos os demais são modificações destes.
1. A VONTADE HUMANA. De acordo com a concepção pelagiana, a regeneração é unicamente um ato da vontade humana, e é praticamente idêntica à autorreforma.
Com algumas diferenças ligeiras, este é o conceito da Teologia Liberal moderna. Uma modificação deste conceito é a dos semipelagianos e arminianos, que a consideram, ao menos em parte, como um ato do homem, cooperando com influências divinas aplicada mediante a verdade. Esta é uma teoria sinergista da regeneração. Estes dois conceitos envolvem uma negação da depravação total do homem, tão claramente ensinada na Palavra de Deus, Jo 5.42; Rm 3.9-18; 7.18,23; 8.7; 2Tm 3.4, e da verdade bíblica de que é Deus que inclina a vontade do homem, Rm 9.16; Fp 2.13.
2. A VERDADE. Segundo este conceito, a verdade, como um sistema de motivos, apresentada à vontade humana pelo Espírito Santo, é a causa imediata da mudança da impureza para a santidade. Esta era a ideia de Lyman Beecher e de Charles G. Fynney. Este conceito presume que a obra do Espírito Santo difere da do pregador apenas em grau. Ambos agem somente pela persuasão. Mas esta teoria é inteiramente insatisfatória. A verdade só poderá ser um motivo para a santidade se for amada, e o homem natural não ama a verdade, mas a odeia, Rm 1.18,25. Consequentemente, a verdade, apresentada externamente, não pode ser a causa eficiente da regeneração.
3. O ESPÍRITO SANTO. O único conceito adequado é o da Igreja de todos os séculos, de que o Espírito Santo é a causa eficiente da regeneração. Significa que o Espírito Santo age diretamente no coração do homem e muda sua condição espiritual. Não há nenhuma cooperação do pecador nesta obra. É obra do Espírito Santo, direta e exclusivamente, Ez 11.19; Jo 1.13; At 16.14; Rm 9.16; Fp 2.13. Então, a regeneração deve ser concebida monergisticamente. Só Deus age, e o pecador não participa em nada desta ação. Isto, naturalmente, não significa que o homem não coopera com o Espírito de Deus nos estágios posteriores da obra de redenção. É mais que evidente na Escritura que o faz.
Autor: Louis Berkhof
Fonte: Teologia Sistemática/ Louis Berkhof; traduzido por Odayr Olivetti. - 4ª Ed. Revisada - São Paulo: Cultura Cristã, 2012. pág 436.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Apologética
É por demais frequente que irmãos e irmãs bem - intencionados entrem no meio da briga, ansiosos por enfrentar o inimigo, só para serem eles mesmos tomados ou massacrados perante espectadores animados. É por isso que nos é dito: "... estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor" (1Pe 3.15) com relação ao inquiridor.
Nessa passagem, a ênfase está sobre estar preparado.
Quando Paulo foi até o Areópago para apresentar as reivindicações do Cristianismo, em Atos 17, ele não o fez com um conjunto de argumentos reducionistas ou referências ao seu testemunho pessoal do que Deus havia feito por ele. Ele tampouco ignorou o contexto. Ao citar de memória a poesia e prosa de filósofos gregos seculares, Paulo edificou pontes de compreensão. Ele o fez, não ao confundir as coisas terrenas (a própria filosofia grega) com as celestiais (a verdade última sobre Deus e a revelação natural que os seus ouvintes possuíam, e então retirando a escada quando chegou à discussão das questões reservadas para a revelação especial (a Escritura). A revelação natural (nesse caso, a verdade que havia na filosofia grega) foi útil até certo ponto, mas para continuar a discussão e proclamar a verdade sobre Deus e a condição humana, o juízo e a salvação, o apóstolo teve que depender da revelação especial: o relato da obra e da morte e da ressurreição de Cristo, bem como o seu direito de julgar. Paulo entendeu e explorou a verdade da visão secular do mundo, mas julgou os erros a partir da Escritura.
Os que desconhecem a força daquilo que faz parte da escravidão do incrédulo nunca saberão como libertá-lo. Isso não quer dizer que todo cristão tenha que se tornar imediatamente um perito em todas as ramificações da sabedoria e do conhecimento da história humana, mas significa, sim, que o testemunho cristão não pode ser ingênuo. Ele não pode simplesmente ridicularizar a incredulidade.
Como já vimos, existem grandes riscos em ignorar a mente secular - não só porque, como disse Calvino, perdemos os dons de Deus distribuídos até mesmo aos incrédulos por sua graça comum, mas porque nós ficamos sem ter como saber a extensão na qual nós mesmos fomos formados, ainda que indiretamente, por essas tendências do pensamento secular. Quando lemos Pragmatism de James ou o tratado de Mills sobre o Utilitarismo, começamos a reconhecer algumas das forças que forjaram a nossa cultura e, portanto, o nosso próprio pensamento como cristãos. Não podemos nos divorciar do nosso tempo e lugar, do mesmo modo que um asiático ou um africano não pode se distanciar do seu contexto, e é ingenuidade pensar que simplesmente lemos a Bíblia sem nenhum antolho cultural. A fim de julgar as nossas idéias, temos que reconhecer duas coisas da melhor maneira que pudermos: as forças do mundo que formam os nossos pensamentos, e as verdades da Escritura, que corrigem os nossos pensamentos e revelam Deus e suas promessas de salvação para nós. Os que não se preocupam em ler livros seculares serão empobrecidos e suscetíveis à sedução sutil e indireta, enquanto os que não se preocupam em estudar com cuidado a Escritura perderão o seu único fio de prumo para julgar a verdade em contraposição ao erro, a crença em contraposição à incredulidade, o certo em contraposição ao errado. Os que conhecem a Escritura e a sua cultura têm a capacidade de reconhecer a verdade e rejeitar a falsidade quando a escutam ou lêem - seja na literatura secular ou do púlpito.
Autor: Horton, Michael Scott
Fonte: O cristão e a cultura / Michael Scott Horton. [tradução Elizabeth Stowell Charles Gomes]. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. págs 61,62.
domingo, 21 de agosto de 2016
Cristo como a verdadeira imagem de Deus
Ao perguntarmos a respeito do que devemos entender por imagem de Deus, somos lembrados do fato de que, no Novo Testamento Cristo é chamado de imagem de Deus por excelência; ele é a "imagem do Deus invisível" (Cl 1.15). Se querermos, portanto, realmente saber como é a imagem de Deus no homem, devemos primeiro olhar para Cristo. Isso significa, entre outras coisas, que o fundamental na imagem de Deus não são qualidades tais como razão ou inteligência; mas pelo contrário, o amor, pois, mais do que tudo, o que se destaca na vida de Cristo é o seu maravilhoso amor. Em Cristo, portanto, vemos de forma clara o que está escondido em Gênesis 1, a saber: a imagem perfeita de Deus que o homem deveria ser.
Observando Jesus Cristo, percebemos haver uma dupla estranheza a respeito dele. Há, primeiro, a estranheza de sua divindade. Ele é o Deus-homem, aquele que se atreve dizer que ele e o pai são um - uma afirmação que fez os judeus o acusarem de blasfêmia (Jo 10.31-33). É aquele que perdoa pecados - algo que somente Deus pode fazer. É aquele que até ousa dizer: "Antes que Abraão existisse, EU SOU!" (Jo 8.58).
Mas há também a estranheza com relação à sua humanidade. Embora genuinamente humano, é ímpar em sua humanidade. É totalmente sem pecado. Sua obediência ao Pai é perfeita; sua vida de oração, incomparável; seu amor pelas pessoas, insondável. E, de repente, percebemos que essa estranheza nos faz sentir vergonha, porque ela nos diz o que todos nós deveríamos ser. A estranheza no Jesus humano é como um espelho colocado diante de nós; é uma estranheza exemplar, pois nos diz qual a vontade de Deus para cada um de nós.
Quando observamos mais detalhadamente a vida de Cristo, vemos que ele era, em primeiro lugar, inteiramente voltado para Deus. No começo de seu ministério, embora extremamente tentado pelo diabo, Jesus resistiu à tentação, em obediência ao Pai. Ele costumava passar noites inteiras em oração ao Pai. Ele disse, uma vez: "A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra" (Jo 4.34). Ao final de usa vida terrena, quando defrontava-se com o terrível sofrimento que haveria de suportar como Salvador de seu povo, ele orou: "Meu Pai, se possível, passa de mim esse cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mt 26.39).
Segundo, notamos que Cristo é inteiramente voltado para o próximo. Quando as pessoas lhe apresentavam suas necessidades, fossem elas de cura, de alimento ou perdão, ele estava sempre pronto a socorrê-las. Quando, exausto de uma longa jornada, Jesus descansava junto a um poço, esqueceu-se prontamente de sua própria fadiga para evangelizar uma mulher samaritana. A Zaqueu, Jesus disse: "Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido" (Lc 19.10). Noutra ocasião, Jesus disse aos seus discípulos: "Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (Mc 10.45). Certa vez, Jesus indicou qual é o maior amor que alguém pode demonstrar a outro: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar sua própria vida em favor dos seus amigos" (Jo 15.13). Esse é aquele amor que Jesus mesmo revelou: ele deu a sua vida por seus amigos.
Terceiro, Cristo domina a natureza. Com uma ordem, Jesus acalmou a tempestade que ameaçava a vida dos seus discípulos no lago da Galiléia. Mais tarde, andou sobre as águas para mostrar o seu domínio sobre a natureza. Foi também capaz de proporcionar uma pesca maravilhosa. Multiplicou os pães e transformou água em vinho. Curou muitas doenças, expulsou muitos demônios, fez os surdos ouvirem, os cegos verem, os paralíticos andarem e, até mesmo, ressuscitou mortos.
Foram essas ações miraculosas uma evidência da divindade de Cristo ou revelações daquilo que Cristo poderia fazer segundo sua humanidade confiando em seu Pai nos céus? Não podemos separar as naturezas divina e humana de Cristo; como o Concílio de Calcedônia expressou, essas duas naturezas estão sempre unidas, sem confusão, mudança, divisão ou separação. Todavia, algumas afirmações bíblicas sugerem que Jesus realizou esses milagres segundo sua humanidade perfeita confiando no poder divino: "Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós" (Mt 12.28); "Varões Israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis" (At 2.22, do sermão de Pedro no Pentecoste).
Não se pode ser dogmático quanto a isso, no entanto. Jesus era o Deus-homem e, portanto, tudo o que fez, o fez como aquele que era, a um só tempo, divino e humano. Obviamente, não conseguimos fazer milagres como Jesus; não podemos acalmar a tempestade ou ressuscitar mortos. O que podemos, porém, é aprender da vida de Cristo que o domínio sobre a natureza é um aspecto essencial do exercício da imagem de Deus - e nós precisamos encontrar nosso próprio modo de exercê-lo.
Em suma, observando Jesus Cristo, que é a imagem perfeita de Deus, aprendemos que o exercício próprio da imagem incluiu o ser voltar-se para Deus, o voltar-se para o próximo e o domínio sobre a natureza.
Autor: Anthony Andrew Hoekema
Fonte: Criados à imagem de Deus. São Paulo : Editora Cultura Cristã, 2010. págs 88, 89, 90.
domingo, 13 de março de 2016
Um mal rei representa a ira de Deus sobre a terra
"... A Palavra de Deus, porém, nos conduzirá mais adiante, pois nos fará obedecer, não somente aos príncipes que cumprem o seu dever e mandato, mas a todos os que ocupam uma posição eminente, embora não façam aquilo que sua condição exige.
Porque o Senhor declara que os magistrados foram constituídos para a conservação do gênero humano, e, embora lhes imponha limites definidos, declara no entanto que, sendo quem forem, receberam o governo diretamente dele. Assim, agindo em vista do bem público, os governantes são verdadeiros espelhos e exemplares de bondade divina; ao contrário, aqueles que governam injusta e violentamente foram suscitados para castigo do povo; ambos, porém, foram investidos da majestade que é conferida às autoridades legítimas. Não prosseguirei antes de citar algumas passagens da Escritura que confirmam meu dizer. De fato, é fácil mostrar que um mal rei representa a ira de Deus sobre a terra (Jó 34:30; Oséias 13:11; Isaías 3:4; Isaías 10:5); parece-me que isso é aceito por todos, sem contradição. Considerando dessa maneira o assunto não devemos julgar o rei como se fosse um ladrão que rouba nossa fazenda, um adúltero que toma a mulher alheia, um homicida que procura exterminar, visto que essas calamidades constam no decálogo das maldições de Deus na lei (Deuteronômio 28:29). É preciso insistir em provar aquilo que dificilmente conseguimos entender: que um homem perverso e indigno esteja investido de toda dignidade e autoridade que o Senhor, em sua Palavra, confere aos ministros da sua justiça; aos súditos compete que tributem à má autoridade a mesma reverência que rendem a um bom rei."...
João Calvino - A instituição da Religião Cristã, Tomo II, Capítulo XX (Do Poder Civil) - Editora Unesp. pág. 897
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Diretrizes Cristãs
1. Que partes de todas as horas do dia, para a Palavra e a oração, sejam dadas
a Deus, com períodos menores ou maiores; não dispensando a décimasegunda
hora, ou meio dia, embora deva ser então o tempo mais curto.
2. No meio das ocupações mundanas, deve haver alguns pensamentos sobre o
pecado, a morte, o julgamento e a eternidade, com pelo menos uma ou duas
palavras de oração dirigidas a Deus.
3. Vigie para que seu coração não divague durante a oração privada.
4. Não resmungue se chegar da oração sem sentimento de alegria. Abatimento, senso de culpa e fome, são freqüentemente o melhor de nós.
5. Que o Dia do Senhor, da manhã à noite, seja gasto sempre em adoração privada ou pública.
6. Que as palavras sejam observadas, pensamentos errantes e ociosos sejam evitados. Que nos previnamos contra a raiva súbita e o desejo de vingança, mesmo quando buscando a verdade, pois freqüentemente misturamos nosso zelo com fogo selvagem.
7. Que pecados conhecidos, descobertos e revelados, que são contra a consciência, sejam evitados, como os mais perigosos preparativos para a dureza de coração.
8. Que ao lidar com os homens, a fé e a verdade nos contratos e negociações sejam considerados; que lidemos com todos em sinceridade; que a consciência não seja composta de palavras ociosas e mentirosas; e que nossa carreira seja tal que, aqueles que a vêem possam falar honrosamente da nossa profissão de fé e do nosso doce Mestre.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: http://www.puritansermons.com/
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
A Essência da Lei de Deus
A Escritura define a natureza da Lei de Deus de uma forma que sugere mui fortemente sua validade contínua hoje. Isso pode ser visto a partir de vários ângulos.
A Natureza da Lei
1. A Lei representa a presença de Deus. Singular à Lei de Deus é que ela foi pessoalmente escrita pelo dedo de Deus. “E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele no monte Sinai) as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus” (Ex. 31:18; veja também Ex. 32:16; Dt. 4:13; 9:10; 10:4). A origem extraordinária da Lei, como da alma de Adão (Gn. 2:7), sugere seu caráter santo.
2. A Lei reside no próprio cerne do novo pacto. Sobre o novo pacto, como registrado em Jeremias 31:31-33, lemos: Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. (Ênfase adicionada) O novo pacto foi executado com o estabelecimento da Ceia do Senhor, um pouco antes da crucificação de Cristo. Vivemos hoje sob a nova administração pactual da redenção e somos lembrados disso todas as vezes que participamos da Ceia do Senhor.
3. A Lei reflete o caráter de Deus. Quando analisamos as representações bíblicas do caráter da Lei de Deus, logo descobrimos que as mesmas atribuições morais aplicadas a ela, são também usadas em referência ao próprio ser de Deus. Deus é bom (Marco 10:18; Sl. 143:10; a Lei é boa (Dt. 12:28; Sl. 119:68; Rm. 7:12, 16). Deus é santo (Is. 6:3; Ap. 15:4); a Lei é santa (Nm. 15:40; Rm. 7:12). Deus é perfeito (2Sm. 22:31; Sl. 18:30; Mt. 5:48); a Lei é perfeita (Sl. 19:7; Tiago 1:25). Deus é espiritual (João 4:24); a Lei é espiritual (Rm. 7:14). Deus é reto (Dt. 32:4; Esdras 9:15; Sl. 116:5); a Lei é reta (Dt. 4:8; Sl. 19:7; Rm. 2:26; 8:4). Deus é justo (Dt. 32:4; Sl. 25:8, 10; Is. 45:21); a Lei é justa (Pv. 28:4, 5; Zc. 7:9-12; Rm. 7:12).
O PROPÓSITO DA LEI
Quando lemos do propósito da Lei na Escritura, não há que pareça torná-la inapropriada para os nossos dias. Na verdade, há tudo para recomendá-la aos cristãos modernos.
1. A Lei define o pecado. O que o cristão é chamado a restringir e resistir no mundo é o pecado. A lei é essencial para a nossa luta contra o mal, visto que ela define o que é pecado. “Qualquer que comete pecado, também comete iniqüidade; porque o pecado é iniqüidade” (1 João 3:4). “Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei” (Rm. 5:13). “Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” (Rm. 7:7b). Outras referências falam de “iniqüidade” como repreensível e digna do julgamento de Deus.
2. A Lei convence do pecado. Com a pregação da Lei segue a convicção de pecado, visto que a Lei expressamente proíbe e julga o pecado. Apontando o pecado, a Lei mexe com o coração, trazendo um conhecimento das conseqüências mortais do comportamento iníquo. 3 Mt. 26:28; Mc. 14:24; Lucas 22:20; 1Co. 11:25; 2Co. 3:7ss.; Hb. 8:6ss. 4 Mt. 7:23; 13:41; 23:28; 24:12; Atos 8:23; Rm. 3:20; 6:19; 1Co. 13:6. Tito 2:14; Hb. 1:9; Tiago 3:6. O termo traduzido como “iniqüidade” significa literalmente “sem lei” no grego: a (“não”) e nomos (“lei”). Monergismo.com – “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9) www.monergismo.com 3 Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás… E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou. (Rm. 7:7, 9, 11; cp. Tiago 2:9)
3. A Lei condena a transgressão. A Lei também carrega com ela a penalidade de sua infração, mostrando claramente as conseqüências destrutivas da conduta iníqua. “Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão” (Rm. 4:15). “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” (Tiago 2:10). “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gl. 3:10; veja também Dt. 11:26, 28).
4. A Lei conduz as pessoas a Cristo. No fato da Lei julgar severamente o pecado, deixando os homens expostos à ira de Deus; e no fato da Lei não poder salvar, ela os conduz a Cristo. “E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte” (Rm. 7:10). “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gl. 3:24). A ética teonômica não sustenta que a guarda da Lei alguma vez conseguiu ou conseguirá méritos para a salvação de alguém. Na verdade, ela faz com que eles se desesperem com a sua justiça própria, de forma que possam buscar a justiça em outro: Cristo o Senhor.
5. A Lei restringe o mal. Quando a Lei é propriamente entendida e sua infração temida, ela tende a exercer um poder reprimidor sobre as almas dos homens. Quando enaltecida na esfera pública, ela reduz a atividade criminosa mediante ameaça de punição. Por exemplo, quando “não matarás” é apoiado pela sanção “quem ferir alguém, de modo que este morra, certamente será morto” (Ex. 21:12), o preço do crime se torna proibitivo. É assim que Deus designou que seja. Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina, conforme o evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que me foi confiado. (1Tm. 1:8- 11; cp. Sl. 119:11)
6. A Lei guia a santificação. A Lei não tem o poder de santificar; isso é o ministério do Espírito Santo à medida que Ele age no evangelho. Mas a Lei apresenta o padrão de comportamento justo ordenado por Deus e, portanto, fornece uma norma objetiva para o cristão cheio do Espírito, de forma que possa conhecer o que Deus espera dele. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Rm. 8:3-4) “Para os que estão sem lei, como se [eu] estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei” (1Co. 9:21; veja também Lv. 20:8; 119:105; Pv. 6:23).
Dr. Kenneth L. Gentry, Jr.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: God’s Law in the Modern World, p. 15-20.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Os Elementos de Bondade nas Falsas Religiões
É obvio que nenhuma religião é totalmente falsa. Existem elementos de verdade em todas as religiões, embora como sistemas elas devam ser consideradas falsas. Como esse fato pode ser explicado?
De acordo com a teoria evolutiva da religião, as diferenças entre as religiões é apenas uma questão de grau. Algumas religiões têm sido consideradas como melhores que outras, mas não existe diferença absoluta ou essencial entre elas, nos é dito. Sem dúvida, essa visão segue da noção de um desenvolvimento gradual do mais primitivo para o mais avançado. Todas as religiões são consideradas como misturas de características boas e más, sendo que existe variação apenas na proporção entre bem e mal nas diferentes religiões.
Se não aceitamos a teoria evolutiva, devemos procurar outra explicação para os traços de bondade nas falsas religiões. A explicação cristã é que esses traços são produzidos pela graça comum de Deus. “Graça comum” significa a graça de Deus dada a todas as pessoas do mundo, à parte da salvação no sentido cristão. Essa “graça comum” não salva as almas das pessoas, mas tem influência no nível de bondade humana, e tem um efeito restritivo sobre o mal e o pecado. Isso resulta nas características boas de vários sistemas religiosos falsos do mundo.
Além disso, a bondade nos sistemas religiosos falsos é somente uma bondade relativa. Não é a bondade no sentido mais elevado. Budismo e Cristianismo, por exemplo, ensinam que é errado furtar. Com respeito à declaração formal que furtar é errado, o Budismo e o Cristianismo são idênticos. Mas se dermos um passo adiante e perguntarmos por que furtar é pecado, as duas religiões divergem. O Cristianismo ensina que furtar é pecado porque vai contra a vontade de Deus, já o Budismo não tem tal discernimento.
Ambos, Budismo e Cristianismo, novamente ensinam que é um dever aliviar as aflições dos pobres dando esmolas ou fazendo caridade. Nesse respeito, os dois são idênticos. Mas quando inquirimos por que isso é um dever, encaramos novamente uma divergência. O cristão, se corretamente informado, dá esmolas ao pobre motivado pelo amor a Deus. Ele está expressando sua gratidão a Deus pela graça e salvação recebidas dele. Mas o budista não tem tal motivação. Seus motivos são geralmente egoístas – para ganhar certa quantidade de mérito ou “crédito” espiritual para si mesmo. Essa motivação não é compaixão pelo pobre, nem amor por Deus, mas um desejo de obter mérito pessoal.
Para que algo seja bom no sentido mais elevado, de acordo com o ensino cristão, três coisas são necessárias: (1) deve ser algo exigido pela vontade de Deus, (2) deve ser feito por causa do amor a Deus; (3) deve ser feito com fé. Quando mensurado por esse teste, ver-se-á que muitas das semelhanças entre o Cristianismo e os sistemas religiosos falsos são meramente formais e superficiais, enquanto no conteúdo essencial, abaixo da superfície, existe uma grande divergência.
Estamos discutindo elementos de bondade nas falsas religiões, não elementos de bondade na vida dos seus aderentes. É certamente verdade que pessoas podem ser melhores que seus credos, tanto quanto podem ser piores que seus credos. Alguém que professe ser cristão pode ser um anúncio muito pobre do Cristianismo. E alguém que professe o que caracterizamos como sistema religioso falso pode exibir em sua vida muitos traços bons e nobres.
Por exemplo, um homem que não conheça ou ame ao Deus verdadeiro pode sacrificar sua vida tentando salvar outro ser humano de se afogar ou perecer num prédio em chamas. Certamente tal ação deve ser caracterizada como “boa” em contraste com a ação oposta, a saber, permitir que seu próximo morra afogado ou queimado, sem fazer nenhum esforço para salvar a sua vida.
Mas quando descrevemos tais ações como “boas”, devemos nos lembrar que esse não é o padrão mais alto de bondade. Tais ações, e as atitudes que se encontram por detrás delas, são boas num sentido relativo e limitado. Elas são boas, poderíamos dizer, num nível humano. Enquanto considerarmos somente a dimensão horizontal da vida – nossos relacionamentos dentro da sociedade humana – tais ações devem ser classificadas como “boas”. Mas quando tomamos a dimensão vertical da vida, e consideramos também nosso relacionamento e obrigações para com Deus, devemos dizer que nenhuma atitude ou ação que o desagrade ou que não seja feita por amor a ele, é verdadeiramente boa no mais elevado sentido.
Considerando os vários sistemas religiosos, precisamos evitar dois extremos. Devemos evitar o extremo de dizer que todas são boas e diferem apenas superficialmente do Cristianismo, e também devemos evitar o extremo de dizer que são todas más e não contém nada que possa ser chamado verdadeiramente de “bom”. Ambos extremos são errôneos. Deveríamos procurar alcançar uma atitude crítica e equilibrada para com os vários sistemas religiosos.
Quando dizemos que características de bondade em sistemas religiosos falsos são “boas” somente num sentido relativo e superficial, essa não é uma declaração sobre a sinceridade dos aderentes desses sistemas. Podemos considerar as pessoas com respeito, mesmo quando somos compelidos a denunciar suas falsas crenças. As pessoas podem ser não somente sinceras na profissão de sua religião, mas, pela graça comum de Deus, podem em sua vida pessoal ser bem melhores que a religião que professam. Mas devemos lembrar que isso não equivale à salvação no sentido cristão.
Johannes G. Vos
Tradução: André Scordamaglio
Revisão: Felipe Sabino
Autor O autor desse artigo foi professor e presidente do Departamento de Literatura Bíblica no Geneva College, Beaver Falls, Pensilvânia. Ele foi um missionário pioneiro na Manchúria (China), e diretor da Newchwang Bible Seminary em Manchúria.
Fonte: http://www.the-highway.com/articleFeb08.html
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