quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
A Essência da Lei de Deus
A Escritura define a natureza da Lei de Deus de uma forma que sugere mui fortemente sua validade contínua hoje. Isso pode ser visto a partir de vários ângulos.
A Natureza da Lei
1. A Lei representa a presença de Deus. Singular à Lei de Deus é que ela foi pessoalmente escrita pelo dedo de Deus. “E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele no monte Sinai) as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus” (Ex. 31:18; veja também Ex. 32:16; Dt. 4:13; 9:10; 10:4). A origem extraordinária da Lei, como da alma de Adão (Gn. 2:7), sugere seu caráter santo.
2. A Lei reside no próprio cerne do novo pacto. Sobre o novo pacto, como registrado em Jeremias 31:31-33, lemos: Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. (Ênfase adicionada) O novo pacto foi executado com o estabelecimento da Ceia do Senhor, um pouco antes da crucificação de Cristo. Vivemos hoje sob a nova administração pactual da redenção e somos lembrados disso todas as vezes que participamos da Ceia do Senhor.
3. A Lei reflete o caráter de Deus. Quando analisamos as representações bíblicas do caráter da Lei de Deus, logo descobrimos que as mesmas atribuições morais aplicadas a ela, são também usadas em referência ao próprio ser de Deus. Deus é bom (Marco 10:18; Sl. 143:10; a Lei é boa (Dt. 12:28; Sl. 119:68; Rm. 7:12, 16). Deus é santo (Is. 6:3; Ap. 15:4); a Lei é santa (Nm. 15:40; Rm. 7:12). Deus é perfeito (2Sm. 22:31; Sl. 18:30; Mt. 5:48); a Lei é perfeita (Sl. 19:7; Tiago 1:25). Deus é espiritual (João 4:24); a Lei é espiritual (Rm. 7:14). Deus é reto (Dt. 32:4; Esdras 9:15; Sl. 116:5); a Lei é reta (Dt. 4:8; Sl. 19:7; Rm. 2:26; 8:4). Deus é justo (Dt. 32:4; Sl. 25:8, 10; Is. 45:21); a Lei é justa (Pv. 28:4, 5; Zc. 7:9-12; Rm. 7:12).
O PROPÓSITO DA LEI
Quando lemos do propósito da Lei na Escritura, não há que pareça torná-la inapropriada para os nossos dias. Na verdade, há tudo para recomendá-la aos cristãos modernos.
1. A Lei define o pecado. O que o cristão é chamado a restringir e resistir no mundo é o pecado. A lei é essencial para a nossa luta contra o mal, visto que ela define o que é pecado. “Qualquer que comete pecado, também comete iniqüidade; porque o pecado é iniqüidade” (1 João 3:4). “Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei” (Rm. 5:13). “Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” (Rm. 7:7b). Outras referências falam de “iniqüidade” como repreensível e digna do julgamento de Deus.
2. A Lei convence do pecado. Com a pregação da Lei segue a convicção de pecado, visto que a Lei expressamente proíbe e julga o pecado. Apontando o pecado, a Lei mexe com o coração, trazendo um conhecimento das conseqüências mortais do comportamento iníquo. 3 Mt. 26:28; Mc. 14:24; Lucas 22:20; 1Co. 11:25; 2Co. 3:7ss.; Hb. 8:6ss. 4 Mt. 7:23; 13:41; 23:28; 24:12; Atos 8:23; Rm. 3:20; 6:19; 1Co. 13:6. Tito 2:14; Hb. 1:9; Tiago 3:6. O termo traduzido como “iniqüidade” significa literalmente “sem lei” no grego: a (“não”) e nomos (“lei”). Monergismo.com – “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9) www.monergismo.com 3 Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás… E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou. (Rm. 7:7, 9, 11; cp. Tiago 2:9)
3. A Lei condena a transgressão. A Lei também carrega com ela a penalidade de sua infração, mostrando claramente as conseqüências destrutivas da conduta iníqua. “Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão” (Rm. 4:15). “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” (Tiago 2:10). “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gl. 3:10; veja também Dt. 11:26, 28).
4. A Lei conduz as pessoas a Cristo. No fato da Lei julgar severamente o pecado, deixando os homens expostos à ira de Deus; e no fato da Lei não poder salvar, ela os conduz a Cristo. “E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte” (Rm. 7:10). “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gl. 3:24). A ética teonômica não sustenta que a guarda da Lei alguma vez conseguiu ou conseguirá méritos para a salvação de alguém. Na verdade, ela faz com que eles se desesperem com a sua justiça própria, de forma que possam buscar a justiça em outro: Cristo o Senhor.
5. A Lei restringe o mal. Quando a Lei é propriamente entendida e sua infração temida, ela tende a exercer um poder reprimidor sobre as almas dos homens. Quando enaltecida na esfera pública, ela reduz a atividade criminosa mediante ameaça de punição. Por exemplo, quando “não matarás” é apoiado pela sanção “quem ferir alguém, de modo que este morra, certamente será morto” (Ex. 21:12), o preço do crime se torna proibitivo. É assim que Deus designou que seja. Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina, conforme o evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que me foi confiado. (1Tm. 1:8- 11; cp. Sl. 119:11)
6. A Lei guia a santificação. A Lei não tem o poder de santificar; isso é o ministério do Espírito Santo à medida que Ele age no evangelho. Mas a Lei apresenta o padrão de comportamento justo ordenado por Deus e, portanto, fornece uma norma objetiva para o cristão cheio do Espírito, de forma que possa conhecer o que Deus espera dele. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Rm. 8:3-4) “Para os que estão sem lei, como se [eu] estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei” (1Co. 9:21; veja também Lv. 20:8; 119:105; Pv. 6:23).
Dr. Kenneth L. Gentry, Jr.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: God’s Law in the Modern World, p. 15-20.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Os Elementos de Bondade nas Falsas Religiões
É obvio que nenhuma religião é totalmente falsa. Existem elementos de verdade em todas as religiões, embora como sistemas elas devam ser consideradas falsas. Como esse fato pode ser explicado?
De acordo com a teoria evolutiva da religião, as diferenças entre as religiões é apenas uma questão de grau. Algumas religiões têm sido consideradas como melhores que outras, mas não existe diferença absoluta ou essencial entre elas, nos é dito. Sem dúvida, essa visão segue da noção de um desenvolvimento gradual do mais primitivo para o mais avançado. Todas as religiões são consideradas como misturas de características boas e más, sendo que existe variação apenas na proporção entre bem e mal nas diferentes religiões.
Se não aceitamos a teoria evolutiva, devemos procurar outra explicação para os traços de bondade nas falsas religiões. A explicação cristã é que esses traços são produzidos pela graça comum de Deus. “Graça comum” significa a graça de Deus dada a todas as pessoas do mundo, à parte da salvação no sentido cristão. Essa “graça comum” não salva as almas das pessoas, mas tem influência no nível de bondade humana, e tem um efeito restritivo sobre o mal e o pecado. Isso resulta nas características boas de vários sistemas religiosos falsos do mundo.
Além disso, a bondade nos sistemas religiosos falsos é somente uma bondade relativa. Não é a bondade no sentido mais elevado. Budismo e Cristianismo, por exemplo, ensinam que é errado furtar. Com respeito à declaração formal que furtar é errado, o Budismo e o Cristianismo são idênticos. Mas se dermos um passo adiante e perguntarmos por que furtar é pecado, as duas religiões divergem. O Cristianismo ensina que furtar é pecado porque vai contra a vontade de Deus, já o Budismo não tem tal discernimento.
Ambos, Budismo e Cristianismo, novamente ensinam que é um dever aliviar as aflições dos pobres dando esmolas ou fazendo caridade. Nesse respeito, os dois são idênticos. Mas quando inquirimos por que isso é um dever, encaramos novamente uma divergência. O cristão, se corretamente informado, dá esmolas ao pobre motivado pelo amor a Deus. Ele está expressando sua gratidão a Deus pela graça e salvação recebidas dele. Mas o budista não tem tal motivação. Seus motivos são geralmente egoístas – para ganhar certa quantidade de mérito ou “crédito” espiritual para si mesmo. Essa motivação não é compaixão pelo pobre, nem amor por Deus, mas um desejo de obter mérito pessoal.
Para que algo seja bom no sentido mais elevado, de acordo com o ensino cristão, três coisas são necessárias: (1) deve ser algo exigido pela vontade de Deus, (2) deve ser feito por causa do amor a Deus; (3) deve ser feito com fé. Quando mensurado por esse teste, ver-se-á que muitas das semelhanças entre o Cristianismo e os sistemas religiosos falsos são meramente formais e superficiais, enquanto no conteúdo essencial, abaixo da superfície, existe uma grande divergência.
Estamos discutindo elementos de bondade nas falsas religiões, não elementos de bondade na vida dos seus aderentes. É certamente verdade que pessoas podem ser melhores que seus credos, tanto quanto podem ser piores que seus credos. Alguém que professe ser cristão pode ser um anúncio muito pobre do Cristianismo. E alguém que professe o que caracterizamos como sistema religioso falso pode exibir em sua vida muitos traços bons e nobres.
Por exemplo, um homem que não conheça ou ame ao Deus verdadeiro pode sacrificar sua vida tentando salvar outro ser humano de se afogar ou perecer num prédio em chamas. Certamente tal ação deve ser caracterizada como “boa” em contraste com a ação oposta, a saber, permitir que seu próximo morra afogado ou queimado, sem fazer nenhum esforço para salvar a sua vida.
Mas quando descrevemos tais ações como “boas”, devemos nos lembrar que esse não é o padrão mais alto de bondade. Tais ações, e as atitudes que se encontram por detrás delas, são boas num sentido relativo e limitado. Elas são boas, poderíamos dizer, num nível humano. Enquanto considerarmos somente a dimensão horizontal da vida – nossos relacionamentos dentro da sociedade humana – tais ações devem ser classificadas como “boas”. Mas quando tomamos a dimensão vertical da vida, e consideramos também nosso relacionamento e obrigações para com Deus, devemos dizer que nenhuma atitude ou ação que o desagrade ou que não seja feita por amor a ele, é verdadeiramente boa no mais elevado sentido.
Considerando os vários sistemas religiosos, precisamos evitar dois extremos. Devemos evitar o extremo de dizer que todas são boas e diferem apenas superficialmente do Cristianismo, e também devemos evitar o extremo de dizer que são todas más e não contém nada que possa ser chamado verdadeiramente de “bom”. Ambos extremos são errôneos. Deveríamos procurar alcançar uma atitude crítica e equilibrada para com os vários sistemas religiosos.
Quando dizemos que características de bondade em sistemas religiosos falsos são “boas” somente num sentido relativo e superficial, essa não é uma declaração sobre a sinceridade dos aderentes desses sistemas. Podemos considerar as pessoas com respeito, mesmo quando somos compelidos a denunciar suas falsas crenças. As pessoas podem ser não somente sinceras na profissão de sua religião, mas, pela graça comum de Deus, podem em sua vida pessoal ser bem melhores que a religião que professam. Mas devemos lembrar que isso não equivale à salvação no sentido cristão.
Johannes G. Vos
Tradução: André Scordamaglio
Revisão: Felipe Sabino
Autor O autor desse artigo foi professor e presidente do Departamento de Literatura Bíblica no Geneva College, Beaver Falls, Pensilvânia. Ele foi um missionário pioneiro na Manchúria (China), e diretor da Newchwang Bible Seminary em Manchúria.
Fonte: http://www.the-highway.com/articleFeb08.html
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