domingo, 2 de novembro de 2014
A causa da expiação
A CAUSA DA EXPIAÇÃO
Qual foi a causa última que levou Cristo a vir para este mundo e morrer pelos nossos pecados? Para encontrá-la, devemos pesquisar o assunto em alguma coisa no caráter do próprio Deus. E aqui as Escrituras apontam para duas coisas: o amor e a justiça de Deus.
O amor de Deus como uma das causas da expiação é descrito na passagem mais conhecida da Bíblia: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu o seu filho unigênito, para todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"(João 3:16). Mas a justiça de Deus também exigia que ele encontrasse um meio pelo qual a pena pelos nossos pecados fosse paga (pois ele não podia aceitar-nos em comunhão consigo mesmo a menos que a penalidade fosse paga). Paulo explica que essa é a razão pela qual Deus enviou Cristo para ser "propiciação" (Romanos 3:25), ou seja, um sacrifício que sofre a ira de Deus de modo que este se torne "propício" ou com disposição favorável a nós: foi "para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos" (Romanos 3:25). Aqui Paulo diz que Deus perdoava os pecados no Antigo Testamento, mas nenhuma pena havia sido paga, fato que poderia fazer as pessoas perguntarem se Deus era mesmo justo e indagar como ele pode perdoar pecados sem nenhum castigo. Será que um Deus que fosse justo de verdade poderia fazer isso? Mas quando ele enviou Cristo para morrer e receber o castigo pelos nossos pecados, fez isso "tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Romanos 3:26).
Portanto, o amor e a justiça de Deus foram a causa última da expiação. No entanto, não nos ajudará em nada perguntar qual dos dois é mais importante, pois sem o amor de Deus, ele nunca teria dado nenhum passo para nos redimir, mas sem a justiça de Deus, não teria sido cumprida a exigência específica de que Cristo obtivesse nossa salvação morrendo pelos nossos pecados. Tanto o amor como a justiça de Deus foram igualmente importantes.
A NECESSIDADE DA EXPIAÇÃO
Havia alguma outra maneira de Deus salvar os seres humanos além de enviar seu Filho para morrer em nosso lugar?
Antes de responder a essa pergunta, é importante entender que Deus não tinha nenhuma necessidade de salvar ninguém. Quando nos conscientizamos de que "Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo" (2 Pedro 2:4), percebemos que Deus poderia também ter escolhido com perfeita justiça deixar-nos em nossos pecados, esperando o julgamento; ele poderia ter escolhido não salvar ninguém, assim como fez com os anjos pecaminosos. Assim, nesse sentido a expiação não era absolutamente necessária.
Mas uma vez que Deus , em seu amor, decidiu salvar alguns seres humanos, então várias passagens nas Escrituras indicam que não havia outra maneira de Deus fazê-lo a não ser pela morte de seu Filho. Portanto, a expiação não era absolutamente necessária, mas, como "consequência" da decisão divina de salvar alguns seres humanos, a expiação era absolutamente necessária. Essa concepção às vezes é chamada visão da "absoluta necessidade consequente" de expiação.
No jardim do Getsêmani, Jesus ora: "... se possível, passa de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mateus 26:39). Podemos estar convictos de que Jesus sempre orou de acordo com a vontade do Pai e sempre com plenitude de fé.
Dessa forma, essa oração, que Mateus se esforça para registrar para nós, parece mostrar que não era possível para Jesus evitar a morte na cruz que estava prestes a vir sobre ele (o "cálice" de sofrimento que ele havia dito que seria seu). Se Jesus estava para completar a obra que o Pai lhe destinara, e se as pessoas estavam para ser redimidas por Deus, então era necessário que ele morresse sobre a cruz.
Ele disse algo semelhante depois de sua ressurreição, quando conversava com dois discípulos no caminho para Emaús. Eles estavam tristes porque Jesus tinha morrido, mas sua resposta foi: "Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?" (Lucas 24:25-26). Jesus entendia que o plano divino de redenção (que ele explicou aos discípulos a partir de muitas passagens do Antigo Testamento, (Lucas 24:27) tornava necessário que o Messias morresse pelos pecados do seu povo.
Como vimos acima, Paulo também mostra em Romanos 3 que, para Deus ser justo e ainda assim salvar as pessoas, precisava enviar Cristo para receber o castigo pelos pecados: "... tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Romanos 3:26). A epístola aos Hebreus enfatiza que Cristo tinha de sofrer pelos nossos pecados: "Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo" (Hebreus 2:17). O autor de Hebreus argumenta também que por ser "impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados" (Hebreus 10:4), exige-se um sacrifício superior (Hebreus 9:23). Somente o sangue de Cristo, ou seja, sua morte, seria realmente capaz de remover os pecados (Hebreus 9:25-26). Não havia nenhuma outra maneira de Deus nos salvar a não ser pela morte de Cristo em nosso lugar.
A NATUREZA DA EXPIAÇÃO
Considero dois aspectos da obra de Cristo: 1- A obediência de Cristo por nós, pela qual obedeceu às exigências da lei em nosso lugar e foi perfeitamente obediente à vontade de Deus Pai como nosso representante, 2- Os sofrimentos de Cristo por nós, pelos quais recebeu o castigo pelos nossos pecados e, em consequência, morreu pelos nossos pecados.
É importante observar que nessas duas categorias a ênfase básica e a influência principal da obra redentora de Cristo não é sobre nós, mas sobre Deus Pai. Jesus obedeceu ao Pai em nosso lugar, recebendo em si mesmo a pena que Deus Pai teria aplicado a nós. Em ambos os casos, a expiação é vista como algo objetivo; isto é, algo que tem influência primária diretamente sobre o próprio Deus. Apenas de maneira secundária ele se aplica a nós, e isso dá só porque houve um evento definido na relação entre Deus Pai e Deus Filho que assegurou nossa salvação.
Wayne Grudem
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