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sábado, 13 de junho de 2015

Para ter paz e progredir na graça!





1- Poderíamos desfrutar de muita paz, se não nos ocupássemos com as palavras e ações de outros homens, com coisas que não nos diz respeito.
Como pode ficar em paz por muito tempo quem se intromete em assuntos alheios, que busca distrações externas, que pouco ou raramente se concentra em seus pensamentos?
Bem-aventurados são os simples de coração, porque desfrutarão de muita paz.

2- Por que razão alguns santos foram tão perfeitos e contemplativos?
Porque se esforçaram para se mortificar totalmente aos desejos humanos, e assim, puderam, de todo coração, dedicar-se a Deus e ser livres para a contemplação espiritual.
Nós nos deixamos levar excessivamente por nossas paixões, e andamos ansiosos demais por coisas transitórias.
Poucas vezes vencemos um vício completamente, e não nos deixamos inflamar de um desejo fervoroso de nos tornarmos melhores a cada dia. Por isso, permanecemos frios ou mornos.

3- Se tivéssemos totalmente mortos para nós mesmos, e não perturbados com nosso interior, poderíamos saborear as coisas divinas e ter alguma experiência da contemplação celestial.
O maior impedimento, aquele que nos detém por inteiro, é que não estamos livres de nossas paixões e desejos e não nos esforçamos para trilhar o caminho de perfeição que os santos trilharam antes de nós. Desse modo, quando nos sobrevém uma adversidade qualquer, por menor que seja, de imediato nos sentimos desanimados e procuramos o conforto humano.

4- Se nos esforçássemos, como homens corajosos, para nos manter de pé na batalha, certamente sentiríamos descer sobre nós o socorro de Deus vindo do céu.
Porque Aquele que nos permite lutar, a fim de que alcancemos a vitória, está pronto para socorrer os que lutam bravamente e confiam de verdade em sua graça.
Se pensamos que nosso progresso na vida religiosa consiste apenas em alguns costumes e regras exteriores, nossa devoção bem depressa acabará.
Mas, com um machado, cortemos a raiz, e assim, livres das paixões, encontraremos descanso para nossa alma.

5- Se todo ano extirpássemos um vício, em pouco tempo alcançaríamos a perfeição.
Em vez disso, porém, muitas vezes percebemos que éramos melhores e mais puros no início de nossa conversão do que depois de muitos anos de profissão de fé.
Nosso fervor e progresso deveriam aumentar a cada dia; no entanto, achamos grande coisa alguém que consiga reter uma parte de seu primeiro zelo.
Se nos esforçássemos pelo menos um pouco no início; seríamos mais tarde capazes de fazer qualquer coisa com facilidade e prazer.

6- Não é fácil abandonar aquilo a que já estamos habituados; mais difícil, porém, é ir contra nossa vontade.
Se, contudo, você não vencer as coisas pequenas e fáceis, como poderá vencer as difíceis?
Resista à inclinação logo de início e desaprenda os maus hábitos, para que, pouco a pouco, eles não o conduzam a dificuldades maiores.
Ah, se você soubesse quanta paz interior teria, e quanta alegria daria aos outros o exemplo de sua vida santificada, tenho certeza de que cuidaria mais de seu progresso espiritual!

Tomás de Kempis

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