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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Os Elementos de Bondade nas Falsas Religiões






É obvio que nenhuma religião é totalmente falsa. Existem elementos de verdade em todas as religiões, embora como sistemas elas devam ser consideradas falsas. Como esse fato pode ser explicado?

De acordo com a teoria evolutiva da religião, as diferenças entre as religiões é apenas uma questão de grau. Algumas religiões têm sido consideradas como melhores que outras, mas não existe diferença absoluta ou essencial entre elas, nos é dito. Sem dúvida, essa visão segue da noção de um desenvolvimento gradual do mais primitivo para o mais avançado. Todas as religiões são consideradas como misturas de características boas e más, sendo que existe variação apenas na proporção entre bem e mal nas diferentes religiões.

Se não aceitamos a teoria evolutiva, devemos procurar outra explicação para os traços de bondade nas falsas religiões. A explicação cristã é que esses traços são produzidos pela graça comum de Deus. “Graça comum” significa a graça de Deus dada a todas as pessoas do mundo, à parte da salvação no sentido cristão. Essa “graça comum” não salva as almas das pessoas, mas tem influência no nível de bondade humana, e tem um efeito restritivo sobre o mal e o pecado. Isso resulta nas características boas de vários sistemas religiosos falsos do mundo.

 Além disso, a bondade nos sistemas religiosos falsos é somente uma bondade relativa. Não é a bondade no sentido mais elevado. Budismo e Cristianismo, por exemplo, ensinam que é errado furtar. Com respeito à declaração formal que furtar é errado, o Budismo e o Cristianismo são idênticos. Mas se dermos um passo adiante e perguntarmos por que furtar é pecado, as duas religiões divergem. O Cristianismo ensina que furtar é pecado porque vai contra a vontade de Deus, já o Budismo não tem tal discernimento.

 Ambos, Budismo e Cristianismo, novamente ensinam que é um dever aliviar as aflições dos pobres dando esmolas ou fazendo caridade. Nesse respeito, os dois são idênticos. Mas quando inquirimos por que isso é um dever, encaramos novamente uma divergência. O cristão, se corretamente informado, dá esmolas ao pobre motivado pelo amor a Deus. Ele está expressando sua gratidão a Deus pela graça e salvação recebidas dele. Mas o budista não tem tal motivação. Seus motivos são geralmente egoístas – para ganhar certa quantidade de mérito ou “crédito” espiritual para si mesmo. Essa motivação não é compaixão pelo pobre, nem amor por Deus, mas um desejo de obter mérito pessoal.

 Para que algo seja bom no sentido mais elevado, de acordo com o ensino cristão, três coisas são necessárias: (1) deve ser algo exigido pela vontade de Deus, (2) deve ser feito por causa do amor a Deus; (3) deve ser feito com fé. Quando mensurado por esse teste, ver-se-á que muitas das semelhanças entre o Cristianismo e os sistemas religiosos falsos são meramente formais e superficiais, enquanto no conteúdo essencial, abaixo da superfície, existe uma grande divergência.

 Estamos discutindo elementos de bondade nas falsas religiões, não elementos de bondade na vida dos seus aderentes. É certamente verdade que pessoas podem ser melhores que seus credos, tanto quanto podem ser piores que seus credos. Alguém que professe ser cristão pode ser um anúncio muito pobre do Cristianismo. E alguém que professe o que caracterizamos como sistema religioso falso pode exibir em sua vida muitos traços bons e nobres.

 Por exemplo, um homem que não conheça ou ame ao Deus verdadeiro pode sacrificar sua vida tentando salvar outro ser humano de se afogar ou perecer num prédio em chamas. Certamente tal ação deve ser caracterizada como “boa” em contraste com a ação oposta, a saber, permitir que seu próximo morra afogado ou queimado, sem fazer nenhum esforço para salvar a sua vida.

Mas quando descrevemos tais ações como “boas”, devemos nos lembrar que esse não é o padrão mais alto de bondade. Tais ações, e as atitudes que se encontram por detrás delas, são boas num sentido relativo e limitado. Elas são boas, poderíamos dizer, num nível humano. Enquanto considerarmos somente a dimensão horizontal da vida – nossos relacionamentos dentro da sociedade humana – tais ações devem ser classificadas como “boas”. Mas quando tomamos a dimensão vertical da vida, e consideramos também nosso relacionamento e obrigações para com Deus, devemos dizer que nenhuma atitude ou ação que o desagrade ou que não seja feita por amor a ele, é verdadeiramente boa no mais elevado sentido.

 Considerando os vários sistemas religiosos, precisamos evitar dois extremos. Devemos evitar o extremo de dizer que todas são boas e diferem apenas superficialmente do Cristianismo, e também devemos evitar o extremo de dizer que são todas más e não contém nada que possa ser chamado verdadeiramente de “bom”. Ambos extremos são errôneos. Deveríamos procurar alcançar uma atitude crítica e equilibrada para com os vários sistemas religiosos.

Quando dizemos que características de bondade em sistemas religiosos falsos são “boas” somente num sentido relativo e superficial, essa não é uma declaração sobre a sinceridade dos aderentes desses sistemas. Podemos considerar as pessoas com respeito, mesmo quando somos compelidos a denunciar suas falsas crenças. As pessoas podem ser não somente sinceras na profissão de sua religião, mas, pela graça comum de Deus, podem em sua vida pessoal ser bem melhores que a religião que professam. Mas devemos lembrar que isso não equivale à salvação no sentido cristão.

Johannes G. Vos

Tradução: André Scordamaglio
Revisão: Felipe Sabino

 Autor O autor desse artigo foi professor e presidente do Departamento de Literatura Bíblica no Geneva College, Beaver Falls, Pensilvânia. Ele foi um missionário pioneiro na Manchúria (China), e diretor da Newchwang Bible Seminary em Manchúria.

Fonte: http://www.the-highway.com/articleFeb08.html

Um comentário:

  1. Este artigo vai na contra mão da parábola do joio e do trigo, do bom samaritano , da conversa de Jesus com a mulher samaritana e daquele caso dos discípulos quererem proibir um homem de expulsar demônios porque "não é um dos nossos"

    Foi contra tal segregacionismo exclusivista que Jesus combateu .

    triste discernimento de quem escreveu , traduziu e publicou .

    arrepender nunca é tarde

    paz e guerra nele

    amem

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